Profissão

Como me tornei engenheiro de som. E a vida entre estúdios

Foto: Reprodução

“A grande escola é a prática, então quanto mais se faz e testa, acerta, erra – essa é a escola e a formação.”

Gui Jesus Toledo é engenheiro de som e produtor musical. Está à frente do selo Risco, que trabalha com nomes como o da banda O Terno, Giovani Cidreira, Luiza Lian, Caio Falcão e Jonas Sá.

Está à frente também do estúdio Canoa, em São Paulo, onde faz as gravações e produz faixas e discos de diversos músicos.

É formado em publicidade pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e foi aprendendo na prática a lidar com as etapas da produção musical e os processos de estúdio, como gravação, mixagem e masterização.

Nesta entrevista, ele comenta sobre os desafios de trabalhar com música, principalmente do ponto de vista da viabilização financeira. Toledo fala também sobre as dificuldades de se manter atualizado e de trabalhar com uma arte que passa por constantes mudanças tecnológicas. Ao mesmo tempo, destaca as partes positivas de colaborar com amigos na música.

Como você chegou a essa carreira? O que te motiva? Por que você a escolheu?

Gui Jesus Toledo Eu sempre gostei muito de ouvir música e todo universo entorno: shows,  estúdio, documentários; por isso sempre acompanhei as bandas e músicos, mas também os produtores, engenheiros, donos de selos. E assim fui  entendendo que eu poderia trabalhar com música sem ser necessariamente  um instrumentista. Quando descobri melhor como a música era feita e gravada, e quais eram os processos de estúdio (gravação/mixagem/masterização) eu me encantei!  Entendi que eu poderia criar junto dos músicos as sonoridades daquelas músicas, mas sem necessariamente tocar um instrumento. Eu então entendi que o estúdio também era um instrumento e que eu poderia tocá-lo!

Como sua formação está presente no trabalho que você faz hoje?

Gui Jesus Toledo  Eu sou graduado em publicidade, que no fundo não tem muito a ver com  áudio e música, mas a faculdade me ensinou a me vender e vender a música que eu faço; e isso é crucial nos tempos modernos de falência da indústria fonográfica e diluição da atenção. Além disso, as noções de marketing que eu aprendi na faculdade me ajudam muito na hora de criar estratégias de divulgação para os artistas com os quais trabalho no meu selo, o Risco.

O que mudou entre a sua expectativa e a realidade?

Gui Jesus Toledo  De alguma forma eu achava que a parte financeira seria um pouco mais fácil e viável, mas acredito que é tão difícil como qualquer outra arte. Eu costumo brincar que a equação financeira da música não é tão literal quanto se ter uma padaria, ou vender um quadro de um artista plástico. Existem algumas formas de remuneração e nem sempre é o dinheiro que está “pagando”. Além disso, a música em específico é uma arte muito atrelada à tecnologia, por isso as mudanças são quase diárias, e isso me ensinou que nunca posso parar, porque se parar alguém passa por cima.

Qual a maior dificuldade da profissão que você escolheu? E qual o melhor aspecto?

Gui Jesus Toledo A maior dificuldade acho que é a questão financeira de fato, pois o  mundo do áudio é um mercado muito caro para se comprar equipamentos, microfones, horas de estúdio são caras, versus que a digitalização da música fez com que fosse possível gravar um disco em casa no seu celular. Resta aos músicos entender qual o impacto da qualidade dos equipamentos, o valor de se ter uma acústica calculada, um engenheiro que sabe o que está fazendo, no resultado final da sua música, e dar o real valor a isso. Soma-se a isso que o mercado “alternativo” de fato é mais escasso financeiramente falando, em termos de montantes que os artistas ganham.

O melhor aspecto é fazer o que ama, criar música que é uma coisa mágica, e “ganhar” bons momentos com seus amigos e parceiros profissionais. Os bons momentos são parte do pagamento de se trabalhar com música!

O que você diria para alguém que está pensando em trabalhar como engenheiro de som?

Gui Jesus Toledo Cola junto da banda dos seus melhores amigos e faça tudo que eles precisarem num primeiro momento, inclusive servir o cafezinho, ajudar com a correia da guitarra, pegar a baqueta do baterista. São nesses  momentos que você vai criar afinidade com os músicos, e isso é essencial para se ter harmonia no momento de registrar/gravar as canções. E também baixar algum software de áudio de graça na internet. Existem alguns cursos de áudio/produção, mas a grande escola é a prática, então quanto mais se faz e testa, acerta, erra, essa é a escola e a formação.

 

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