10 mentiras do 2º turno. E como se precaver no domingo

Desinformação nas redes sociais foi um dos protagonistas da campanha de 2018. Veja dicas para não cair em notícias falsas

    A desinformação nas redes sociais foi um dos principais assuntos da campanha presidencial de 2018. O WhatsApp ganhou protagonismo como meio de disseminar informações políticas na eleição, sejam verdadeiras ou falsas.

    Os dois candidatos presidenciais que disputam o segundo turno, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, se acusam mutuamente de espalhar boatos falsos nas redes.

    Segundo uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, empresas financiaram ataques ao PT no WhatsApp, o que configuraria crime eleitoral. O caso está sendo investigado.

    Nas palavras de Laura Chinchilla, chefe da missão de observadores internacionais da OEA (Organização dos Estados Americanos), o uso massivo do WhatsApp para propagar notícias falsas e influenciar a eleição “não tem precedentes” no mundo. “É uma rede que gera muita confiança nas pessoas porque são pessoas próximas a elas que mandam as notícias”, disse Chinchilla na quinta-feira (25).

    O Tribunal Superior Eleitoral foi cobrado publicamente sobre o assunto. A presidente da corte, ministra Rosa Weber, disse que se trata de um fenômeno mundial, que a Justiça Eleitoral brasileira não falhou e não tem uma “solução pronta”.

    Na imprensa, existem diversas iniciativas para combater a desinformação nas eleições de 2018. O Comprova, do qual o Nexo faz parte, reúne 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas na internet que envolvam a campanha presidencial.

    Agências como Aos Fatos, Lupa e Pública também se dedicam a verificar boatos sobre a eleição. O mesmo faz o Fato ou Fake, projeto do Grupo Globo.

    Se você recebeu algum conteúdo duvidoso sobre a eleição presidencial, pode pedir para o Comprova verificar. Basta enviar uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022. Se preferir, também pode enviar por email.

    Como se prevenir contra a desinformação

    Abaixo estão alguns sinais para você desconfiar de vídeos e mensagens e não ser enganado na hora de votar no segundo turno, neste domingo (28):

    • notícias extremamente chamativas que prejudicam algum candidato ou partido
    • não encontrar nada sobre aquela informação em fontes confiáveis, como veículos da imprensa profissional
    • notícias que não citam fontes nem o autor daquela informação

    Mesmo se existe uma foto ou um vídeo, não é necessariamente verdade. Há diversas maneiras de manipular esse material ou deturpar as imagens ao colocá-las em outro contexto.

    Dúvidas sobre uma informação que você recebeu muitas vezes podem ser esclarecidas a partir de buscas rápidas em sites como o Google. Se encontrar aquela informação apenas em sites ou páginas duvidosos de viés político claro, há boas chances de ela ser mentirosa.

    O Nexo lista os principais boatos e mentiras sobre o segundo turno presidencial de 2018, com as verificações feitas pelo Comprova em cada caso:

    É falso que Haddad defende incesto ou legalização da pedofilia

    São falsos boatos de que Haddad defende relações incestuosas entre pais e filhos ou a legalização da pedofilia. A informação falsa sobre o incesto foi publicada pelo escritor Olavo de Carvalho, que cita o livro de Haddad “Em defesa do socialismo: Por ocasião dos 150 anos do Manifesto”, publicado em 1998. O escritor apagou o post e depois se retratou em uma nova publicação. Memes e correntes então passaram a circular com esse boato inverídico.

    O boato sobre a pedofilia diz que Haddad apoia o projeto de lei 236/2012, que legalizaria a pedofilia. Na verdade, a proposta não diz respeito à pedofilia, muito menos com a legalização do crime, e também não tem nenhuma relação com Haddad. Veja aqui e aqui a íntegra dessas verificações.

    É falso que Bolsonaro recebeu diagnóstico de câncer

    É falso que uma reportagem da TV Record sobre o estado de saúde de Bolsonaro tenha flagrado o momento em que o médico diz que o candidato tem câncer de intestino.

    O termo “câncer de intestino” de fato é dito pelo médico Antonio Luiz Macedo, que acompanha o presidenciável, e é audível na reportagem (aos 9min31s do vídeo). Na versão sem locução, porém, fica claro que o médico fala em tom de brincadeira, em referência a um boato falso que circulou nas redes de que Bolsonaro estaria com um câncer e a facada que recebeu em Juiz de Fora (MG) teria sido uma armação para que pudesse fazer uma cirurgia sem revelar seu verdadeiro estado de saúde. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que urnas apreendidas no Amazonas estavam ‘preenchidas’ com votos para Haddad

    É falsa a informação de uma corrente de WhatsApp segundo a qual urnas apreendidas pela polícia em um carro particular no Amazonas estariam “preenchidas” com votos para Haddad, “com pelo menos 81%”.

    A Polícia Militar do Amazonas divulgou nota oficial informando que uma equipe policial abordou em 20 de outubro um veículo oficial do Tribunal Regional Eleitoral do estado, que transportava urnas para atender as eleições no município de Careiro da Várzea (AM). Segundo a polícia, não foi constatada nenhuma irregularidade e não há nenhuma dúvida sobre a lisura do processo eleitoral, mas um dos policiais presentes fotografou o carro com as urnas e divulgou a imagem “de forma equivocada” nas redes. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    Não houve fraude em urnas apreendidas no Paraná

    É falso que teria sido constatada fraude eleitoral em urnas eletrônicas apreendidas e auditadas no Paraná. O boato começou a circular ainda antes da auditoria, o que por si só já indicava que a informação era inverídica. A auditoria ocorreu em 19 de outubro, em seis urnas do Paraná, e o resultado dos técnicos indicou que não havia qualquer indício de fraude.

