Em novembro deste ano, uma grande rede de supermercados anunciou um “festival” em suas lojas. As prateleiras de cerveja, habitadas pelas mesmas “loiras geladas” e algumas “especiais” importadas, contavam com 50 rótulos de visual chamativo que indicavam produções de 10 microcervejarias nacionais. Entre elas, a paraense Amazon Beer, a catarinense Bierland e as paulistas Dama, Madalena e Dortmund. As que tivessem melhores números de venda, ganhariam lugar fixo nas prateleiras da rede.

A ação evidencia o clima de entusiasmo, novidade, mas também de avaliação e risco pela qual passa o mercado de cervejas no Brasil. Dominado por várias e várias décadas por um só tipo de cerveja, aqui chamadas de Pilsen, a maior parte do mercado consumidor brasileiro – um dos maiores do mundo – está só agora sendo apresentada a cervejas de gêneros estranhos, chamadas de “especiais” ou “artesanais”, como Indian Pale Ale, Witbier ou Imperial Stout.

O cenário de hoje é resultado de um processo lento, em curso ao longo dos últimos 20 anos, de surgimento de pequenas cervejarias que viram na diversidade de aromas e sabores possíveis para uma cerveja uma oportunidade. Apostando em receitas já consagradas (como as de trigo alemãs) ou inovando em estilo e ingredientes, nasceram cervejarias como a Colorado, criada em 1996 em Ribeirão Preto, que incorporou aos tradicionais lúpulo, malte, fermento e água, elementos como café, rapadura, mandioca e castanha-do-Pará.

Até 2013, o número de cervejarias era de 214 no Brasil, segundo dados do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). De lá para cá, esse patamar saltou para 419. Apesar de ser um dado oficial, é  consenso entre cervejeiros  que esse número é menor do que o da realidade do país, dada a existência ainda de dezenas de pequenas fábricas caseiras operando sem registro.

Foto: Rick Wilking/Reuters

Cervejaria Coors, nos EUA
Linha de produção da cervejaria americana Coors
 

Carlo Enrico Bressiani, consultor e diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte de Blumenau (SC), lembra que o fenômeno “não se restringe ao Brasil” e “nem é coisa nova”. 

“É um cenário mundial que começou no final da década de 1970, na Inglaterra, onde as artesanais começaram a explodir novamente”, diz, citando a Camra, sigla em inglês para “Campaign for Real Ale” (algo como “campanha para cervejas verdadeiras de tipo Ale” – uma referência a uma categoria de cervejas mais aromáticas, como IPA, Porter e Stout, por exemplo. O movimento saiu em defesa das cervejas tradicionais inglesas, contra a de tipo industrial produzida em massa (como Pilsen e Bock), e fez ressurgir as cervejarias artesanais por lá.

“Eles inspiraram um movimento que chega nos EUA na década de 1980 e que fez com que o número de cervejarias lá chegasse a mais de 5 mil hoje”, diz Bressiani. “No Chile e Argentina, que são menores que o Brasil, isso chega na década de 1990. São países que hoje têm por volta de 100 e 300 cervejarias. No Brasil, tudo isso chega mais tarde, acelerando mesmo entre 2002 e 2003.”

Alexandre Bazzo, fundador da Bamberg, cervejaria instalada em Votorantim (SP), lembra  como a situação para o produtor mudou ao longo do tempo por aqui. “Hoje, a variedade de insumos é infinitamente maior. Eu, por exemplo, uso mais de 50 tipos de maltes nas minhas cervejas”, diz. “Equipamento também. Você vai achar uns baratos no mercado nacional, mas não dá para comparar com os de fora, que garantem uma qualidade mínima para a cerveja.”

O cervejeiro lembra que quando deu início à fábrica, em 2005, havia muita insegurança e incerteza de sucesso. Hoje, ele considera que a aposta sobre o mercado de cerveja, considerado por ele “sem volta”, um acerto.

