Ver·da·de

Não existe um verbo para a “verdade”. Para a mentira é fácil: “mentir”. Eu minto, tu mentes e ele mente mais que nós dois juntos.

Podemos “crer” ou “acreditar” numa verdade, “jurar” por ela, “assegurar” que esta, e não a outra, é a verdade verdadeira; podemos “garantir” que é verdade, “argumentar" em prol dela, e fazer tantas outras acrobacias quanto nossa mente e o limite dos fatos permitirem. Nenhum dos nossos verbos dá conta de “verdadear” uma verdade.

Para Montaigne, a verdade é como o centro de um alvo; atiramos nossas flechas em direção a ele, mas é mais fácil errar do que acertar. A verdade está lá, em algum lugar além de nós e bem no meio de muitas outras coisas que não são ela.

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Sofia Nestrovski é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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