A incerteza como regra num mundo com o futuro mais nebuloso

Ao longo de dezembro, o ‘Nexo’ destaca 20 características do nosso tempo que foram escancaradas em 2020. Neste capítulo, mostra como o ano explicitou as dificuldades de se planejar para o que virá

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A viagem adiada, o emprego sob risco, o negócio próprio sem receita, a escola sob dúvida, a possibilidade de trazer um vírus para casa cada vez que se vai ao supermercado. São situações da pandemia do novo coronavírus que criaram uma rotina formada por incertezas.

A incerteza já era um fator definidor da década de 2010 – uma sensação alimentada por dificuldades econômicas, divisões políticas, aceleração tecnológica e problemas ambientais. Intensificou-se a ausência de fixidez nos diversos aspectos da vida, algo que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman definiu como sendo a marca de um “mundo líquido. Até a tradicional âncora dos fatos e da verdade se soltou, à medida que a desinformação ganhou terreno.

Na crise sanitária, o futuro ficou em aberto. Tradicionais pilares de certeza, como governos, médicos e cientistas, tentam entender o que acontece quase ao mesmo tempo em que a população.

Setores econômicos e sociais ficaram à mercê da sorte. Cinco milhões de postos de trabalho foram embora entre o fim de janeiro e o fim de abril no Brasil. Quase metade dos trabalhadores da cultura perdeu 100% da sua receita entre maio e julho no país. Cerca de 38 milhões de brasileiros, os chamados “invisíveis”, terão que enfrentar um futuro incerto quando o auxílio emergencial for interrompido.

O tempo nos pregou peças, parecendo ora arrastado, ora rápido demais. A antropóloga americana Jane Guyer caracterizou nossa vivência de tempo durante a crise sanitária de “presentismo forçado”: a sensação de estar preso no presente, combinada com a incapacidade de planejar o futuro.

Abaixo, o Nexo lista cinco conteúdos publicados em 2020 que ajudam a revisitar e entender o assunto.

‘Mortes silenciosas aumentam a sensação de vulnerabilidade’

Pesquisadora na Fiocruz especializada em saúde mental em desastres e emergências, Débora Noal fala ao ‘Nexo’ sobre o impacto coletivo dos 100 mil óbitos pela covid-19 no país.

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‘Na pandemia, não existe o ideal, mas existe o possível’

A psicóloga Denise Pará Diniz fala ao ‘Nexo’ sobre a necessidade de buscar sentido em meio à crise, e como o estresse pode despertar o melhor e o pior de cada um.

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Previsões para um futuro incerto

A revista ‘Gama’ conversou com especialistas na ciência, na ficção e na pesquisa de tendências sobre a incerteza e o futuro.

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Qual o papel do pessimismo na pandemia

Maria Julia Kovacs, livre docente do Departamento de Psicologia da USP, fala ao ‘Nexo’ sobre os benefícios e os riscos de um olhar negativo sobre a crise.

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Tá ansioso, né?

Cinco conteúdos da revista ‘Gama’ que trazem pensamentos e pensamentos sobre como lidar com a preocupação gerada pelo medo, pelo novo e pela incerteza.

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