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No país do futebol, as mulheres jogam com menos: falta salário, público e estrutura

No país do futebol, as mulheres jogam com menos: falta salário, público e estrutura

O Brasil tem jogadoras talentosas, mas o cenário do futebol feminino é muito diferente do masculino. As atletas sofrem com baixos salários, desinteresse de marcas em investir na modalidade, nenhuma estrutura das equipes de base e falta de profissionalização da categoria

    O movimento do apito do árbitro principal aconteceu pontualmente às 16 horas, indicando o início da partida e do campeonato, em Salvador, no Estádio Manoel Barradas. De um lado do campo, o atual campeão do Brasileirão de 2016, o Flamengo. Do outro, o time da casa, o Vitória. O jogo, que só contou com gols no segundo tempo, teve cinco cartões amarelos e seis substituições, nada fora do comum. O time rubro-negro, mesmo com a clara superioridade técnica, só firmou o favoritismo sobre o Vitória no segundo tempo. Fim da partida, Flamengo 3, Vitória 0. Com a vitória, as jogadoras da equipe carioca comemoraram os três primeiros pontos na tabela na primeira rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, iniciada em 11 de março de 2017.

    Na descrição, jogos masculinos e femininos se parecem bastante. A realidade, porém, é mais complexa e revela um cenário com disparidades não só dos baixos salários das atletas em relação aos jogadores homens, mas do interesse de marcas em investir na modalidade. Somam-se a isso a falta de estrutura das equipes de base e de profissionalização da categoria.

    Sem público, sem TV, sem dinheiro

    O público da primeira partida do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino deste ano foi pequeno. Ao todo, 420 ingressos foram vendidos, rendendo um prejuízo de R$ 5.300. Para se ter ideia, em 2016, o Brasileirão masculino teve uma média de 15.293 espectadores pagantes por partida. Mas, no futebol feminino, eventos vazios e pouco interesse do público são fatos corriqueiros.

    Em 2017, o campeonato das mulheres não terá todos os seus jogos transmitidos. A SporTV, um canal fechado do Grupo Globo, comprou o direito de 10 partidas do total de 140 do campeonato. O canal Band Sport também pagou pela transmissão de 15 jogos, mas os exibe dois dias depois da SporTV, assim como a TV Brasil, que também pagou por 15 jogos do Brasileirão feminino. A logística foi negociada pelos canais com a Sport Promotion. Realidade bem diferente do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino, que pertence ao Grupo Globo, único à frente dos direitos e que transmite todos os 380 jogos do campeonato dos homens.

    A Rede Globo gasta R$ 1,3 bilhão com o Brasileirão masculino todo ano. Em 2017, por exemplo, os anunciantes - Banco Itaú, Brahma, Chevrolet, Johnson & Johnson, Ricardo Eletro e Vivo - desembolsaram cada um R$ 283 milhões para veicular suas marcas nos estádios e durante as transmissões na TV.

    O baixo interesse das emissoras de televisão na compra dos direitos de imagem dos jogos e o número de patrocínios dos times femininos contribuem para a dificuldade de expansão do futebol feminino no país. Neste ano, os direitos do Brasileirão feminino são da Sport Promotion, que os negociou e comprou diretamente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). A Sport Promotion, empresa que trabalha com marketing esportivo, é a responsável por revender os direitos de imagens para as emissoras de TV e, também, por organizar, junto com a CBF, o Campeonato Brasileiro Feminino como um todo, da escolha dos estádios à remuneração pela arbitragem.

    Em entrevista ao Nexo, Alfredo Carvalho, diretor comercial da Sport Promotion, confirma que apesar da modalidade feminina vir se desenvolvendo nos últimos anos, ainda falta interesse das emissoras abertas e das marcas na modalidade. De acordo com ele, para as marcas investirem em uma modalidade, elas se baseiam em três premissas: preço, prazo e audiência, mas ainda que, segundo ele, o campeonato feminino possa garantir essa tríade, os anunciantes não vêm dessa forma.

