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As mentiras na eleição. E como se prevenir no dia da votação

Bolsonaro, PT e pesquisas eleitorais são alvos frequentes de boatos nas redes sociais durante a campanha. Veja verificações e saiba como não ser enganado

    A campanha brasileira de 2018 foi marcada pelo uso do WhatsApp como um grande canal para os eleitores decidirem o voto e se informarem sobre a política. Ou, em muitos casos, se desinformarem.

    Textos, vídeos e fotos enganosos são facilmente disseminados nas redes sociais, inclusive em aplicativos de mensagem. Em geral, são mensagens chamativas ou escandalosas que reforçam visões de mundo dos eleitores ou criam medo de que determinado candidato seja eleito.

    Algumas características para você desconfiar de que a informação é verdadeira e não ser enganado na hora de votar, neste domingo (7):

    • notícias extremamente chamativas que prejudicam algum candidato ou partido
    • não encontrar nada sobre aquela informação em fontes confiáveis, como veículos da imprensa profissional
    • notícias que não citam fontes nem o autor daquela informação

    Existem diversas iniciativas para combater a desinformação nas eleições de 2018. Entre elas está o Comprova, do qual o Nexo faz parte. O projeto reúne 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas na internet que envolvam a campanha presidencial de 2018.

    Agências como Aos Fatos, Lupa e Pública também se dedicam a verificar boatos sobre a eleição. O mesmo com o Fato ou Fake, projeto do Grupo Globo. Fora da imprensa, existe o Eleições sem fake, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

    Dúvidas sobre uma informação que você recebeu muitas vezes podem ser esclarecidas a partir de buscas rápidas em sites como o Google. Se encontrar aquela informação apenas em sites ou páginas duvidosos que têm um viés político, há boas chances de ela ser mentirosa.

    Se você recebeu algum conteúdo duvidoso sobre a eleição presidencial, pode pedir para o Comprova verificar. É só enviar uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022. Se preferir, também pode enviar o pedido via email.

    9 exemplos de boatos mentirosos da eleição

    Abaixo estão nove dos principais boatos falsos disseminados nas redes durante a campanha presidencial, com a verificação feita em cada caso pelo Comprova:

    Mentira para eleitores do PT irem votar só na segunda-feira, quando não há votação

    Uma imagem tem circulado simulando um comunicado oficial do PT. Com a imagem de Lula, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, diz que por conta de eventuais protestos no domingo da votação, dia 7 de outubro, os eleitores do PT foram convocados para votar apenas no dia seguinte, 8 de outubro, a fim de evitar confusões.

    A mensagem é falsa e pretende manipular os eleitores. A votação ocorre somente no domingo, das 8h às 17h (horário local da cidade da votação). Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    Confusão enganosa de propostas de Bolsonaro

    É enganoso um tuíte que teve grande repercussão e enumerou uma série de medidas que seriam propostas de Jair Bolsonaro. A publicação mistura planos verdadeiros com planos falsamente atribuídos ao candidato.

    Um dos enganos é falar que Bolsonaro propõe o fim do 13º salário. O vice na chapa, general da reserva Hamilton Mourão, criticou publicamente esse direito em duas ocasiões, embora tenha sido desautorizado por Bolsonaro. Outra informação falsa é dizer que ele propõe a volta da CPMF, um imposto sobre movimentação financeira extinto em 2007. Quem disse isso foi o principal economista da sua campanha, Paulo Guedes, mas foi desautorizado publicamente por Bolsonaro. O programa de governo do candidato não diz nada sobre acabar com o 13º ou restabelecer a CPMF. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    Mentiras minimizando o protesto de mulheres contra Bolsonaro

    Em 29 de setembro, ocorreram manifestações feitas por mulheres contra Jair Bolsonaro, em diferentes cidades brasileiras, do movimento #EleNão. Nas redes, circularam mentiras sobre esses protestos, contestando que eles reuniram multidões.

    No Rio de Janeiro, foi dito que na foto do ato aparecia um prédio desabado em 2012, portanto se trataria uma montagem. O edifício apontado na imagem nunca desabou, e sim outros três prédios vizinhos, que de fato não estavam na foto. Em São Paulo, foi dito que a foto da multidão seria na verdade do Carnaval de 2017, o que é mentira, como é nítido ao se comparar com as verdadeiras fotos do Carnaval de 2017 no local. Veja aqui e veja aqui a íntegra dessas duas verificações.

    Não há evidência de fraude de urnas eletrônicas

    Candidatos como Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo deram declarações públicas durante a campanha questionando a lisura das urnas eletrônicas. Eles nunca apresentaram nenhuma evidência que sustente acusações desse tipo. A tese é compartilhada por muitos posts e páginas nas redes sociais.

