A área cultural paralisada e sob reinvenção

Ao longo de dezembro, o ‘Nexo’ destaca 20 características do nosso tempo que foram escancaradas em 2020. Neste capítulo, mostra como a crise agravou a situação de um setor que já passava por dificuldades

Estamos com acesso livre temporariamente em todos os conteúdos como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos de assinatura. Assine o Nexo.

    Mudanças no comando da área de cultura no governo, a paralisação da agência federal que fomenta a produção de filmes, uma atitude movida pela guerra culturalincensada pela extrema direita. Já presente em anos anteriores, a instabilidade da produção cultural brasileira foi agravada pela situação imposta por 2020.

    Em todo o mundo, salas de espetáculos, teatros, museus, cinemas e outros estabelecimentos foram fechados para evitar o contágio do novo coronavírus. O setor cultural foi o primeiro a parar de trabalhar por causa da pandemia, e a expectativa é de que seja o último a voltar.

    Três nomes passaram pela Secretaria Especial de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, num troca-troca que teve início com a exoneração de Roberto Alvim após um discurso com referências nazistas. O cargo recebeu os atores Regina Duarte, que ficou dois meses e meio na função, e Mário Frias. Apesar do vaivém, foi a inação que marcou a gestão do governo federal na cultura, num ano em que o setor foi um dos mais atingidos pela crise. Metade dos agentes culturais no Brasil perderam a totalidade de suas receitas.

    Artistas e instituições buscaram financiamentos alternativos e tiveram que reinventar os espaços culturais. Lives de música e de teatro se transformaram em grandes eventos patrocinados, com milhares de espectadores e arrecadação beneficente. A cantora Marília Mendonça quebrou o recorde mundial em abril, quando 3,2 milhões de pessoas assistiram simultaneamente ao seu show.

    Foi também o ano dos festivais de cinema e de literatura em formato online, dos acervos digitalizados de museus e da ressurreição dos cinemas drive-in.

    A inércia da Secretaria Especial da Cultura fez com que deputados da oposição apresentassem projeto de socorro à classe. Em junho, três meses após a paralisação completa, o Senado aprovou a Lei Aldir Blanc, que destinou R$ 3 bilhões para acudir o setor cultural. Os recursos ainda estão sendo liberados.

    Abaixo, o Nexo lista cinco conteúdos publicados em 2020 que ajudam a revisitar e entender o assunto.

    Cultura oficial: das citações nazistas à ditadura minimizada

    Regina Duarte, responsável pela área no governo, repete Bolsonaro e relativiza torturas do regime militar. Antecessor caiu após fazer referências a Goebbels.

    Leia na íntegra

    O impacto do coronavírus na cultura. E o papel dos governos

    Prejuízo para indústria com cancelamento de shows e adiamento de estreias de cinema poderá ser milionário. Países anunciam medidas para mitigar efeitos da pandemia no setor.

    Leia na íntegra

    O estrago da pandemia para os agentes culturais brasileiros

    Pesquisa realizada entre junho e setembro em 472 municípios mostra a percepção sobre a queda econômica do segmento.

    Leia na íntegra

    Seria o fim do cinema de rua no brasil?

    Em meio à pandemia, salas de projeção sofrem com queda de faturamento e fecham para conter prejuízos, mostra reportagem da revista 'Gama'.

    Leia na íntegra

    O que países propõem para retomar eventos culturais

    Nações europeias colocam shows, baladas, cinemas e exposições no fim da fila da reabertura. Coreia do Sul teve de retroceder após surto de casos ligado a casas noturnas.

    Leia na íntegra

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.