Co·pa

“Copa” é uma coisa abstrata: é um contorno, um formato. Serve para nomear muitas coisas: as copas das árvores; a parte de cima do chapéu; as taças e troféus; o naipe do baralho (o desenho que hoje vemos como um coração originalmente fazia referência a folhagem e frutas). Olhando para todos assim, podemos ver uma espécie de desenho em comum. Existe até um verbo, “copar”, para quando as coisas assumem a forma de uma copa — quando elas se arredondam ou ficam abauladas. Pode-se dizer que uma pessoa tem os “cabelos copados”, por exemplo.

Existem também as “copas” ao lado das cozinhas, bem como os “copeiros" e as “copeiras" que trabalham nelas; mas por que razão têm esse nome, não se sabe ao certo. Talvez seja por associação com os objetos que são guardados na “copa”, como as taças e os copos, ou até mesmo os “barris” e “tonéis” — era a esses últimos que a palavra “cupa” se referia em latim.

A “Copa do Mundo” de futebol é chamada assim por causa da taça entregue ao vencedor no final. Em jornais antigos, era mais comum referir-se ao evento como "taça do mundo" do que "Copa do Mundo" — como na marchinha da copa de 1958, na Suécia, que dizia “a taça do mundo é nossa/ com brasileiro não há quem possa”.

Talvez por influência de línguas estrangeiras, passamos a chamar o evento exclusivamente de “copa do mundo”. Em inglês, por exemplo, é “world cup”— “cup”, como muitas palavras da língua inglesa, veio do francês, “coupe”. “Coupe” em francês é feminino, “la coupe”, que significa “taça” — no masculino, “le coup”, é “golpe”.

E “futebol” é um aportuguesamento do inglês “football”, “bola-pé”. “Pé” e “foot” vêm da raiz “*ped-” do protoindo-europeu. É dela também que saiu o “impeachment” (passando pelo latim tardio “impedicare”, de “in” + “pedica”: “em” + “algemas”, “grilhões”), bem como os “impedimentos” do jogo.

Sofia Nestrovsky é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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