O anticientificismo explícito como estratégia de governo

Ao longo do mês de dezembro, o ‘Nexo’ destaca 20 características do nosso tempo que foram escancaradas em 2020. Neste capítulo, mostra como o negacionismo apareceu na pandemia

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

De grupos que ignoram evidências para se opor a vacinas à crença infundada de que a Terra seria plana, movimentos que negam a ciência ganharam espaço no debate público ao longo da década de 2010. A chegada da pandemia explicitou como esse discurso pode ser instrumentalizado por políticos.

Com uma crise sanitária sem precedentes pressionando a economia, alguns líderes mundiais — no geral eleitos na ascensão de uma extrema direita conhecida por atacar o conhecimento científico e universidades — adotaram como estratégia negar a gravidade do novo coronavírus.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump chegou a dizer que a crise simplesmente desapareceriaem algum momento. No Brasil, a gestão do presidente Jair Bolsonaro, admirador de Trump, foi ditada pelo negacionismo e pelo anticientificismo: ele se referiu à covid como “gripezinha” e chamou a preocupação com o vírus de histeria. Os dois países terminam 2020 com os dois maiores números de mortes pela doença no mundo.

O governo federal brasileiro atuou para sabotar medidas de distanciamento e isolamento social adotadas por estados e municípios, consideradas a melhor maneira de barrar a doença na ausência de remédios e vacinas. Dois médicos que comandavam o Ministério da Saúde foram substituídos, e a pasta passou a ter a sua frente um general que admitiu em entrevista não saber o que era o SUS (Sistema Único de Saúde).

Atenção tardia para um serviço público que se mostrou essencial na pandemia e é cada vez mais valorizado pela população – a confiança dos brasileiros no SUS teve crescimento recorde em 2020, enquanto caiu a depositada no presidente da República.

Até dezembro, Bolsonaro ainda tinha como principal bandeira a aposta na hidroxicloroquina, um remédio para malária que estudos mostraram não ter efeitos contra o coronavírus. Também dava declarações desincentivando a vacinação, num contexto em que grupos antivacina aumentam sua atuação e mais brasileiros declaram não ter intenção de se imunizar contra a covid-19.

Abaixo, o Nexo lista cinco conteúdos publicados em 2020 que ajudam a revisitar e entender o assunto.

O cálculo de uma tragédia: sem ciência na gestão

O Brasil atingiu a marca de 100 mil mortos pelo novo coronavírus em 8 de agosto de 2020. Publicada semanalmente, esta série do ‘Nexo’ em cinco capítulos aborda os aspectos sanitários, econômicos, políticos e sociais de um tempo que mistura cálculo e incerteza.

Leia na íntegra

Sem remédios básicos para UTI, com cloroquina de sobra

Órgãos de controle apontam baixa execução orçamentária e decisões desencontradas de um Ministério da Saúde que está sem titular.

Leia na íntegra

A responsabilização de Bolsonaro na pandemia sob análise

Ao ‘Nexo’, professores de direito e ciência política falam sobre as possíveis consequências eleitorais e jurídicas das ações e omissões do presidente da República durante a crise sanitária.

Leia na íntegra

Como a cloroquina mostra o que há de ciência na prática médica

Debate sobre uso de medicamento sem eficácia contra a covid-19 opõe entidades que representam profissionais. Faculdades cogitam fortalecer ensino sobre evidências científicas.

Leia na íntegra

O que é o ceticismo científico. E por que ele é necessário

Carl Sagan cunhou termo nos anos 1980 para defender uma atitude crítica. É algo muito diferente do negacionismo, que cresce na pandemia do novo coronavírus.

Leia na íntegra

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.