    “Eu bato na porta dos clientes, sento com quem decide e explico: ‘olha, eu tenho audiência [de TV], prazo e preço’. E a resposta que recebo é sempre a mesma. Que eles não querem e não gostam [da modalidade]”

    Alfredo Carvalho

    diretor comercial da Sport Promotion

    A falta de interesse por marcas e emissoras não é restrita ao Brasileirão feminino. Tradicionalmente, acontece desde 2009 no mês de dezembro o Torneio Internacional de Futebol Feminino Caixa, também organizado pela Sport Promotion e CBF, e que conta com a seleção brasileira feminina e outras três seleções convidadas. O torneio passa pelo mesmo desinteresse das marcas e da audiência de TV que o Campeonato Brasileiro. Carvalho lembra que em 2015, por exemplo, na época do torneio, chegou a bater na porta de marcas parceiras da CBF, como a Brahma, Gatorade e Vivo, mas nenhuma demonstrou interesse em apoiar ou anunciar no torneio.

    A Caixa Econômica Federal é atualmente a principal parceira da Sport Promotion e a única patrocinadora do Brasileirão feminino, desembolsando, anualmente, R$ 10 milhões. Dinheiro que, de acordo com Carvalho, é insuficiente para custear todas as despesas da competição.

    O Brasileirão feminino teve sua primeira edição em 2013, enquanto o Campeonato Brasileiro masculino data de 1971. Além do Brasileirão feminino séries A1 e A2, a Sport Promotion também detém os direitos dos jogos do Brasileirão masculino séries B, C e D.

    Emissoras que compram os direitos da Sport Promotion

     

    Sem campeonato

    No início de 2017, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), divulgou uma decisão que afetará as futuras equipes de futebol masculina e feminina. A partir de 2019, todas as equipes brasileiras masculinas serão obrigadas a ter uma equipe feminina ou poderão ser impedidas de participar da Copa Sul-Americana e da Libertadores.

    A decisão faz parte do programa de licenciamento de clubes da CBF que também exige que cada equipe de futebol feminino tenha uma estrutura consolidada e uma equipe juvenil de base em formação. Hoje, dos 20 clubes masculinos que participam do Brasileirão 2017, apenas sete têm equipes femininas.

    A medida, porém, não é consenso entre os interessados no futebol feminino. Entre as críticas, a constatação de que faltam campeonatos para as equipes femininas jogarem. Atualmente, as mulheres que jogam profissionalmente no Brasil contam com o Brasileirão e, a depender do Estado, campeonatos estaduais, já que a partir de 2017 a Copa do Brasil na modalidade feminina foi cancelada pela CBF.

    “Para [a decisão] ser obrigatória, a CBF também precisa fazer o papel dela. Nós precisamos de mais campeonatos. Hoje o futebol feminino tem apenas o Brasileirão. Os clubes serão montados para competir só isso?”, questiona a ex-jogadora da seleção brasileira Juliana Cabral em entrevista ao Nexo.

    O coordenador de futebol feminino da CBF também diz que não há diferença em relação à responsabilidade da confederação com as modalidades femininas e masculinas no Brasil. “A CBF apoia federações, cobra que façam os campeonatos, ajuda no que é possível, eliminando taxas de arbitragem e paga eventuais campeonatos. Ela tenta fazer a parte dela”.

    Juliana Cabral, que jogou a Olimpíada de Atlanta em 1996  e fez parte da histórica seleção que alcançou o até então inédito quarto lugar na competição, relembra com saudosismo o tempo que jogava na seleção. Para ela, a modalidade vem se desenvolvendo, mas com perdas, como o cancelamento da Copa do Brasil pela CBF: “Precisamos entender que a modalidade ainda está em evolução. No futebol feminino para ganhar alguma coisa a gente precisa perder algo, é triste.”

    Para Cabral, um bom exemplo a ser seguido são os campeonatos do exterior, como a Uefa (Union of European Football Associations, em inglês), que desde 2010 tem incentivado a modalidade feminina e trazido mais mulheres para os cargos de gestão do futebol.

    “A mulher foi proibida por 38 anos de jogar dentro do país, é óbvio que ela vai ter um atraso gigantesco em relação à técnica e ao desenvolvimento do jogo dentro do país. Agora, a maioria das pessoas não entende isso, costumam falar que mulher não sabe jogar e que o jogo é chato”

    Juliana Cabral

    ex-jogadora da seleção brasileira em entrevista ao Nexo

    Falta campeonato, mas também faltam clubes. No Brasileirão feminino de 2017, das 16 equipes que disputam o campeonato na série A1, sete delas são do estado de São Paulo. As equipes que jogam na série A2 estão mais dispersas, com clubes de Alagoas ou Mato Grosso, por exemplo.

