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Dra·ma

“O amor é essencial parte do drama, porque o drama é a vida, e o amor é essencial parte da vida”, escreve o português Almeida Garrett no prólogo à primeira edição da peça “O alfageme de Santarem” (1842). Dentro do “drama” está o verbo “amar”, a “dama” e a “arma”: e estão dados os elementos para que ocorra uma ação dramática.

Segundo o dicionário Houaiss, a palavra “drama” data de 1713. Passando pelo latim “drāma”, vem do grego “dráma” no sentido de “ação, tragédia (peça de teatro)”. Em sua “Poética”, Aristóteles aponta a etimologia do termo para os “dróntas”, “agentes”, e para o verbo “dran”, que seria usado pelos dórios com o sentido de “fazer”. Se “poesia é imitação”, escreve, o drama teria seu próprio “modo” de imitar, isto é: com a ajuda de pessoas “operando e agindo elas mesmas”. São os atores que vemos quando vamos ao teatro.

Uma definição parecida com a de Aristóteles, de mais de 2.000 anos atrás, está no Houaiss: o drama é uma “forma narrativa em que se figura ou imita a ação direta dos indivíduos”. Hoje chamamos de drama qualquer obra literária, peça teatral ou filme de caráter grave com eventos “compatíveis com os da vida real”, citando agora o Aulete. Em outras palavras, de volta ao Garrett, “o drama é a vida”.

“Viver um drama” é passar por uma situação difícil, e “sentir o drama” é entender sua gravidade. Já “fazer drama” é exagerá-la. Um grande drama é um “dramalhão”. Em inglês, a pessoa dada a reações emocionais é uma “rainha do drama”: “drama queen”. Uma expressão análoga a “fazer drama”, muito corrente no Brasil hoje, é “fazer mimimi”, vulgarmente usada para deslegitimar opinião e sofrimento alheios. Mas nem toda reclamação é um exagero. E acabar com o mimimi não resolve a tragédia, o drama, o conflito da ação que o motivou.

Sofia Mariutti 

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