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Profissão

'Aprendi a questionar tudo, inclusive o meu próprio dado'

Depois de mais de uma década olhando para imagens de cérebros, a neurocientista Patricia Bado percebeu que, para entender o comportamento humano, precisa ver a pessoa inteira

Na adolescência, Patricia Bado ficava intrigada com a dificuldade de controlar seu próprio apetite. Foi esse interesse que a transformou em neurocientista: ela chegou à conclusão de que o comportamento alimentar estava no cérebro e de que o caminho para solucionar problemas de comportamento só podiam estar lá também.

Hoje ela já não tem mais essa convicção. Depois de passar centenas de horas olhando para neuroimagens e concluir mestrado, doutorado e pós-doutorado em neurociência, cogita começar do zero um curso de psicologia, em busca de respostas mais complexas do que uma máquina de ressonância magnética pode registrar. “Somos muito mais do que o nosso cérebro”, diz. Sua mudança foi motivada tanto pelas lacunas que foi percebendo em suas próprias pesquisas quanto pela descoberta profunda da complexidade humana, que veio com a maternidade.

Patricia teve o primeiro filho aos 27 anos e se separou sete meses depois. Quando ela me recebeu na entrada do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (o Idor), que fica aninhado num pé de morro num canto de Botafogo, no Rio de Janeiro, foi precedida por uma barriga de cinco meses de gravidez — sua segunda, do atual casamento.

Conversamos sobre a dificuldade de fazer carreira científica de ponta sendo mãe — e sobre o quanto uma creche pode ser decisiva. Patricia contou também de seus planos para o futuro, quando ela pretende passar menos tempo lidando com números, e mais com pessoas, em busca de impactos reais na saúde mental e no raciocínio crítico dos brasileiros.

Cientistas do Brasil

Quem: Patricia Bado, 30 anosO quê: neurocientista, pesquisa o comportamento humanoOnde: no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de JaneiroComo: cada vez menos olhando para imagens de cérebros em máquinas de ressonância magnética. Cada vez mais olhando para comportamentos humanos no mundo real

 

Esta é a quinta entrevista da série do NexoCientistas do Brasil que você precisa conhecer, ontem e hoje”. O projeto tem duas frentes: uma traz 12 vídeos com a minibiografia de pesquisadores que marcaram a história. A outra traz 12 entrevistas em texto na seção “Profissões” – conversas conduzidas pelo jornalista Denis Burgierman com cientistas brasileiros em atuação hoje. São pesquisadores de áreas como ciências da vida, geociências, física, química, ciência da computação e matemática, que vêm tendo o reconhecimento de seus pares e trabalham em linhas de atuação promissoras. O projeto tem o apoio do Instituto Serrapilheira.

As entrevistas começam sempre com a mesma pergunta:

O que você está tentando descobrir?

Patricia Bado Quando eu entrei para a ciência, aos meus 17 anos, a pergunta que eu quis responder é por que algumas pessoas se excedem na alimentação, enquanto para outras isso nem é uma questão. Para responder essa pergunta, eu caí na neurociência. Aí, conforme fui estudando o comportamento alimentar no cérebro, percebi que outros prazeres, além da comida, são processados pelo mesmo sistema. Minha pergunta foi mudando. Virou por que algumas pessoas têm apetites mais exacerbados do que outras — apetites de comida, sexo, interação social. Agora estou mais interessada em entender a relevância disso tudo para a saúde mental.

E de onde vem esse interesse?

Patricia Bado O ensino médio é um momento em que muitas pessoas têm problemas com alimentação e peso. Eu tive, todas as minhas amigas tiveram. Quando tomei minha decisão de carreira, foi justamente no momento em que eu estava pensando “caramba, por que comida é um problema para quase todo mundo?”

E era quase todo mundo mesmo?

Patricia Bado Era todo mundo do meu pequeno círculo, de cinco amigas mais próximas. Hoje estou estudando os dados de saúde mental nas escolas em Porto Alegre — parte de um projeto de intervenção em escolas — e é mesmo sério. Até 70% de todos os transtornos mentais da idade adulta começam antes dos 18 anos. É o momento em que as coisas se desenvolvem — e é quando você está na escola, um ambiente hostil, em que você não está preparado, e passa por muitas transformações. Está claro que quase todo mundo passa por algum tipo de transtorno e não existe um programa mais amplo que lide com saúde mental nas escolas.

Então foi a partir de uma preocupação no ensino médio que você virou neurocientista?

Patricia Bado Quando eu fui fazer faculdade, decidi estudar nutrição. Só que o curso não tinha nada de comportamento alimentar — era bem voltado para o estudo de dietas, que era o oposto do que eu queria. Acabei conhecendo a neurociência no primeiro período e mudei para a Biomedicina, que é um curso da UFRJ voltado para formar pesquisadores. Mudei porque notei que todos os melhores alunos de laboratório eram desse curso. Foi um curso bem voltado para a biologia celular e molecular. Você fica estudando ratinhos, não pessoas.

