Xa·drez

O jogo de xadrez está mais próximo do que imaginamos do Chaturanga Dandassana, aquela postura de ioga também chamada de “prancha baixa”, em que o corpo fica paralelo ao chão, apoiado sobre os pés e as mãos. Passando pelo árabe “xaṭrandj”, a palavra “xadrez” chegou ao português no século 14, a partir do sânscrito “chaturanga”, que quer dizer literalmente “os quatro membros” e serve, por analogia, para as quatro antigas divisões do exército indiano originalmente representadas no jogo: elefantes, cavalaria, carruagem e infantaria.

Hoje as chamamos de bispos, cavalos, torres e peões: o corpo militar que cerca o rei e a rainha. No célebre xadrez da Bauhaus, criado em 1924, as peças perderam seu caráter simbólico e ganharam uma forma correspondente à sua função no tabuleiro, conforme os pressupostos da escola alemã. O cavalo, por exemplo, é um L; o bispo é um X; e a rainha é uma esfera, traduzindo a liberdade de movimentos da peça.

Xadrez é um jogo. Por metonímia, é o tabuleiro desse jogo. Por extensão, no século 17, passou a designar o padrão quadriculado que imita esse tabuleiro, usado por exemplo em tecidos. No Brasil, serve ainda informalmente para falar da cela penitenciária, cujas grades lembram o desenho do tabuleiro, e para a cadeia em geral. Isso tudo como substantivo de plural esquisito: xadrezes. Como adjetivo, xadrez qualifica o que traz esse desenho quadriculado. É o caso do frango xadrez, tipicamente chinês, cortado em cubos e misturado com legumes.

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Sofia Mariutti é poeta e tradutora. Trabalhou como editora na Companhia das Letras entre 2012 e 2016. Em 2017, lançou pela Patuá a reunião de poemas “A orca no avião”, seu primeiro livro. Mestranda em literatura alemã pela USP, trabalha em 2019 na tradução da biografia de Franz Kafka para a editora Todavia.

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