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Odonto USP
A decisão de fazer uma pós-graduação envolve diversas escolhas
 

“Em face do acúmulo de conhecimentos em cada ramo das ciências e da crescente especialização das técnicas, o estudante moderno somente poderá obter, ao nível da graduação, os conhecimentos básicos de sua ciência e de sua profissão”, dizia o texto do documento do Ministério da Educação que inaugurou, em 1965, a regulamentação dos cursos de pós-graduação no Brasil. Mais de cinquenta anos depois, a importância do conhecimento extra proporcionado por esse tipo de curso vem atraindo mais e mais estudantes.

Nas últimas duas décadas, cresceu o número de brasileiros ingressando em cursos de pós-graduação, que abrangem de especializações conhecidas como MBA a doutorados. De acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra Domicílios), em 2002, 385 mil pessoas declararam terem se educado até o nível do mestrado ou doutorado. Em 2015, o número era de 567 mil. É uma tendência internacional: entre 1998 e 2006 o número de doutorados nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aumentou 40%.

Ganhar um salário mais alto, seguir na vida acadêmica ou deixar uma contribuição valiosa para sua área profissional. Estes são alguns dos objetivos possíveis para quem decide seguir estudando depois de obter a graduação universitária. Neste guia básico, reunimos informações relevantes para quem está considerando dar esse passo. 

O que é a pós-graduação?

A categoria inclui qualquer modalidade de continuação dos estudos no ensino superior depois de concluída a graduação. O primeiro pré-requisito para se candidatar a um curso de pós-graduação é portanto ter o diploma universitário, que pode ser de bacharel, licenciado ou tecnólogo.

A educação de pós-graduação se divide em duas categorias principais: lato sensu e stricto sensu

Lato sensu (“sentido amplo”)

São cursos de especialização, aperfeiçoamento e atualização profissional. No final, o aluno recebe um certificado (não um diploma). Para a conclusão, o aluno precisa apresentar uma monografia ou trabalho final. A carga horária mínima exigida por lei é de 360 horas. O curso pode ser realizado à distância.

Exemplos de cursos lato sensu incluem os programas de MBA (Master of Business Administration, nome de fantasia usado no Brasil para especialização em administração), especialização em Língua Portuguesa para graduados em Letras ou residências feitas por médicos ou veterinários.

Stricto sensu (“sentido restrito”)

São cursos de aprofundamento na formação científica e acadêmica e ligados à pesquisa e inovação. Tradicionalmente, esse tipo de pós-graduação era visto como alternativa apenas para quem desejava seguir o caminho da pesquisa ou se tornar professor universitário. No mercado de trabalho, essa noção vem mudando bastante nos últimos anos.

Mestrado

Mestrado acadêmico

Seu foco principal é a pesquisa acadêmica, sendo preferido por muitos alunos que pretendem seguir na carreira docente. No final do curso, o aluno deve produzir uma dissertação ou tese a ser apresentada a uma banca de professores. Artigos podem também ser produzidos ao longo do curso e, em alguns cursos, são aceitos como trabalho final.

Mestrado profissional

Com foco no mercado de trabalho, é indicado para quem quiser aprofundar conhecimentos teóricos de uma determinada área. Este modelo veio ganhando espaço ao longo das últimas duas décadas, a partir da sua regulamentação pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) em 2009.

Doutorado

Depois do mestrado, existe a opção de avançar na educação superior por meio do doutorado. Aqui, o estudante pode se aprofundar ainda mais no conhecimento teórico e na pesquisa de sua área. De acordo com a Capes, a pesquisa produzida aqui deve ter “real contribuição para o conhecimento do tema". O nível de exigência para ingressar é bem mais alto que o do mestrado. A tese de doutorado é o trabalho de conclusão.

Embora o caminho mais comum seja fazer mestrado e depois doutorado, existe a alternativa do “doutorado direto”, para alunos sem o título de mestre. É uma possibilidade para graduados que já contam com boa experiência de trabalho ou pesquisa na área, ou quando uma pesquisa de mestrado avança tanto e estudante e orientador avaliam que ela pode virar uma tese de doutorado.

Pós-doutorado

Também conhecido como “postdoc”, abreviação da palavra em inglês “post-doctoral” ou “post-doctorate”, é uma extensão de atualização ou aperfeiçoamento do curso de doutorado sob a forma de um estágio em uma universidade ou instituição de pesquisa, muitas vezes no exterior. Muitas universidades estrangeiras consideram o pós-doutorando como um funcionário da instituição.