    Um dos boatos que circularam foi que as Forças Armadas teriam pedido perícia das urnas eletrônicas ao Tribunal Superior Eleitoral para averiguar riscos de fraude, o que de fato nunca aconteceu. Outra informação enganosa envolveu um vídeo com fiscais eleitorais procurando sem sucesso “as mídias” das urnas de uma seção eleitoral. Seria, segundo alguns usuários nas redes, uma “prova” de fraude. O vídeo na verdade foi gravado na eleição municipal de 2016, em Estrela (MG), quando o presidente da seção eleitoral colocou as mídias (conteúdo de votos) em um envelope errado e gerou uma confusão. O Ministério Público investigou posteriormente, não viu indício de irregularidades e arquivou o caso. Veja aqui e veja aqui a íntegra dessas duas verificações.

    Enquetes em redes sociais não valem como pesquisa eleitoral

    Ao longo da campanha de 2018, em diversos momentos as pesquisas eleitorais foram contestadas, embora sem apresentar evidência alguma de fraude. Segundo muitas publicações em páginas pró-Bolsonaro, os principais institutos de pesquisa estariam trapaceando e diminuindo as intenções de voto do candidato do PSL. Grupos com esse discurso fizeram enquetes online para, segundo eles, mostrar o verdadeiro potencial eleitoral de Bolsonaro. Houve posts afirmando que enquetes indicavam Bolsonaro vencendo no primeiro turno com mais de 70% ou 80% dos votos.

    Enquetes amadoras não têm nenhum valor científico para medir intenções de voto, não seguem a lei eleitoral e portanto não valem como pesquisa confiável. Setores inteiros da população brasileira podem ficar de fora das respostas, e outros setores estarem representados em excesso, já que não existe preocupação com a amostra de pessoas. Isso distorce os dados. Perfis falsos também podem votar nas enquetes. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falsa foto de agressor de Bolsonaro ao lado de Lula

    Jair Bolsonaro foi vítima de uma facada em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). O responsável pelo atentado foi Adelio Bispo de Oliveira. Depois do ataque, circularam fotos falsas em que Oliveira estaria ao lado de líderes do PT. Em uma delas, a montagem o coloca perto do ex-presidente Lula, numa multidão de apoiadores do petista. A foto original é de um ato em Curitiba, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento ao juiz Sergio Moro, em 10 de maio de 2017. Em sites e jornais que noticiaram o evento naquela ocasião, é possível ver a foto original, na qual um homem de óculos escuros está no lugar em que foi feita a montagem com o agressor de Bolsonaro. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    Livro exibido por Bolsonaro no Jornal Nacional nunca foi comprado pelo MEC

    Em sua entrevista ao vivo no Jornal Nacional, em 28 de agosto, Jair Bolsonaro mostrou um livro para as câmeras. Disse que a obra “Aparelho sexual e cia” havia sido adquirida pelo Ministério da Educação durante o governo do PT e fazia parte do que chamou de “kit gay”.

    A afirmação é falsa. O livro nunca foi comprado pelo ministério ou usado em algum programa de educação do governo federal. Em 2011, o Ministério da Cultura adquiriu 28 exemplares, destinados a bibliotecas públicas brasileiras, sem nenhuma relação com qualquer eventual uso em escolas. O livro se destina a crianças e jovens de 11 a 15 anos, não a “criancinhas a partir de 6 anos”, como diz Bolsonaro ao se referir ao “kit gay”. O material “Escola sem homofobia”, apelidado pejorativamente de “kit gay”, nem sequer foi implantado como programa educacional do governo Dilma Rousseff, após pressão parlamentar. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    Ursal foi criada como brincadeira e virou teoria conspiratória

    O assunto veio à tona no primeiro debate presidencial, na Band, em 9 de agosto, por conta de uma fala de Cabo Daciolo. O candidato disse existir um plano de a esquerda criar a Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). O tema viralizou nas redes.

    Mas esse plano não existe, a informação é falsa e tem o potencial de enganar os eleitores. A Ursal foi “criada” como brincadeira em 2001 pela socióloga Maria Lucia Victor Barbosa. O assunto passou a alimentar teorias conspiratórias, sem nenhuma evidência de que países latino-americanos almejam se unir num único Estado, de orientação socialista. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

    É falso mulher gritando ‘eu voto Lula’ em vídeo de Alckmin

    Em 23 de agosto, Geraldo Alckmin postou um vídeo de campanha num sítio, num lugar “muito seco”, sem especificar a localidade. Segundo o candidato, é o “sítio da dona Marluce”, que cria ovelhas e carneiros. Em uma versão do vídeo que começou a circular no dia seguinte, existe uma voz feminina dizendo “não, não, comigo não, eu voto é no Lula”.

    Esse áudio “vazado” é falso. A voz está com volume constante, enquanto a câmera se movimenta. Numa gravação desse tipo, o normal seria o áudio oscilar. Isso indica se tratar de uma montagem. Veja aqui a íntegra dessa verificação.

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