Ver·ti·gem

A vertigem é um movimento sem movimento. Pode ser a sensação de que a Terra parou e você continuou girando ou que, pelo contrário, a Terra acelerou e você, de repente, ficou para trás. A palavra tem a mesma raiz que “wrong”, “errado” em inglês (do protoindo-europeu “*wer-”). Um dicionário diz que, figurativamente, a “vertigem" é uma “loucura momentânea, tentação súbita, ato impetuoso de irreflexão”. Ela pode ser uma forma de erro, pode ser uma forma de desrazão. Vem de “vertere”, mesmo lugar que os “versos” da poesia.

A vertigem dá voltas — como os versos dos poemas, que param numa linha só para recomeçar na de baixo. Em latim, “vertere” significava “virar”, “voltar”, “trocar” e também “traduzir”. Quando traduzimos, vertemos uma língua em outra, como se verte a água de uma jarra para um copo. Traduzir pode ser uma maneira de fazer as palavras derramarem.

A vertigem verte e derrama. Um fragmento de poema de Safo dirige-se à deusa Afrodite (chamada por um de seus nomes menos conhecidos, “Cípris”) e diz:

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