“Nada pode baixar a taxa de crescimento que ele tem atualmente. Estamos vendo uma bolha de microcervejarias. Qualquer pessoa começa a produzir e em pouco tempo consegue emplacar uma fábrica. Mas não sei quantos estão nessa para se tornar cervejeiros a vida inteira. O cara que entrou porque o mercado está em alta não dura muito tempo”

Alexandre Bazzo

Fundador da Bamberg

Isso porque o mercado de cerveja artesanal no Brasil não é fácil. Pela frente do empreendedor cervejeiro há barreiras como tributação pesada, falta de mão-de-obra qualificada e tecnologia adequada, além de competição intensa de um setor que é dominado por grandes e poucas empresas.

Desafios para pequenos

Além do desafio cultural de convencer o brasileiro a se interessar por cervejas de estilos diferentes do que o de costume, o pequeno cervejeiro ainda deve tentar participar de um mercado centralizado na mãos de quatro grandes cervejarias.

São elas a Ambev (detentora das marcas Brahma, Skol, Bohemia, Original, Stella Artois, Budweiser, Antarctica, etc), multinacional dona, sozinha, de 70% desse bolo; Grupo Petrópolis (Itaipava e Crystal), Kirin Brasil (Nova Schin, Devassa e Baden Baden) e Heineken Brasil (Sol, Kaiser, Xingu, Bavaria e Heineken). Juntas, correspondem a quase 99% do consumo de cerveja no país. O outro magro 1% é ocupado pelas artesanais.

Aquisições

Em um movimento recente, as grandes empresas do setor passaram a comprar pequenas cervejarias, entrando no mercado das artesanais, reconhecendo  seu potencial. Foi o caso em 2007 da Baden Baden, cervejaria de Campos de Jordão - que chegara a ter um faturamento de R$ 5,5 milhões no ano anterior-, comprada pela antiga Schincariol. O grupo, no ano seguinte, também comprou a catarinense Eisenbahn.

Já no ano passado, entre fevereiro e julho a gigante Ambev comprou duas artesanais brasileiras: primeiro a mineira Wäls, depois a Colorado, do interior paulista. Sobre a estratégia, o vice-presidente da empresa, Fernando Soares, disse, na época: “É claro que vamos aproveitar para surfar na atual onda das cervejas artesanais e ampliar as vendas e as margens da categoria”.

Movimentação similar aconteceu também em outros países, sobretudo nos Estados Unidos, onde se viu desde 2011 a compra de pelo menos cinco microcervejarias, como Goose Island e Blue Point pela Anheuser-Busch InBev (conglomerado internacional do qual faz parte a Ambev).

As consequências dessas aglutinações, comuns em diversos mercados, divide opinião entre os profissionais de um setor que ainda pena para ganhar escala por aqui. De um lado, há quem veja com bons olhos a entrada das grandes no mercado de artesanais por enxergar ali a possibilidade de queda de preço e popularização de estilos variados. De outro, há o problema em competir desde cedo com empresas melhor estabelecidas e donas de estruturas de distribuição e venda consolidadas, o que pode afetar o surgimento de novos pequenos produtores.

Foto: Francois Lenoir/Reuters

Galpão da AB Inbev na Bélgica
Galpão da AB InBev na Bélgica

“Eu não consigo ver nada benéfico nisso”, afirma Alexandre Bazzo, da Bamberg. “Eles compram, vem com um papo de que ‘a família da artesanal vai continuar lá’, mas mudam toda a lógica e entram no mercado de maneira agressiva.”

O cervejeiro diz que a primeira coisa a mudar é o preço. A grande cervejaria, agora com produtos artesanais, consegue chegar com um preço menor, complicando a vida de quem já lida com margens de lucro baixas, como é o caso das pequenas. “A gente fica meio de mãos atadas, porque eles baixam tanto o preço que a gente não pode reduzir a margem. O que a gente tem que trabalhar é no regional, vendendo localmente de forma eficiente e pessoal”.

Para ele, a esperança é de que o consumidor mais bem informado faça a escolha ideológica pela artesanal das pequenas cervejarias. “O consumidor da artesanal dificilmente volta a consumir algo de marca de megacervejaria. Eu confio 100% no consumidor”.

