Foto: Adnan Abidi/Reuters

fotos esquecidas
Quantas fotos especiais estão esquecidas em nossos celulares?
 

Em 2000, a Kodak declarou que as pessoas ao redor do mundo haviam tirado 80 bilhões de fotos. Naquele ano, a fotografia digital estava começando a se tornar acessível por meio de câmeras como a Cybershot, da Sony. Quinze anos depois, se tornou incomum ver alguém tirando fotos com uma câmera digital. Com o desenvolvimento da tecnologia de fotografia dos celulares, estes aparelhos viraram as câmeras de todo mundo, sempre à mão, sempre conectados.

A facilidade proporcionou uma explosão da fotografia pessoal. Em 2017, de acordo com a empresa de pesquisas InfoTrends, cerca de 1,3 trilhão de fotos digitais serão tiradas em todo o mundo.

Isso significa que, a qualquer momento, o usuário médio terá algumas milhares de fotos em seu aparelho. Um dos dramas da vida moderna é que memórias especiais estão ali guardadas, mas muitas vezes esquecidas e de difícil acesso. Como se não bastasse, todo esse material pode facilmente ser perdido para sempre no caso de perda ou pane do celular.

Neste serviço, o Nexo traz dicas para organizar seu acervo fotográfico digital.

Comece com o descarte

O primeiro passo na organização é se livrar de fotos não desejadas no seu celular (ou computador). Elas não só não têm valor para você como estão ocupando espaço nos seus aparelhos.

Muitas dessas fotos são imagens em duplicidade ou similares, afinal agora é comum tirarmos vários registros da mesma cena. Qualquer que seja seu aparelho, iPhone ou Android, existem diversos aplicativos gratuitos que fazem uma varredura no acervo contido nele (assim como no cartão de memória SD que estiver inserido nele) e identificam fotos em duplicidade ou parecidas.

Foto: Sergei Karpukhin/Reuters

selecionar fotos
 

Depois de baixado, o software deve se conectar automaticamente à sua galeria de fotos e fazer a análise. É possível visualizar o que foi marcado e apagar individualmente ou mesmo eliminar tudo de uma só tacada.

Em um teste feito com o aplicativo Remo, disponível para iPhone e Android, em uma biblioteca de cerca de 4.500 fotos de um iPhone, foram identificadas quase 100 fotos duplicadas (sem contar as similares). Depois de apagadas apenas as duplicadas, foram conseguidos cerca de 12 megabytes de espaço de armazenamento no smartphone.

Há ainda aplicativos para Mac ou Windows que fazem esse tipo de serviço no computador. Algumas ferramentas online de armazenamento de fotos também contam com o recurso de identificação de duplicatas ou similares.

Concluído este processo, você ainda deve ficar com muitas fotos indesejadas no celular. Para deletar essas não há muita saída: o processo é manual. Entretanto, pode ser feito em lotes, pois os smartphones permitem que se selecione várias imagens simultaneamente. Outra opção facilitadora é ligar seu celular em um computador para visualizar a galeria na tela da máquina maior e, então, proceder com a seleção do que vai ser descartado.

Como ter certeza que elas foram deletadas para sempre?

No iPhone, por exemplo, não basta deletar as fotos nos álbuns, selecionando e mandando as imagens para o lixo. Para que sejam apagadas para sempre, é necessário acessar uma pasta chamada “Apagados” no aplicativo Photos. Uma vez nela, deve-se selecionar tudo e mandar para o lixo em definitivo. Nessa pasta, também é possível recuperar alguma foto em caso de arrependimento. Uma vez que as imagens forem apagadas para sempre, não há volta.

Se o seu aparelho usa o sistema Android, pode ser que o aplicativo nativo, o Google Photos, esteja habilitado para também não apagar em definitivo as imagens. Nesse caso, você deve entrar na Lixeira do aplicativo e daí optar por exterminar todas para sempre.

Se qualquer das imagens que estiver salva no seu celular tenha também uma cópia online, resultado da sincronização do aparelho com algum desses serviços, será preciso ir para o local da duplicata e apagá-la também.