Por que fazer pós-graduação?

Por trás dos modelos diferentes de pós-graduação, existe o desejo comum do aprimoramento dentro da sua área de estudo ou trabalho. Uma pós enriquece o currículo e a experiência.

Nos cursos de pós-graduação stricto sensu está incorporada a noção da pesquisa inédita e da produção de novos conhecimentos. A ideia é que a universidade vá além do seu papel de transmissora do saber para se tornar também criadora.

Foto: Divulgação

UFPE de cima
Vista do campus da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
 

Para muitos estudantes de mestrado e doutorado, continuar nos estudos representa a possibilidade de trazer uma contribuição real para o acervo de conhecimento daquela área por meio  de uma dissertação ou tese bem-sucedida. Um dos documentos científicos mais célebres do século 20, “Pesquisa sobre substâncias radioativas”, da cientista Marie Curie, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1903, é uma tese de doutorado. O exemplo é extremo, mas dá uma ideia da importância que pode tomar um trabalho de pós-graduação.

Se a pesquisa for considerada relevante e/ou inovadora, ela tem boas chances de conseguir financiamento, que hoje no Brasil pode vir de uma série de instituições e fundações (mais detalhes abaixo). Em muitos casos, essa pesquisa pode ser parcial ou totalmente desenvolvida em instituições no exterior. Ela também pode acabar como livro ou fonte de matérias jornalísticas, fazendo do autor uma referência na área (o Nexo baseia muito de seus artigos em pesquisas acadêmicas e conta agora com a seção “Acadêmico”, que destaca a produção recente). A vida de pesquisador de pós-graduação pode ser em si uma carreira bem-sucedida.

Para a Capes, a pesquisa produzida no doutorado deve ter “real contribuição para o conhecimento do tema"

Um mestrado e/ou um doutorado é também essencial para quem busca ser professor universitário. Para trabalhar em faculdades privadas ter uma pós-graduação lato sensu, ou especialização, é exigência mínima; em universidades públicas, é necessário ter uma pós-graduação stricto sensu (mestrado ou doutorado) para lecionar.

Bem-visto no trabalho

Vem ganhando aceitação de alguns anos para cá, entretanto, a ideia de que a pós stricto sensu também é de grande valia no âmbito profissional fora da universidade. “O mestrado e o doutorado qualificam não só provendo novos conhecimentos, mas também desenvolvendo diferentes habilidades que fomentam ideias e ampliam as formas de atuação e abordagem frente aos desafios que se apresentam, que constituem um diferencial importante para o crescimento e inovação da sua empresa ou indústria e igualmente para a progressão na carreira”, diz a professora Eleani Maria da Costa, diretora de pós-graduação da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

“As pessoas costumam ter essa visão sobre pós-graduação/MBA e mestrado/doutorado. E em algumas áreas ainda é possível ver essa diferenciação”, pontua Fernando Gaiofatto, gerente de Marketing da Catho Educação. “Porém, há pouco tempo, os recrutadores estão vendo com bons olhos os cursos de mestrado e doutorado, principalmente os chamados de mestrados profissionais. Isso porque a formação de um aluno de mestrado é bem mais específica. algumas áreas, especialmente tecnologia, inovação e exatas, estão demandando mais profissionais com esse perfil.”

Foto: Divulgação/USP

usp pos
Aula do curso de pós-graduação da Engenharia Elétrica da USP
 

Em 2007, o então diretor de avaliação da Capes, Renato Janine Ribeiro, escreveu sobre o esforço da entidade em aumentar o número de cursos de mestrado profissional. Segundo Janine Ribeiro, “o que se pretende é imergir um pós-graduando na pesquisa, fazer que ele a conheça bem, mas não necessariamente que ele depois continue a pesquisar. O que importa é que ele (1) conheça por experiência própria o que é pesquisar, (2) saiba onde localizar, no futuro, a pesquisa que interesse a sua profissão, (3) aprenda como incluir a pesquisa existente e a futura no seu trabalho profissional.”