    No Brasileirão masculino, um número maior de equipes participa da competição. Ao todo, são 128 times nas séries A, B, C e D. Da mesma forma que o feminino, entre os times masculinos há maior concentração de equipes na região Sudeste.

    ORIGEM DOS TIMES DAS SÉRIES A1 E A2 DO BRASILEIRÃO FEMININO

     

    Em entrevista ao Nexo, Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF questionou: “o que você quer que eu faça? A CBF estimula todas as federações a fazerem seus campeonatos. Agora obviamente as regiões mais distantes, que mal têm um campeonato masculino, é difícil que tenham um campeonato feminino bom. Acre e Rondônia, são exemplos disso, não posso obrigar os caras a fazer o que eles não têm”.

    Sem profissionais

    O caso da meia da equipe paulistana Juventus FC Beatriz Okidoi mostra que o cenário do futebol feminino não parece ter perspectivas melhores no curto prazo. As categorias de base no Brasil também não vêm recebendo a devida atenção das marcas e da CBF. Okidoi divide o tempo entre os treinos e a faculdade de administração, uma aposta no futuro caso o futebol não dê certo. Seu pai, Marcelo Okidoi, diretor não remunerado do Juventus, é objetivo quanto ao futuro das jogadoras da equipe: “A gente tem que ser realista, infelizmente a maioria delas não vai virar [jogadoras profissionais]”, disse para a ESPN.

    A equipe disputa o Campeonato Paulista de Futebol Feminino, mas por falta de recursos não consegue profissionalizar suas jogadoras. De todo o time de futebol feminino do Juventus, apenas o técnico recebe algum salário, por ser funcionário do clube.

    As jogadoras, com idade entre 17 e 22 anos, não possuem nenhum vínculo empregatício com o Juventus e não recebem salário, apenas uma ajuda de custo com o transporte e alimentação (entre R$ 200 e R$ 250 por mês). Parte delas, também pela falta de profissionalização no clube, joga em uma segunda equipe. Algumas ainda trabalham ou cursam uma faculdade quando não estão treinando.

    Em outras equipes de base, mesmo aquelas que conseguem alcançar um posto em um time de base, o fazem por paixão, sem salário. Segundo dados do Ministério do Esporte, enquanto os meninos começam a jogar entre os 5 e 10 anos de idade, as meninas começam só após os 11, o que pode dificultar o desenvolvimento esportivo delas.

    Aline Pellegrino, que coordena o Departamento de Integração de Atletas na Federação Paulista de Futebol desde 2016 tem buscado repensar campeonatos de base em São Paulo. Ela, que já jogou na seleção brasileira na Olimpíada de 2004, acredita que a profissionalização da categoria é um ponto-chave. “Muito se esbarra no futebol feminino nesta questão. É profissional ou é amador? A minha vida inteira eu briguei, tem que ser profissional. E ser profissional hoje, única e exclusivamente pela legislação é tendo uma assinatura na carteira de trabalho. Que é o que acontece hoje com as jogadoras do Santos.” disse ela para a UOL.

    Pellegrino, que organiza o Campeonato Paulista Feminino profissional e sub-17, mesmo acreditando na profissionalização das mulheres, também entende que a questão é complexa e de que talvez não seja o melhor caminho a curto prazo para a modalidade. “Dos 14 clubes que estão aqui [Campeonato Paulista], se a gente tentar fazer para o ano que vem o futebol feminino da Federação Paulista todos os clubes profissionais, assinando carteira de trabalho, a gente não vai ter, talvez, três times para jogar”.

    Sem incentivo

    O Campeonato Paulista de Futebol Feminino teve início no dia 12 de maio de 2017 e, assim como Brasileirão, sofre com a falta de interesse de marcas e público. Os jogos do campeonato não serão televisionados, mas é possível acompanhá-los no site da Federação Paulista de Futebol, a FPF TV, como aconteceu no campeonato do ano passado.

    Entre as críticas à CBF, a falta de incentivo em campeonatos de base e a falta de fiscalização com as equipes para a profissionalização da categoria estão entre elas. “Estamos falando com o governo para fazer campeonatos escolares, mas nessa idade as meninas estão na escola e você não pode ter um campeonato longo que interfira na atividade escolar”, disse Marco Aurélio.