Back-ups e armazenamento

Pense em uma imagem digital preciosa. Digamos, uma única foto de cinco anos atrás que registra uma reunião com amigos  que nunca mais conseguiram se reunir. Ou as fotos de uma viagem familiar que deixou boas lembranças. Ou as fotos de seus filhos bebês. São imagens importantes que devem ser bem guardadas. Do mesmo modo como se fazia com fotos reveladas em papel, que iam para álbuns bem cuidados.

Algumas coisas que podem acontecer a uma imagem digital: ser apagada por engano, ficar presa em um computador que pifou, atacada por software malicioso ou sumir para sempre dentro de um celular que caiu em um bueiro. Você já ouviu histórias assim certamente. “Perdi todas as minhas fotos”. Para essas e muitas outras situações, vale a regra de ouro da vida digital: back-up sempre.

Foto: Alessandro Bianchi/Reuters

O Papa na foto
 

O fato é que o celular não deve ser um lugar para guardar fotos, mas apenas um local transitório para suas imagens, antes que elas sejam transferidas em definitivo para outro lugar.

Quantos back-ups então são indicados? Especialistas aconselham pelo menos três, e nenhum deles no celular. “Dois não bastam se é algo importante”, aconselha o programador e especialista de tecnologia Scott Hanselman em seu blog. Para ele, esses três back-ups precisam ser de pelo menos dois formatos diferentes. Por exemplo: um no [serviço de armazenamento online] Dropbox e outro em um DVD físico; um no HD externo e outro no Google Photos; um no pendrive e outro em um CD. Ele recomenda inclusive que uma alternativa física de back-up fique fora de casa para o caso de incêndio. Parece exagero? Comece com um back-up então. A probabilidade é que você não tenha nenhum neste exato momento.

Algumas desvantagens com as opções mais baratas de armazenamento físico: CDs e DVDs são vulneráveis e têm vida útil limitada; pendrives e cartões SD são fáceis de perder se mal guardados. A alternativa mais segura é sem dúvida um HD externo. Modelos de boa qualidade e com espaço amplo de armazenamento (1 terabyte) de marcas confiáveis (Western, Seagate, Samsung) custam de R$ 200 para cima.

Rumo à nuvem

Existem muitos serviços de backup na nuvem. Alguns dos mais usados são iCloud (disponível apenas para aparelhos da Apple), Flickr, Dropbox e Google Photos. Em todos os casos, é possível configurar seu celular para salvar automaticamente uma cópia de cada foto produzida em um serviço de nuvem. É possível também, embora um pouco demorado, transferir toda sua coleção de imagens para um aplicativo de nuvem de uma vez só.

Foto: Reprodução/Flickr

Flickr pics
Álbum de fotos no Flickr
 

Todos têm limites de memória gratuita, em geral, 5 gigabytes. Duas exceções: o Flickr, que fornece 1 terabyte gratuito, e o Google, que se anuncia como “ilimitado” para fotos em tamanho “alta qualidade” (até 16 megapixels; não é a qualidade original, que costuma ser um arquivo maior) sem cobrar por isso. Os outros serviços de armazenamento costumam cobrar pela opção ilimitada. Ao armazenar suas fotos na nuvem, você pode acessar as imagens de dispositivos diferentes, além de poder compartilhar arquivos individuais e álbuns com outras pessoas pela internet.

Se, depois de criar seus back-ups na nuvem, você quiser apagar as fotos no celular para liberar espaço, atenção! Alguns aplicativos como iCloud ou Dropbox precisam estar configurados para fazer um novo arquivo da foto e não apenas uma sincronização para visualização. Caso contrário, ao se apagar a foto no celular, a foto no aplicativo será deletada também. Faça um teste com uma foto para ver se esta é a situação do serviço que você está usando. Consulte os sites de suporte do serviço que você utiliza para saber como proceder em caso de dúvida.