E qual era sua pesquisa com ratinhos?

Patricia Bado Era com memória. De dia, eu já trabalhava aqui no Idor, então eu ficava até as 3 da madrugada no Fundão [Ilha do Fundão, onde fica a Cidade Universitária], administrando d-serina, um aminoácido, para os ratinhos, e fazendo testes de memória em labirintos, para medir se melhorava sua performance. A hora de matar os animais era horrível. Nunca mais. E eu não sei o quanto realmente a gente aprende com isso. Tem pouquíssimo dessa ciência animal que se aplica a humanos — em algumas áreas, menos de 3%. São organismos diferentes. Às vezes acho que tem uma preguiça de estudar humanos. Por isso vim ao Idor, que tem a possibilidade de usar ressonância magnética funcional para enxergar o que acontece no cérebro.

Então desde a graduação você já tinha contato com o Idor?

Patricia Bado Sim. Eu tive sorte. Vim parar aqui por causa de um professor de neurofisiologia do primeiro período da [faculdade de] Nutrição, que me colocou em contato com a neurociência. Achei que era na neuroimagem que estava a resposta para minha pergunta, sobre comportamento alimentar — hoje sei que não é.

Não é?

Patricia Bado Somos muito mais do que o nosso cérebro. Fui do ratinho para a imagem do cérebro, mas agora estou me dando conta… Cadê o sujeito? Naquela época eu comecei a ver na internet aqueles mapas coloridos do cérebro e pensei: “uau, obesidade está no cérebro”. E aí, três meses depois de entrar no laboratório desse professor de neurofisiologia, conheci um colaborador dele, o [neurocientista] Roberto Lent, autor do livro “100 Bilhões de Neurônios”, e acabei sendo convidada para ir para um retiro científico que ele organizava na Serra das Araras. Lá eu conheci meu atual chefe, que tinha acabado de chegar ao Brasil e ia fundar o Idor e trabalhar com neuroimagem.

Seu atual chefe é o Jorge Moll? [Médico, cientista especialista em comportamento humano e herdeiro da Rede D’Or São Luiz, um dos maiores grupos hospitalares do país.]

Patricia Bado Sim. Eu o conheci em 2007. E disse “cara, eu tenho que trabalhar com você”. Contei a ele das coisas que estava lendo sobre neuroimagem, sobre a Nora Volkow, a pesquisadora que comparava obesos com dependentes de drogas e via que o cérebro era parecido — algo que hoje eu acho um absurdo você falar, mas na época fazia muito sentido. Ele me chamou para uma entrevista, eu vim e comecei antes da fundação do instituto.

Então uma coisa que te ajudou foi ter essa clareza desde muito cedo de qual era o assunto que te interessava?

Patricia Bado Sim, mas isso é também o que me deixa angustiada hoje, porque eu já não sei se é isso. Eu acreditava que os comportamentos estavam no cérebro e que portanto compreender o funcionamento cerebral era a chave para compreender o comportamento humano. Hoje eu acho isso uma afirmação ingênua e meio absurda. Claro que existem correlatos biológicos do comportamento, mas, quando vejo pessoas perguntando coisas como “como o nosso cérebro toma decisões?”, ou “qual a região cerebral responsável pelo amor?”, percebo que o campo da neurociência tem atrapalhado mais do que ajudado a elucidar comportamentos humanos complexos. E não é fácil deixar para trás algo que você quis por tanto tempo. Daqui para frente quero ir mais para a ideia de saúde mental mesmo, sair da neuroimagem. Estou mais interessada no quanto esse conhecimento pode melhorar o ambiente, com intervenções, do que em ficar olhando cérebros numa máquina. Agora estamos trabalhando com o projeto das escolas, com intervenções longitudinais, acompanhando populações. Ficamos mais perto do sujeito, do problema, da solução.

E quando você começou a trabalhar com recompensas?