    No Brasil, apenas duas equipes de futebol feminino têm contratos com carteira assinada para suas jogadoras: o Santos e o América-MG. Estima-se que 5 mil mulheres adultas joguem hoje no país, de acordo com dados da CBF. Na equipe do Santos, a atleta com maior salário recebe R$ 5 mil por mês. Já no América-MG, o maior salário é de R$ 3 mil.

    “A CBF tenta fazer a parte dela, agora, ela não pode ser uma ‘mãe’ de mão aberta para tudo sem controle de gastos. Aqui tem austeridade, controle e estímulo. Tudo que você pode esperar tem”

    Marco Aurélio

    coordenador de futebol feminino da CBF em entrevista ao Nexo

    Além da disparidade salarial entre os jogadores homens e mulheres, os valores das premiações também dificultam o crescimento da modalidade. O campeão do Brasileirão feminino de 2017 receberá, de acordo à CBF, R$ 120 mil. Para se ter uma ideia, o 16º colocado do Brasileirão masculino do ano de 2016 recebeu quase seis vezes mais, cerca de R$ 700 mil. O Palmeiras, então campeão, recebeu R$ 17 milhões. No total, 141 vezes mais que a premiação feminina.

    Até 2016 não havia premiação para o Brasileirão feminino. Em 2017 é o primeiro ano em que haverá prêmios. Alfredo Carvalho, da Sport Promotion, justificou a falta de premiação nos anos anteriores: “Os clubes foram jogar sem gastar um centavo [nos outros anos]. Nós pagamos a passagem, o hotel, a alimentação e todas as despesas do campeonato em si”.

    “O papel da CBF é fomentar e desenvolver a modalidade. O que mais me incomoda não é a disparidade dos números, mas o que a CBF faz pra essa disparidade ser diminuída”

    Juliana Cabral

    ex-jogadora da seleção brasileira em entrevista ao Nexo

    O baixo salário e premiação das mulheres em relação aos homens não é restrito ao universo do futebol. Em outras modalidades, como o vôlei, por exemplo, a realidade se repete. Em julho de 2016, uma montagem de duas imagens circulou na internet e trouxe o assunto à tona. Na primeira, a jogadora de vôlei da seleção feminina Natália Pereira posou segurando um cheque de US$ 15 mil. Na segunda, o jogador de vôlei da seleção sérvia Marko Ivovic posou para a mesma foto, mas dessa vez segurando um cheque de US$ 30 mil. Eles foram premiados por terem sido considerados os melhores jogadores do Grand Prix e da Liga Mundial de Voleibol, respectivamente. Torneios organizados pela Federação Internacional de Voleibol.

    Um levantamento feito pelo portal Correio comparou os maiores salários de atletas, homens e mulheres, em 2015. Entre os resultados, o basquete dos EUA é um dos que tem a maior disparidade. O atleta homem de basquete chega a receber 234 vezes mais que a melhor jogadora.

    O antropólogo e especialista em esporte Orin Starn, da Universidade de Duke da Carolina do Norte, tem previsões não muito otimistas sobre o fim dessa disparidade entre homens e mulheres no esporte: “Não sou esperançoso para dizer que os times femininos vão ganhar a mesma prioridade e a recompensa financeira que os homens em um futuro próximo”, disse ao Correio.

    Sem tradição

    A primeira partida datada de futebol feminino no Brasil aconteceu em 1921. Foram as equipes, Tremembé e Cantareira, que realizaram o confronto na zona norte de São Paulo. Segundo Silvana Goellner, pesquisadora de futebol feminino e professora de educação física na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), é muito provável que outras partidas tenham acontecido anteriormente à data, mas com a falta de registros históricos, é difícil determinar com exatidão quando as mulheres começaram a jogar bola no país.

    Goellner explica que a prática de futebol para as mulheres na época da primeira partida registrada era vista com exotismo pelo público. “As partidas de futebol feminino eram relacionados com o entretenimento. Havia algumas exibições em circo em 1913 e 1915. Era [visto como] um espetáculo exótico, não como algo sério”.

    Nos anos seguintes, enquanto a seleção de futebol masculino era ovacionada ao vencer a Copa do Mundo em 1958, 1962 e 1970, as mulheres seguiam proibidas de jogar futebol.