O cervejeiro à frente da curitibana Gauden Bier e diretor na Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal), Ronaldo Pinto Flor, também sofre pelo preço, mas vê outra consequência grave nas aquisições. “O consumidor olha para a Gauden e me chama de ladrão porque o meu produto é muito mais caro que o deles. Mas é que uma empresa como a Ambev consegue fazer o que eu não consigo”, diz.

A entrada das grandes é natural e faz parte de uma lógica de mercado de quem não quer perder participação para as pequenas e médias. Mas a boa relação tem um limite: quando a concorrência se torna desleal.

“Mas eu não tenho nada contra uma cervejaria comprar uma micro e praticar preço mais baixo, porque ela tem capacidade para isso. O que não pode é se fazer passar por uma microcevejaria. Mesmo depois de comprada, querem continuar ficar parecendo pequenininha. Isso a gente não quer deixar acontecer: boi branco com boi branco, boi preto com boi preto.”

Já para Carlo Enrico Bressiani, da Escola de Cerveja e Malte, a entrada das grandes é natural e faz parte de uma lógica de mercado de quem não quer perder participação para as pequenas e médias. Mas a boa relação tem um limite: quando a concorrência se torna desleal.  

“Proibir ponto de venda de vender outro tipo de cerveja não pode. Aí eu acho que os pequenos têm que brigar. Se o mercado é livre mercado, então é livre. Não pode ser o mercado do mais forte”, diz. “Se houver livre mercado, o consumidor vai ter a opção e aí, às vezes ele vai comprar uma cerveja especial da Ambev, às vezes uma artesanal da cidade.”

Para David Michelsohn, fundador da marca de cerveja artesanal Júpiter, o problema das aquisições “vai muito além do mercado de cerveja artesanal” e fala da falta de um abrigo legal que proteja o pequeno em um mercado competitivo. “Vai muito além da cerveja artesanal. A questão é como o governo brasileiro e o próprio brasileiro entendem a luta para sobreviver do pequeno empresário versus os grandes grupos. Eu não condeno quem vendeu, acho que negócio é negócio. Mas para quem sobra no mercado, eu tenho minhas preocupações.”

Foto: Reprodução

Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto
Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, foi comprada em 2015 pela Ambev
 

Ao Nexo, o fundador da Colorado, Marcelo Carneiro, comentou a aquisição pela Ambev, os ganhos que sua empresa teve e diz acreditar ainda haver “lugar para todos” no mercado.

“A nossa parceria com a Ambev está possibilitando aumentar a oferta de cerveja artesanal onde não havia antes. Ainda existe muito mercado a ser conquistado entre os consumidores entrantes. Há lugar para todos que quiserem trabalhar com competência e honestidade”, diz.

Para Carneiro, a aquisição foi um “grande passo” que deu “acesso a novas tecnologias e investimentos”, além de novas técnicas de controle e de processo.

O peso imposto

Como forma de se defender e levar reivindicações às instâncias de governo, cervejeiros têm se unido em forma de associações. Assim como as grandes formaram a CervBrasil, os pequenos criaram a Abracerva em 2013 para levar pautas de âmbito federal ao Congresso e ao Executivo. Até este ano, a associação era monotemática: redução da carga tributária e inclusão das microcervejarias no Simples nacional.

Sancionada em outubro, a lei que reformula o sistema de tratamento diferenciado reduz em até 32% o bolo de impostos ao qual se submetem as cervejarias que faturarem até o teto de R$ 4,8 milhões ao ano. A mudança representa uma conquista do setor que lida com uma tributação que beira 60% do valor do produto. A nova regra passa a valer a partir de janeiro de 2018. Segundo a Abracerva, cerca de 60% das cervejarias artesanais poderão aderir.

A mudança no Simples ajuda, mas não resolve o problema, já que basta crescer a produção e o empresário fica descoberto pela lei. É o que diz o presidente da Apacerva (Associação Paulista de Cerveja Artesanal), Rafael Michelsohn.