Dando forma ao caos

A organização de seu acervo será a parte mais trabalhosa do processo. Os aplicativos de álbuns de fotos “nativos” de celulares iPhone (Photos) ou Android (Google Photos, também disponível para iPhone) já realizam uma pré-organização automática das suas imagens, por local e data. Entretanto, para ter sua biblioteca ordenada, com as fotos que quer ver ou mostrar fáceis de serem alcançadas, o ideal é você mesmo exercer seus poderes de curador e editor.

Vale lembrar que as ferramentas do celular também armazenam fotos de aplicativos como WhatsApp e Twitter. Se você não quer essas imagens ocupando espaço no seu acervo, pode desativar a função do aplicativo que salva automaticamente a imagem no seu celular. Especialmente útil para evitar aquelas imagens desagradáveis compartilhadas em grupos de WhatsApp com antigos colegas de escola.

Além das pastas que eles criam sozinhos, esses aplicativos permitem que você faça novas pastas com o nome que desejar. Você seleciona então as fotos que quer colocar nesses álbuns “autorais”. A boa notícia é que a inteligência artificial desses aplicativos está bastante sofisticada e agora é possível buscar fotos por temas como comida, cachorros ou casa noturna, o que pode dar uma mão na hora de separar fotos. Mas cuidado, os resultados não são perfeitos. Em um teste no Photos do iPhone, por exemplo, fotos com gatos apareceram nos resultados de uma busca por cachorros.

Se você vai guardar uma cópia de seu acervo em um computador desktop, a tarefa de organização fica bem mais confortável em uma tela maior. Nesse caso, existem as ferramentas nativas para os sistemas Windows (Fotos, via botão de iniciar, ou Imagens, no Windows Explorer) e Mac (também chamada Photos), mas também existem alternativas sofisticadas para o manejo de sua coleção, como o Adobe Bridge, que tem versões para Windows ou Mac e muito usado por profissionais.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

apps
Cada celular pode conter milhares de fotos
 

Pense em estruturas de pastas para manejar o material. Uma primeira divisão básica com uma para “fotos” e outra para “vídeos” é um bom começo. Depois, pode se criar pastas para anos diferentes. Dentro dessas, pastas para eventos ou ocasiões diferentes. Alternativamente, você pode criar pastas para temas que atravessam anos diferentes, como “Viagens” ou “Projetos”. De todo modo, é uma decisão subjetiva cujo critério principal deve ser a praticidade para você se achar ali.

Colocando no papel

Em 2015, Vint Cerf, então vice-presidente do Google e um pioneiro da internet, soou o seguinte alerta: “é melhor você começar a imprimir suas fotos favoritas”. De acordo com ele, “formatos antigos de documentos que criamos ou apresentações podem não ser compatíveis com a última versão de um software porque a compatibilidade retroativa não é sempre confiável”, disse à BBC durante um encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência. Ele, obviamente, não estava falando dos próximos dez ou vinte anos, mas de um futuro muito mais na frente. Você gostaria de legar fotos a seus descendentes? Então pense nas palavras de Vint Cerf.

Mas não é preciso ir tão longe na preservação da memória. Imprimir uma seleção de fotos realmente especiais e colocá-las em um álbum proporciona uma alternativa de fruição das imagens com amigos e familiares que pode ser mais prazerosa e coletiva do que a exibição via telinha do celular.

Foto: Lee Smith/Reuters

foto de natal
 

Laboratórios de fotografia podem converter suas fotos em versões impressas. Basta levar o pendrive, CD ou, às vezes, enviar por email. Ainda mais cômodos são os serviços online como Uniko e Nice Photos em que você envia suas fotos pela internet, escolhe como quer que elas sejam impressas (com diversas opções de álbuns ou lembranças, como cartões e canecas) e depois recebe tudo pelo correio. Para os mais entusiasmados, existe ainda a opção de impressoras

Organize suas fotos físicas em álbuns de acordo com ano ou em ordem cronológica. Uma viagem ou evento especial (formatura, aniversário, Natal) também pode virar tema para um álbum. Se você tem um volume grande de fotos pode também considerar caixas com divisórias.

Agora é achar algum espaço na agenda e partir para sua grande missão fotográfica. Seus netos irão agradecer.