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Profissão

Como me tornei bióloga marinha. E a vida no mar

Foto: Arquivo pessoal

Mariana Fuentes pesquisa tartarugas marinhas há 20 anos em diferentes países. Ela aprecia a falta de rotina e destaca os diversos caminhos possíveis dentro da profissão

A princípio Mariana Fuentes queria ser veterinária de animais selvagens na África, mas acabou optando por pesquisar a fauna do oceano. Há 20 anos trabalha com tartarugas marinhas, em países como Brasil, Barbados, Madagascar e Quênia. Fez graduação, mestrado e doutorado na James Cook University, na Austrália, e hoje é professora na Florida State University, nos Estados Unidos.

A bióloga marinha aprecia a falta de rotina em sua profissão, transitando entre pesquisas de campo em lugares paradisíacos, reuniões políticas para discutir a questão das tartarugas marinhas e trabalho docente ou burocrático na universidade.

Como você chegou a essa carreira? O que te motiva? Por que você a escolheu?

Mariana Fuentes Escolhi a biologia marinha por causa do meu amor pelo oceano e sua liberdade inerente. Devo admitir que não sabia o que estava me tornando e qual seria o meu caminho quando eu comecei. Tudo o que eu sabia era que tinha uma curiosidade sobre como as coisas funcionavam e que eu adoraria descobrir e entender seus sistemas complexos. Originalmente, eu queria ser uma veterinária de animais selvagens de grande porte na África, mas depois de ter sido perseguida por um elefante no Zimbábue quando tinha 16 anos, essa não era mais uma opção. Naquele mesmo ano, viajei para as Ilhas Cayman, onde levei um beijo dolorido de uma arraia manta, e comecei a ponderar sobre a possibilidade de ser uma bióloga marinha. Tive a oportunidade de ir para a Austrália para fazer a graduação e o mestrado. Durante esse período, fiz um estágio no Projeto Tamar e nunca mais olhei para trás. Faz 20 anos que trabalho com tartarugas marinhas. Desde então, trabalhei em Barbados, Madagascar, Quênia e vários outros países. Agora sou professora na Florida State University e viajo pelo mundo realizando pesquisas sobre tartarugas marinhas.

Como sua formação está presente no trabalho que você faz hoje?

Mariana Fuentes Sendo professora, minha formação acadêmica está intrinsecamente relacionada com tudo que faço hoje.

O que mudou entre a sua expectativa e a realidade?

Mariana Fuentes Todos os biólogos marinhos imaginam uma carreira em uma bela praia ou belo oceano, passando horas pesquisando. Atualmente, passo meus dias ensinando, ou no escritório escrevendo projetos e artigos. Dito isso, me sinto extremamente feliz de ter um portfólio de pesquisa forte e ainda realizar bastante trabalho de campo.

Qual a maior dificuldade da profissão que você escolheu? E qual o melhor aspecto?

Mariana Fuentes A academia é um lugar desafiador; você está sempre sendo julgado e avaliado. Aprendi a fazer de todos os "julgamentos" um aspecto positivo da academia. Atualmente, isso me guia e me oferece uma ótima oportunidade para aprender. O que mais amo da minha profissão é a flexibilidade e a variedade: num dia, posso estar ensinando estudantes de graduação, no outro, me reunindo com pessoas envolvidas em projetos de cuidado às tartarugas marinhas e, em outro, posso estar em uma ilha remota fazendo pesquisas.

O que você diria para alguém que está pensando em trabalhar com biologia marinha?

Mariana Fuentes Tente aprender sobre a realidade multifacetada de ser um biólogo marinho. Existem muitos caminhos diferentes que você pode seguir e áreas em que pode trabalhar. Se possível, tente atuar como voluntário e aprenda o máximo que puder, para que você tenha uma melhor compreensão das variadas possibilidades.

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