Já as especializações da categoria lato sensu tem como alvo primordial o aprimoramento para o mercado de trabalho. É uma qualificação mais comum nos currículos, de acordo com dados do site de empregos Catho. Pesquisa de 2016 da empresa mostra que 10,8% dos profissionais conta com “pós-graduação, especialização ou MBA”, em comparação com apenas 2,1% que tem mestrado ou doutorado.

Um estudo de 2014 da consultoria de carreiras Produtive, entretanto, revelou que em nível executivo a especialização MBA nem pode ser vista mais como diferencial: 68% dos entrevistados contavam com pelo menos uma pós-graduação desse tipo. Para especialistas, o MBA é mais indicado para quem está no nível gerencial, pois esse tipo de curso é direcionado à gestão.

É muito comum também a procura pela especialização como forma de se valorizar dentro do emprego atual. “É uma opção para profissionais que estão querendo se atualizar dentro do seu campo de atuação”, diz a professora Patrícia Mergulhão, coordenadora dos cursos Lato Sensu da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) ao Nexo. “Em geral, são cursos muito voltados para o mercado e que lidam com a realidade das empresas”.

A média salarial de quem tem uma pós-graduação debaixo do braço melhorou mais do que aqueles que têm apenas a graduação. De acordo com uma pesquisa da consultoria Produtive realizada entre 2014 e 2015, enquanto graduados viram seu ganho médio aumentar 4,6%, aqueles com uma qualificação de pós lato sensu conseguiram reajustes médios de 12,4%. Quando se trata de mestrado ou doutorado, o aumento foi de 21,4%.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fiocruz
Exposição produzida com materiais de estudantes de pós de medicina tropical do Instituto Oswaldo Cruz
 

Além dessas vantagens, existe também o benefício do “networking” trazido pela convivência e intercâmbio com estudantes mais qualificados e profissionais da mesma área em um curso de pós-graduação.

Ainda assim, cuidado para não encarar a pós-graduação como panaceia para uma vida profissional mais bem-sucedida. “A pós-graduação precisa atender a um objetivo específico de carreira, como trazer uma determinada competência que está fazendo falta para você neste momento”, alerta Carlos Felicíssimo, sócio da consultoria Group4, em entrevista à revista Exame. “A qualificação não necessariamente vai melhorar as suas chances e, se for mal-escolhida, pode ser um mero desperdício de tempo e dinheiro”,

Como escolher o curso?

Depois de definir qual o tipo de pós-graduação que melhor atende seus objetivos, é preciso optar por uma instituição. Com a valorização da continuação da educação superior pela sociedade e pelo mercado, ampliou-se a oferta de cursos de pós e nem tudo que está à disposição pode ter a qualidade que você procura.

Se a sua opção é pelo mestrado ou doutorado, é fundamental consultar a lista de cursos recomendados pela Capes. A instituição federal avalia anualmente os cursos de todo o país. Aqueles com nota igual ou superior a 3 (com 5 como nota máxima para mestrados e 7 para doutorados) são então recomendados para reconhecimento pelo CNE/MEC (Conselho Nacional de Educação, do Ministério da Educação). Somente os cursos reconhecidos pelo CNE/MEC têm permissão para expedir diplomas de mestrado e/ou doutorado com validade no Brasil. Além da checagem da validade do curso, a plataforma online da Capes fornece informações que vão desde endereço e telefone da instituição às áreas específicas cobertas pelo curso.

“O mestrado e o doutorado qualificam não só provendo novos conhecimentos, mas também desenvolvendo diferentes habilidades”

Eleani Maria da Costa

Dretora de pós-graduação da PUC-RS

Cursos de especialização lato sensu não dependem de autorização ou reconhecimento do MEC para existir. É essencial, por isso, averiguar as credenciais da instituição que os oferece, em especial no caso de MBA, sigla que se banalizou na praça e aparece usada muitas vezes de modo indevido. O MEC tem uma ferramenta que traz informações sobre instituições de educação superior credenciadas e os cursos superiores autorizados. Ela nem sempre funciona bem. Nesses casos, pode-se fazer uma busca no Google com o nome da instituição e a sigla MEC para checar seu status legal.

De acordo com a página do site do MEC que trata do tema, “cursos de especialização somente podem ser oferecidos por instituições de ensino superior já credenciadas, que poderão oferecer cursos de especialização na área em que possuem competência, experiência e capacidade instalada”. O texto do MEC ressalva que a instituição precisa ser a responsável direta pelo curso, não valendo situações onde o curso é “aprovado por tal universidade”. “Não existe possibilidade de ‘terceirização’ da sua responsabilidade e competência acadêmica”, diz o MEC.