    O CND (Conselho Nacional de Desportos), criado durante o governo Getúlio Vargas, em 1941, determinou a proibição de uma série de modalidades esportivas para as mulheres. O artigo 54 do Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941 dizia: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

    Durante o ano de 1965, na Ditadura Militar, outro decreto também criado pelo Conselho Nacional de Desportos, foi o primeiro a especificar quais práticas esportivas seriam proibidas às mulheres: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rugby, halterofilismo e baseball”, era o texto da lei.

    A pesquisadora Silvana Goellner conta que o imaginário nacional na época referendava a proibição dessas modalidades para as mulheres: “existia a ideia de que precisaríamos de mulheres fortes para terem filhos fortes. E que esses filhos fortes seriam o futuro da nação”.

    Só em 1979, em meio a uma série de pressões populares, como o movimento conhecido por Democracia Corinthiana e a onda feminista no Brasil e no mundo, uma lei revogou o decreto que proibia as mulheres de jogarem futebol.

    Foram outros 34 anos até que o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino acontecesse.

     

    Mas com talentos

    A Olimpíada do Rio em 2016 demonstrou uma possível mudança do ponto de vista do público em relação às mulheres jogando futebol. Na fase inicial da competição, enquanto a seleção masculina perdia os jogos, o público lotou os estádios para acompanhar os jogos femininos.

    Após a perda do bronze da seleção feminina nos Jogos Olímpicos do Rio, Marta, que foi eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, elogiou a presença do público e pediu: “Não deixem de apoiar o futebol feminino”.

    Nas partidas, um menino de 12 anos ficou conhecido porque vestia uma camisa da seleção brasileira masculina com o nome de Neymar riscado e substituído pelo de Marta.

    Um levantamento feito pelo portal Gênero e Número e publicado em 2016 colocou lado a lado os salários de Marta e Neymar.

    Enquanto Marta ganha US$ 400 mil por ano, Neymar ganha US$ 14,5 milhões. Ela já fez 103 gols pela camisa da seleção e ele 50. Se os pagamentos de ambos fossem atrelados a gols, os números seriam ainda mais diferentes: cada gol de Marta “vale” US$ 3,9 mil, os de Neymar “valeriam” US$ 290 mil cada.

    A primeira vez que a seleção de futebol feminina foi convocada pela CBF aconteceu em 1988. Em 1991, a Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizou a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. 

    De lá pra cá, a seleção feminina ganhou seis vezes a Copa América, tendo vencido as edições de 1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014, a única edição desse campeonato que o Brasil não ganhou foi em 2006.

    A seleção feminina também venceu sete das oito vezes em que o Torneio Internacional Caixa, em que a seleção brasileira feminina disputa com outras três seleções convidadas, aconteceu. Sua primeira edição, que veio só em 2009, ocorreu em São Paulo.

    Entre os títulos olímpicos, desde a primeira Olimpíada que contou com participação do futebol feminino em Atlanta em 1996, a seleção feminina ganhou duas vezes medalhas de prata. Em Atenas, em 2004, e em Pequim, em 2008.

    Nos Jogos Panamericanos, em que a primeira edição que contou com futebol feminino foi 1999, são três ouros (Santo Domingo 2003, Rio de Janeiro 2007 e Toronto 2015) e uma prata (Guadalajara, 2011).

    Desde seu primeiro amistoso, em 1986, até muito recentemente, todos os técnicos da seleção feminina de futebol foram homens. A técnica e ex-jogadora Emily passou a comandar a equipe a partir de 1o de novembro de 2016.

    Roberta Cardoso, repórter do site “Dibradoras”, disse em entrevista ao Nexo, na época da contratação, sobre o significado histórico em ter uma mulher à frente da seleção: “Acima de tudo, ela foi escolhida porque é capacitada para desempenhar tal função. É uma mulher que vive o futebol há muito tempo e está em constante atualização. A carreira de treinadora da Emily é repleta de conquistas importantes e simboliza uma evolução dentro de um meio tão machista (como o futebol) e tão atrasado quando se refere à presença feminina no esporte (seja jogando, treinando, gerindo ou apitando)”.

    A ex-jogadora  Juliana Cabral acha que o erro comum para quem quer entender a realidade das mulheres que jogam futebol é medir a qualidade a partir dos homens. “Futebol feminino não tem que ser igual a futebol masculino. Cada um é uma coisa, o que a mulher tem que ter é oportunidade.”

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