O truque de Wajngarten ao eximir Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/REUTERS

    O truque de Wajngarten ao eximir Bolsonaro

    Ex-secretário de Comunicação operou uma assombrosa prestidigitação ao falar sobre a gestão desastrosa na pandemia, já que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e sua equipe não davam um passo sem contar com a anuência do presidente

    Ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten deu à revista Veja uma curiosa, senão capciosa, entrevista. Nela, atribuiu à equipe do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, todas as responsabilidades pelo descalabro sanitário vivido pelo país, em particular no que concerne à compra de vacinas – e mais particularmente ainda, vacinas da Pfizer, aquelas que o presidente da República cogitou poderem transformar as pessoas em chimpanzés ou jacarés.

    Ao lançar suas invectivas sobre o time do general da ativa tornado ministro interino da Saúde e, depois, convertido em titular da pasta, Wajngarten operou uma assombrosa prestidigitação. Primeiro, ao ser questionado sobre a performance de Pazuello nos dez meses em que ficou no cargo, o ex-secretário de Comunicação saiu pela tangente, dizendo que seria leviano tratar do general, pois mal falava com ele. Segundo, ao ser inquirido sobre as incumbências de Jair Bolsonaro nessa história, Wajngarten afirmou, peremptoriamente, que “o presidente Bolsonaro está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido”. “Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto”, disse o ex-secretário.

    E por que a fala de Wajngarten se trata de um ilusionismo mambembe? Primeiramente porque a equipe do general no Ministério da Saúde foi formada, como se sabe, por uma penca de militares – tal como ele. E Pazuello, como general de três estrelas na ativa, era não só o chefe político dessas pessoas no ministério, mas também tinha sobre elas ascendência derivada da hierarquia castrense, tão prezada entre homens das casernas. Em segundo lugar porque – como também é notório – Pazuello não era um oficial da ativa qualquer, mas um general lambe-botas, que definiu da seguinte forma sua relação com o presidente: “Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece”, para regozijo de um risonho Bolsonaro postado a seu lado.

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