Ainda segundo o ministério, o corpo docente desse tipo de curso deve conter pelo menos 50% de professores com título de mestre ou doutor, diplomados em programa de pós-graduação stricto sensu oficialmente reconhecido. Os outros professores devem contar com pelo menos formação em nível de especialização.

Embora seja o caminho mais comum, não é obrigatório fazer sua pós-graduação na mesma instituição nem na mesma área em que você fez a graduação. Ou seja, o candidato com graduação em qualquer curso pode optar pela especialização, mestrado ou doutorado de qualquer faculdade. Uma tendência dos últimos anos são cursos de mestrado profissional multidisciplinares, que misturam áreas como gestão e ciência ou tecnologia e design. Não esqueça também que você pode olhar para fora do Brasil na hora de optar por uma instituição. Sites como o Estudar Fora publicam oportunidades de bolsas e cursos no exterior.

Foto: StockSnap/pixabay.com

Biblioteca
Prepare-se para ler muito na pós-graduação

Conforme a categoria de curso de pós-graduação, aumenta a dificuldade de ingresso. Os critérios de seleção variam bastante, mesmo dentro das categorias. Para alguns cursos de especialização, basta ter o diploma de ensino superior e a disponibilidade da vaga. Outros podem ser mais exigentes. “Alguns fazem uma prova escrita, outros fazem entrevista, alguns cursos são análise do currículo, isso varia de curso para curso, eles têm liberdade para definir como será o processo seletivo”, pontua a professora Patrícia Mergulhão, coordenadora dos cursos Lato Sensu da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Barreira alta

Concorrer a uma vaga de mestrado ou doutorado demanda bem mais. Os chamamentos para esse tipo de curso ocorrem sob a forma de editais publicados pelas instituições, e as exigências variam conforme o local.

Em geral, candidatos a mestrado precisam fazer uma prova escrita em que o candidato terá avaliada a sua capacidade de análise e conhecimento da área, a partir de bibliografia indicada no edital. A proficiência em uma língua estrangeira, em geral inglês, também será julgada nessa fase inicial. Depois vêm entrevista pessoal e avaliação de currículo. De candidatos a doutorado, será avaliada a proficiência em duas línguas estrangeiras.

A proposta de pesquisa é a peça central de uma candidatura bem-sucedida. No caso do doutorado, ela deve ser mais aprofundada e contemplar a inovação dentro da área.

“Há de se ter em mente que projetos de pesquisa de mestrado e doutorado se diferenciam principalmente quanto ao escopo”, diz ao Nexo a professora Eleani Maria da Costa, diretora de pós-graduação da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). “O escopo do projeto de mestrado em geral é mais limitado porque tem que ser desenvolvido em geral em 24 meses, enquanto o de doutorado é mais amplo e visa dar uma contribuição significativa e inovadora para a área de conhecimento, contemplando um prazo de desenvolvimento maior (48 meses normalmente)”.

De acordo com a docente da PUC-RS, é recomendável seguir os critérios de avaliação fornecidos pelo programa de pós da instituição que lhe interessa na hora de estruturar e elaborar o projeto de pesquisa. Em geral, um projeto de pesquisa contém introdução, justificativa, objetivos, materiais e métodos, cronograma e referências bibliográficas (com publicações clássicas e recentes). “O cuidado com a linguagem é fundamental, deixe claro os pontos principais, fazendo primeiro uma abordagem mais geral antes de entrar em muitos detalhes. Pedir para algum amigo ler pode ajudar na identificação de problemas e partes a melhorar”, indica a professora Eleani Maria da Costa.

Foto: Ascom/PUCRS

Prédio da PUC-RS
Ingressar no mestrado e doutorado demanda mais que a especialização
 

E, evidentemente, a pesquisa precisa ser inédita. Isso significa que o tema de pesquisa merece também sua própria pesquisa. O Banco de Teses e Dissertações, ferramenta da Capes, permite consultar o que já foi publicado na academia sobre o tema que você tem interesse. Mais específico, o banco de teses da USP cumpre o mesmo papel dentro da universidade paulista. Outras universidades pelo Brasil contam com seu próprio mecanismo de busca.