56%

É quanto incide de tributação sobre o faturamento bruto de pequenas cervejarias atualmente

“O Simples é para nanocervejarias, de até 25 mil litros por mês mais ou menos. Passou disso, está fora. Imagina que uma microcervejaria aqui paga 56% do faturamento bruto em imposto (IPI, PIS, Cofins). Isso sem contar tributo sobre folha de pagamento. O resto tem que comprar insumo, pagar funcionário, aluguel, comprar equipamento, etc. Então é muito pesado”, diz.

Nada muda para cervejarias como a Bamberg, que produz de 80 a 85 mil litros por mês. “Para Brasil, é uma produção alta, mas comparada com as cervejarias americanas, é baixa. O que temos feito é trabalhar bastante com chope porque aí o imposto é igual ao de outras grandes cervejarias, com isso conseguimos competir com igualdade”, diz. 

Na visão da Abracerva, o Simples ajuda também a levar para o mercado formal as cervejarias que funcionam sem registro, que aí poderão comercializar seus produtos no varejo. “O problema é depois do teto do Simples. Entre a pequena e a grande, a distância é muito grande”, diz Ronaldo Pinto Flor. “Aí o que vai acontecer é que ou a empresa vai parar de crescer ou fazer ‘arranjo’ para não estourar.”

O modelo ‘cigano’

Para fazer parte do mercado, entusiastas do universo de cervejas artesanais optam por um modelo que permite ter marca, receita própria e produto na estante sem, no entanto, precisar pisar em chão de fábrica. A prática, comum nos mercados europeus e americano, se dá fazendo uso de parte da estrutura de microcervejarias, que terceirizam tanques - ociosos, em muitos casos - para a produção de outros cervejeiros.

São os chamados “ciganos” ou, na linguagem da Abracerva (que vê uma conotação negativa no termo), “cervejeiros associados”. Os perfis variam, mas em geral são pequenos empresários, com pouco capital para abrir ou alugar uma fábrica, interessados em testar receitas e emplacar sua própria marca.

“A maior parte dos ciganos usa um período de incubação em cervejarias para trabalhar canal de distribuição e marca. É o que a gente chama de ‘porta para fora’”, diz Carlo Enrico Bressiani, da Escola de Cerveja e Malte. “A cigana permite focar nessas duas coisas e testar o produto no mercado. Para uma empresa muito pequena, fazer produção e ainda cuidar do ‘porta para fora’ é uma loucura.”

Hoje em dia, abrir uma marca de cerveja no modelo cigano pode não passar de R$ 50 mil. Já a abertura de uma fábrica com estrutura para produção de cerveja pode, facilmente, ultrapassar R$ 1 milhão.

Foto: Herivelto Batista/Reprodução/MCTIC

Cerveja artesanal
 

Nessa relação, não é só o empresário cigano que sai ganhando. A microcervejaria que se dispõe a abrir seus tanques para a produção alheia pode ganhar tanto em conhecimento e inovação por meio do relacionamento com essas novas marcas - mais dispostas ao risco, com receitas mais ousadas -, como também tapando o buraco da capacidade ociosa em caso de contingência.

Victor Pereira Marinho, mestre-cervejeiro consultor da Dádiva, localizada no interior de São Paulo, acompanhou a criação de todas as grandes ciganas paulistas, como Urbana, Júpiter e Dogma. Segundo ele, para as microcervejarias, viver de receber ciganas não é exatamente sustentável, mas ajuda a minimizar o investimento inicial da fábrica.

Por ter sua produção terceirizada, cervejas ciganas chegam no consumidor por um preço ainda maior do que o de outras cervejas artesanais

Já para os ciganos, o modelo é interessante, mas exige um trabalho de convencimento do consumidor mais forte na ponta. “De todas as ciganas que eu conheci, nenhuma delas fechou. São empresas sólidas. Se trabalhar direito e estiver disposto a crescer, vai continuar no mercado. O problema é o preço que é ainda maior do que as microcervejarias.”

