Foto: Reprodução/Instituto Feira Preta

Profissões

Como me tornei empresária. E a vida entre eventos e reuniões

05 Nov 2018

(atualizado 07/Nov 12h40)

Do desemprego ao sucesso nos negócios, a idealizadora da Feira Preta contou com a criatividade para empreender e cursos especializados

Adriana Barbosa trabalhou em gravadoras e organizações sociais antes de se formar em gestão de eventos pela Universidade Anhembi Morumbi e fazer especialização em gestão de projetos culturais pelo  Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da Universidade de São Paulo. Nesse meio tempo, começou a participar de feiras e mercados alternativos de rua, até que fundou a Feira Preta, em 2002.

No início, a feira, que ocorria na praça Benedito Calixto, em São Paulo, contava com cerca de 40 expositores, que tinham produtos voltados para a estética negra. Hoje, o evento anual reúne algumas centenas de expositores de diversas áreas, como gastronomia, moda e arte, e atrai mais de 15 mil pessoas por edição.

Adriana Barbosa recebeu em 2017 prêmio internacional concedido pelo Mipad (sigla em inglês para os mais influentes afrodescendentes no mundo). Ela foi incluída na lista das 51 pessoas negras com menos de 40 anos mais influentes no mundo, junto com os brasileiros e atores Lázaro Ramos e Taís Araújo.  Na entrevista abaixo, ela conta sobre sua trajetória e dá dicas para quem quer seguir seus passos e empreender.

Como você chegou a essa carreira? O que te motiva? Por que você a escolheu?

Adriana Barbosa Eu comecei a empreender há uns 17 anos. Tive meu início  de profissão na área da música,  trabalhei em duas rádios, produtora de TV e uma gravadora. E foi em meados de 2002 que, para driblar o desemprego, resolvi vender as minhas roupas, montei um brechó de trocas de roupas. Aí, em uma das minhas experiências de feiras e mercados alternativos, resolvi criar a Feira Preta com uma amiga que também estava desempregada. Eu voltei a estudar na universidade tardiamente e fiz cursos relacionados à Feira Preta  que pudessem me dar suporte acadêmico para aquilo que vivia na prática. Sou formada em gestão de eventos com especialização em gestão cultural.

Como sua formação está presente no trabalho que você faz hoje?

Adriana Barbosa A minha formação  acadêmica  está totalmente  relacionada ao meu trabalho. Me especializei em gestão com foco na economia criativa, com um olhar para processos  de criação, produção,  distribuição  e consumo dos empreendedores e artistas negros que se relacionam a Feira.

O que mudou entre a sua expectativa e a realidade?

Adriana Barbosa A realidade  superou a minha expectativa  profissional e de vida. Trabalho e vivo com aquilo em que acredito e consegui chegar a lugares nunca antes imaginados.

Qual a maior dificuldade da profissão que você escolheu? E qual o melhor aspecto?

Adriana Barbosa A maior dificuldade  foi emplacar  o tema racial com o contexto de negócios. Hoje está mais tranquilo falar no tema. Está até em alta falar de afroconsumo e empreendedorismo negro, mas há 17 anos tivemos que abrir a mata, desbravar e trilhar um caminho. Fomos pioneiros no tema no Brasil. Embora empreendamos há pelo menos 130 anos, quando houve o processo de libertação dos escravizados.

O que você diria para alguém que está pensando em trabalhar como empresária?

Adriana Barbosa Foco, perseverança e resiliência. Empreenda em suas histórias - seja em uma empresa mesmo, seja em um negócio. É preciso ter espírito empreendedor para trilhar um caminho de êxito e de propósito. E para isso precisa de planejamento,  dedicação,  estudo, estar disponível para se relacionar com a diversidade de ideias e de pessoas. Sem trabalho e dedicação para essa vida não há êxito, só há sobrevivência e precisamos transcender  a questão da sobrevivência, da necessidade e da sevirologia (arte de se virar em contextos  de escassez).

 

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