Se oriente

Para definir e detalhar a pesquisa, é importante contar com a ajuda de um orientador, personagem que será fundamental na vida do mestrando ou doutorando. “Ele é o pesquisador da instituição a quem a pesquisa do orientando deverá estar vinculada. Em algumas instituições de ensino não precisa ter uma vinculação direta, mas em outras sim, de qualquer maneira há que ter uma consonância entre as pesquisas do orientando e orientador”, explica ao Nexo a professora Helena Ayoub, da pós-graduação da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo).

O orientador muitas vezes é um professor com quem o candidato já criou um vínculo ou conhece da graduação. Se este não for o caso, pode-se saber sobre o professor assistindo suas aulas como aluno especial (isto é, não matriculado no programa) e consultando seu currículo de pesquisador na plataforma Lattes, banco de dados online mantido pelo CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa). Vale também checar a quantidade de orientandos que aquele professor já tem e conversar com outros alunos.

Cursos de especialização têm menor carga horária e necessidade de dedicação. Normalmente, podem ser conciliados com um emprego. Já mestrado e doutorado pedem um envolvimento bem maior, quando não a exclusividade. Tentar uma linha de financiamento ou bolsa para esse tipo de pós-graduação é uma prática muito comum, que acaba se tornando o “emprego” de muitos estudantes.

Bolsas e financiamento

A Capes é a principal financiadora de pesquisas desenvolvidas em cursos stricto sensu do país. Em 2016, a entidade aprovou um total de 100.385 bolsas no país, sendo 50.273 de mestrado, 43.045 de doutorado e 7.067 de pós-doutorado. Outros grandes provedores de financiamento são o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e as fundações estaduais de amparo à pesquisa, como a Fapesp, em São Paulo, ou a Funcap, do Ceará. Capes e CNPq oferecem R$ 1.500 como remuneração mensal para alunos de mestrado, R$ 2.200 para doutorado e R$ 4.100 para pós-doutorado. As fundações estaduais geralmente se baseiam nesses valores para suas bolsas.

Existe também a opção de conseguir uma bolsa no próprio programa de pós-graduação, por meio de um processo de seleção interna da instituição. Entidades privadas, como a FullBright Brasil, Fundação Lemann e Instituto Ling, constituem outra alternativa, em especial para pós-graduação em universidades fora do país.

“Há que ter uma consonância entre as pesquisas do orientando e orientador”

Helena Ayoub

Professora da pós-graduação da FAU-USP

O interessado deve procurar os sites das instituições em busca de informações sobre os editais de financiamento. “A consistência e coerência do plano de pesquisa e, principalmente, a viabilidade de sua execução no prazo previsto para a conclusão da dissertação ou tese” estão entre os itens avaliados, lembra a professora Ayoub, da FAU.

Além disso, aspectos como interesse do tema, relevância social e contribuição para a linha de pesquisa à qual se associa também serão examinados. O candidato também deverá demonstrar fundamentação teórica, justificativa, capacidade argumentativa e apresentar a formulação dos objetivos e procedimentos metodológicos.

É preciso planejar

Decidir pelo caminho da pós-graduação demanda reflexão e planejamento. No caso das especializações lato sensu, o tempo exigido trará impacto para a rotina do estudante, mas são mais fáceis de incorporar no caso de quem já trabalha ou tem família. Os horários dos cursos são mais flexíveis e o estudo exigido fora do horário de aula é menor. Os custos, por outro lado, podem ser altos, no caso de instituições particulares.

Já os programas de stricto sensu pedem outro nível de envolvimento, muitas vezes até dedicação exclusiva. Para a professora Ayoub, da FAU, o tempo necessário de estudos fora das aulas em cursos de mestrado e doutorado depende da pessoa, mas dificilmente será menos que quatro horas por dia. Conforme se aproxima a data de entrega do trabalho de conclusão, muitos candidatos ficam mergulhados na tarefa, sem tempo para mais nada. Para quem tem obrigações familiares, é preciso avaliar se esse envolvimento funciona junto das outras demandas do dia a dia.

Ter em mente o tamanho da entrega evita que o curso precise ser abandonado mais para a frente, jogando fora tempo e dinheiro. O valor de bolsas concedidas por órgãos como a Capes ou CNPq precisa ser ressarcido às entidades caso o beneficiário não conclua o curso para o qual recebeu o benefício.