Patricia Bado Em 2009, quando conheci o grupo do Japão, que queria estudar sistema de recompensa e estava em busca de parcerias no Brasil. Estabelecemos uma colaboração com o Instituto de Tecnologia de Okinawa (Oist, na sigla em inglês), para estudar o sistema de recompensa com recuperação monetária — estudos com ganho e perda de dinheiro. Anos depois, em 2017, acabei indo para o Oist. Okinawa é uma ilha, não é todo mundo que topa o isolamento, então eles estão sempre recrutando gente. E um dos grandes atrativos lá para mim é que eles tinham creche. Eu já tinha um filho de 1 ano e meio, que nasceu quando eu tinha 27. Meu plano sempre foi fazer um sanduíche [período de pesquisa no exterior no meio de um doutorado no Brasil], mas, quando você tem um filho, não dá, não tem como. Não tem creche em lugar nenhum, as que existem em universidades estão superlotadas, sem vagas nem para os professores. E, no Oist, eles tinham uma creche ótima. Fiz um artigo sobre isso [Mais mulheres na ciência? Ofereçam creches.] O Pedro tinha 7 meses quando me separei, e, quando é muito novo, não tem jeito… Quer dizer, até teria jeito, mas socialmente ainda cai muito sobre a mulher. A sociedade está preparada para ajudar os homens a avançar na carreira, enquanto as mulheres têm que se sacrificar. Acho que essa rede podia ser melhor distribuída, para todo mundo poder fazer os dois. Seria bom para todo mundo, inclusive para as crianças, que teriam pai e mãe perto.

E você estudou devaneios?

Patricia Bado Sim. Foi o tema da minha monografia. Quando você está pensando em nada, você está pensando em um monte de coisas. Você se projeta para o passado, para o futuro, ativa memórias, imagina — 50% da atividade mental são devaneios. Identifiquei que a porção anterior do córtex pré-frontal, a chamada rede neural de modo padrão, tem um papel importante nessa atividade. São uns neurônios interessantes, superarborizados, que processam nosso raciocínio, nossa capacidade de pensar a longo prazo — foi o que estudei no meu mestrado.

Como você estudou esse tema?

Patricia Bado A gente fazia uma entrevista antes, para saber quem são as pessoas importantes na vida do sujeito e os eventos significativos envolvendo essa pessoa. Aí, quando a pessoa estava lá deitada dentro daquele tubo da ressonância magnética, ela via uma palavra que remetesse a esses eventos — podia ser “cachorro”, “filho machucado” — e ela tinha liberdade para pensar os cenários, em detalhes, por dois minutos, enquanto observávamos. O interessante apareceu quando dissemos “não faça nada agora”. Repouso. E acabamos conseguindo observar a diferença entre pensar em algo e estar simplesmente viajando. O que eu percebi é que, no devaneio, tem um componente motivacional interessante. Você vai pensar em coisas que importam para você. E a rede neural de modo padrão estava muito ativa na hora do devaneio, o que tem muito a ver com motivação. Na época, foi uma novidade, a gente publicou bem, na [revista científica americana] Human Brain Mapping, em 2014. Foi um paper legal de escrever, mas foi um outro devaneio [risos] do meu interesse, que era alimentação.

Aí, no doutorado, você resolveu finalmente focar nele?

Patricia Bado No doutorado, a ideia era fazer um projeto com motivações apetitivas: comida, sexo, interação social. Mas quisemos ir além das emoções básicas, buscando no cérebro as complexas: benevolência, tradicionalismo, segurança, poder, realização. Foi super elaborado, passamos um ano inteiro construindo os estímulos que ativam esses apetites — deu mais de 800 imagens, tantas que exigiria que os sujeitos voltassem várias vezes, porque ninguém aguenta ficar horas lá dentro recebendo estímulos. Só que, quando fomos pilotar, percebemos que não dá para dividir um estudo de motivação em vários dias. Se fosse uma pesquisa com córtex visual, daria, porque de um dia para o outro você segue enxergando da mesma maneira. Mas motivações mudam. Aí ficou impossível juntar os dados: era como se fossem sujeitos diferentes a cada dia. Constatei isso no meu próprio cérebro, até escrevi um texto sobre isso [em inglês, Reasons not to Have Sex Before fMRI Experiments. Patricia conta que, antes da primeira seção de ressonância magnética, ela havia passado o dia brincando com o filho. Na noite entre o primeiro e o segundo dia, ela teve atividade sexual com o namorado. No dia 1, ela reagiu mais a imagens de crianças e famílias. No dia 2, foram os estímulos eróticos, os que mais ativaram seu cérebro. Em termos de motivação, Patricia havia se tornado uma pessoa completamente diferente de um dia para o outro]. Deu errado.

E aí você fez o que?

Patricia Bado Mudei. Foi nessa época que fui pro Oist, no Japão, onde eles fazem observações psicológicas de crianças americanas e japonesas, com testes de recompensa e punição, e observação de comportamento, não neuroimagem. E acabei fazendo o doutorado com os dados de recompensa analisados no Japão. Isso é legal na ciência, muita coisa vem por acidente, porque você vai ganhando afinidade com algumas áreas. Nunca planejei trabalhar com isso, acabei esbarrando na área, que acabou sendo muito mais relevante para minha pergunta do que só ficar olhando cérebro. A área de psicologia infantil é muito interessante, e ficou mais ainda para mim depois que meu filho nasceu.

