Profissão

‘Passei fome, achei que era o sujeito mais burro do mundo’

Professor universitário nos EUA e pesquisador que trabalhou em algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, André Luiz Souza lembra de sua origem na favela

A única ambição do adolescente André Luiz Souza era conseguir sair do Brasil, para ganhar em dólar, lavando prato ou fazendo faxina. Para ele, negro, nascido na favela em Belo Horizonte, emigrar ilegalmente era a única referência de sucesso. Foi estudar letras na universidade pública, para aprender inglês, já que nem cogitava pagar um curso de línguas. E aí, de universidade em universidade, acabou virando um linguista cognitivo, especializado em comportamento humano, professor universitário e profissional disputado pelas maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício. Este ano, aos 38 de idade, o sujeito que duas décadas atrás só queria sair do Brasil pediu demissão de um emprego no Facebook, na Califórnia. É que não aguentou o excesso de viagens.

Hoje no Spotify, André Luiz só pôde se apaixonar pela ciência porque o sonho de emigrar acidentalmente colocou-o dentro de um laboratório. Não foi um caminho fácil. Para chegar aonde chegou, ele teve que lavar muito prato, morar escondido na salinha do laboratório para poupar o aluguel e quebrar um número razoável de leis, cujo cumprimento tornaria seu sucesso impossível.

Nesta entrevista, ele fala sobre a diferença entre a academia e a indústria, racismo no norte e no sul, a ciência da experiência do usuário e a possibilidade de que ela esteja causando mais mal do que bem para as pessoas.

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