Isso acontece porque o “cigano” tem que comprar a sua própria produção da fábrica e revender, distribuindo sua receita por ainda mais etapas que as demais cervejarias. “O grande público pode não entender por que é mais cara e se afastar. Mas a culpa é nossa, do mercado, de não saber explicar isso.”

Na linha evolutiva dessas empresas, a cigana consolida sua marca e espera ser comprada por cervejarias maiores ou abandona a vida nômade e investe para se tornar uma fábrica. A segunda opção foi o caminho escolhido pela paulistana Júpiter.

“As oportunidades é que vão dizer, mas eu gostaria de ter um fábrica. E sei que podemos ter uma para nossas cervejas mais complexas e mesmo assim seguir terceirizando parte”, diz David Michelsohn, fundador da marca e também dono do bar Choperia São Paulo. “É difícil planejar porque aí vem uma crise como a do ano passado e a gente é obrigado a voltar para a planilha.”

A Júpiter teve um investimento inicial de cerca de R$ 200 mil, voltados para a marca e participação de eventos. Sua produção, que já passou por 10 fábricas diferentes, saltou de 1,8 mil litros para 15 mil litros desde que começou a produzir, em 2013. Atualmente, a marca está dividida em duas cervejarias: a Universitária, em Campinas, onde produz chope; e a Dádiva, de Várzea Paulista, para a produção de garrafas.

A Dádiva, por exemplo, começou com marca própria há três anos, mas direcionou a maior parte da sua estrutura para receber ciganas. “Hoje, a fábrica tem tanques com capacidade de 70 mil litros e quase 70% disso é terceirizado”, diz Victor Pereira Marinho. “Neste ano, no meio da crise, a fábrica triplicou de volume por ter aumentado a fábrica e a terceirização.”

Foto: Divulgação

A cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista, produz marca própria e ciganas
A cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista, produz marca própria e ciganas
 

Apesar de ter uma produção menor que as microcervejarias como a Júpiter, David comemora a entrada da marca em redes de supermercados no segundo semestre deste ano. A cerveja chega com rótulos de estilos menos desconhecidos como IPA (Indian Pale Ale), APA (American Pale Ale) e Lager em garrafas de 300ml a R$ 20, em média, para o consumidor final.

Com a ajuda de ciganas, o mercado de artesanais no Brasil chegou em 2016 à marca de 5.254 rótulos, divididos em 80 tipos diferentes, segundo dados do governo.

Quer crescer quanto?

É difícil e arriscado fazer projeções para o mercado de artesanais no Brasil. O setor é carente de números precisos e empresas especializadas dedicadas a monitorar produção, estilos, técnicas e consumo. Como então antecipar, em números, seu crescimento?

Em 2014, o jornalista e cervejeiro Marcio Beck arriscou, com a ajuda do economista Jarbas Menezes, alguns cálculos em seu blog, no jornal “O Globo”. “Baseando-se em previsões de crescimento da renda per capita no Brasil (...) o Brasil chegaria a 699 microcervejarias em 2024, e 1.455 em 2034.”

Com essa projeção, em quase 20 anos chegaríamos ao patamar da indústria americana de 2007, quando ela contava com 1.459 cervejarias produtoras no país. Atualmente, esse número já é quase o dobro, tendo os Estados Unidos fechado 2015 com um total de 4.269 cervejarias.

A produção por aqui também aumentaria, bem como a participação das artesanais no mercado. Segundo as projeções publicadas por Beck, se mantidas a capacidade média de 20 mil litros por mês, as microcervejarias teriam em 2024 algo como 0,8% da produção nacional e 1,2% em 2034.

Se em vez disso, assumirmos que a capacidade aumente para 30 mil litros por mês em 2024, e 40 mil litros/mês em 2034, esses percentuais subiriam para 1,2% e 2,5% do mercado. “Novamente, muito abaixo dos 5% ou até 10% de participação com que sonham alguns players neste médio prazo”, conclui Beck.