E aí, enquanto você está produzindo ciência, está aprendendo a ser mãe?

Patricia Bado Isso é curioso. Gosto de pensar que faço coisas para a sociedade, e faço, meu maior interesse agora é esse projeto com escolas. Mas acho que as motivações para meus interesses são todas muito egoístas: são coisas pelas quais estou passando. E acho que os problemas com os quais nos deparamos são muitas vezes os mais interessantes, são coisas que estão na sociedade. Esse projeto com saúde mental de Porto Alegre veio depois que o filho nasceu, e eu comecei a me preocupar com isso — percebi que saúde mental é o que você quer para uma criança, o que vai fazer com que ela esteja preparada para lidar com o que acontecer na vida.

E problemas de saúde mental na infância estão se tornando mais prevalentes?

Patricia Bado Tem uns índices que mostram aumento de transtornos mentais na infância e na adolescência nos últimos dez anos. Parece que a saúde mental está piorando. Tem a ver com as mudanças na dinâmica do mundo, e talvez nossa biologia não se adapte tão rápido. Fui para Porto Alegre atraída por esse tema. Tem um grupo lá que tem uma série de dados muito interessante — eles estudam as mesmas 2.400 crianças, metade de Porto Alegre metade de São Paulo, há nove anos. Por isso, durante o doutorado, já agilizei para fazer o pós-doc com esse grupo e comecei a olhar para esses dados, para procurar relações entre tempo de tela e saúde mental. Só que os dados não foram suficientes para concluir alguma causalidade.

E aí você acabou indo trabalhar com escolas lá. Conta que projeto é esse?

Patricia Bado É um projeto em parceria com a Secretaria de Saúde na cidade, para mapear saúde mental e aprendizado nas escolas do município. Eu era pós-doc, sempre me interessei por educação, entrei de gaiata. O objetivo é entregar uma devolutiva para as escolas, identificando os problemas e sugerindo mudanças que possam contribuir para a melhoria da saúde mental. E o que eu quero fazer — vou fazer — é aproveitar a entrada nas escolas para fazer um projeto de educação científica cidadã. Os próprios alunos vão botar a mão nos dados sobre o ambiente escolar — não com as informações de saúde mental, porque isso é mais delicado. Não só para desenvolver habilidades estatísticas, o que já é interessante, mas também para eles assumirem uma responsabilidade sobre o que acontece na escola. Queremos eles envolvidos na busca de potenciais soluções de problemas. Fico pensando que, se lá na época em que eu estava angustiada com alimentação, alguém tivesse vindo e me convidado para buscar soluções, isso teria sido transformador.

Como sua formação está presente no trabalho que faz hoje?

Patricia Bado O que está presente em tudo que eu faço é o raciocínio científico — aprendi a questionar tudo, inclusive o meu próprio dado.

Essa é a sua ferramenta então, não a máquina de ressonância magnética?

Patricia Bado Essa é a ferramenta: raciocínio lógico. Por isso estou tão pilhada com o projeto das escolas. Quero ajudar a desenvolver essa ferramenta que elas vão usar durante a vida toda.

O que mudou entre a sua expectativa quando você escolheu essa carreira e a realidade?

Patricia Bado A minha formação foi para a pesquisa, para os dados, e eu sinto falta hoje de ser um pouco mais apta para atuar com o ser humano. Tanto que tenho pensado em agora, depois de ter doutorado, pós-doutorado, começar um curso de psicologia. Quero aprender a lidar de maneira mais próxima com as pessoas.

Que conselho você daria para quem quer seguir seu caminho?

Patricia Bado A vida dá voltas. Muitos caminhos vão se abrir que você não tem ideia de que existem. Tenha um objetivo, mas esteja ciente de que coisas novas e interessantes podem surgir fora dele. Fazer ciência é estar aberto para novas perguntas.

E, vindo de alguém que estudou muito motivação. O que motiva você?

Patricia Bado Eu diria que, atualmente, é sentir que eu estou fazendo alguma diferença. É por isso que quero trabalhar nessa interface entre pensamento científico e educação. Como é que eu uso as coisas que eu sei, que eu aprendi, para transformar a sociedade? Como é que eu ajudo as pessoas a ter pensamento crítico com dados? Isso que está acontecendo é muito grave — essa alienação completa da realidade, esses achismos dominando o debate público. Independentemente de convicção política, como é que a gente cria uma sociedade de pessoas capazes de olhar para evidências de maneira racional?

ESTAVA ERRADO: Uma versão anterior deste texto citava a glicina como o aminoácido administrado em ratos. Na verdade, a entrevistada usava um componente chamado d-serina. A informação foi corrigida às 18h20 de 10 de setembro de 2019.

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