    A auditoria havia sido solicitada pelo PSL, partido de Bolsonaro, e determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, com base em relatos de eleitores nas redes sociais de que no primeiro turno estaria ocorrendo direcionamento automático de voto para Haddad, ausência de foto de Bolsonaro, entre outros. Além de técnicos da Justiça Eleitoral e da Polícia, a auditoria foi acompanhada por representantes do PSL, PT, PDT, Patriota, Ministério Público Federal e Ordem dos Advogados do Brasil do Paraná. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que Bolsonaro pretende mudar padroeira do Brasil

    São falsas as publicações que afirmam que Bolsonaro vai, se eleito, mudar a imagem de Nossa Senhora Aparecida e retirá-la do posto de padroeira do Brasil. Segundo o boato, seria uma forma de retribuir o apoio do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

    Uma das versões desse boato imita a aparência de uma notícia da Folha de S.Paulo, de que Bolsonaro e Edir Macedo teriam firmado um acordo sobre o tema. Trata-se de uma montagem. Outra versão diz que Bolsonaro assinou um projeto de lei que propõe trocar o termo “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado em 2008, é de autoria de um deputado do MDB, e não há qualquer indício de apoio oficial ou extraoficial de Bolsonaro ao texto. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que Amelinha Teles matou militares durante a ditadura

    É falsa a informação que a militante Amelinha Teles matou e esquartejou militares durante a ditadura. Na época militante do PCdoB, que estava na ilegalidade, ela foi acusada e condenada por “agrupamento prejudicial à segurança nacional”, envolvendo a produção de material impresso contrário ao governo militar. Mesmo no processo judicial da época, em 1973, não há qualquer menção a assassinato de militares.

    Amelinha Teles apareceu no programa eleitoral de Haddad veiculado em 16 de outubro, relatando a tortura e como seus dois filhos foram levados para vê-la após uma sessão de tortura na prisão. O programa do candidato petista associa Bolsonaro à defesa da tortura. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso vídeo de PMs do Ceará entoando gritos pró-Bolsonaro

    É falso um vídeo em que policiais militares estão entoando gritos a favor de Bolsonaro em um treinamento nas ruas de Iguatu (CE). O Comprova localizou o vídeo original, que é de 2017 e foi manipulado, com acréscimo de um áudio para dar a ideia de que os policiais estariam manifestando apoio ao candidato. A Polícia Militar do Ceará confirmou que o vídeo é falso.

    O áudio é o mesmo de um vídeo de policiais de Goiás manifestando apoio a Bolsonaro, o que é proibido por lei. A Polícia Militar de Goiás diz que afastou um instrutor da corporação e abriu investigação interna para apurar o ocorrido e tomar medidas legais. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que urna com defeito no teclado prova fraude eleitoral

    São falsos os vídeos que afirmam que a Justiça eleitoral constatou falha na tecla 7 de urnas eletrônicas no estado de São Paulo e isso comprovaria fraude no primeiro turno. Na realidade, os vídeos se remetem a uma auditoria de quatro urnas feita pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 20 de outubro, na qual foram constatadas “a integridade e a autenticidade” dos sistemas de votação.

    Em uma das urnas, a auditoria identificou defeitos aleatórios em diversas teclas, portanto não havia falha em um só botão. Conforme procedimento previsto, a urna foi substituída no dia da votação (às 9h42) e os votos já registrados foram transferidos de uma urna para a outra, sem nenhum prejuízo. A auditoria foi acompanhada por técnicos da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal, assim como por integrantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil, de partidos políticos e da missão internacional da OEA. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que quadrilha na Bahia tem relação com Haddad

    Não há evidências de que uma quadrilha que tentava sacar um cheque de R$ 68 milhões em Poções (BA) estava agindo em benefício da campanha de Haddad. Onze pessoas foram presas e estão sendo investigadas pelo crime de estelionato, mas sem relação com irregularidades eleitorais.

    É falso que a Polícia Civil tenha encontrado ligações entre a quadrilha e o petista. O Comprova contatou o Ministério Público do Estado da Bahia e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, à qual a Polícia Civil é subordinada. Todos os órgãos negaram que haja no caso indícios de crime eleitoral ou relação com a campanha do petista. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso que Haddad comemorou queda das torres gêmeas em aula na USP

    É falsa a informação de um post no Facebook segundo o qual Haddad comemorou em sala de aula a queda das torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Haddad estava de licença das funções de professor da USP (Universidade de São Paulo) entre 2 de janeiro de 2001 e 1º de janeiro de 2003 e, portanto, não estava dando aulas na universidade naquele dia. A licença se deu porque Haddad foi trabalhar na Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da cidade de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy. A nomeação de Haddad está registrada no Diário Oficial do Município.

    A autora do post diz ser ex-aluna do candidato e ter presenciado naquele dia uma celebração dele pelo atentado terrorista em Nova York. A disciplina que ela afirma que Haddad ministrava naquela época nunca foi dada pelo petista, “porque não faz parte da área de estudo dele”, segundo informou a USP ao Comprova. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

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