Tra·ba·lho

Existem duas hipóteses para a origem de “trabalhar”. A primeira, mais amplamente aceita, traça um caminho de volta ao latim vulgar “tripaliare”: significa “torturar”. Remonta ao “tripalium”, um instrumento de tortura; de “tria” + “palus”, “três estacas”. “Palus” vem do protoindo-europeu “*pag-”, que significa fixar algo — por acaso, é de onde vieram a “paz” e o “pagamento”.

A segunda hipótese para “trabalho”, proposta pelo filólogo Walter Skeat, remonta ao verbo latino “*travare” (o asterisco indica que o termo não foi comprovado, e sim deduzido). Segundo ele, “travare” seria como nosso “travar”, e viria do latim vulgar “*barra”. Em inglês, “*barra” gerou “embarrass”: “envergonhar”, “constranger”, colocar uma barra no meio do caminho da pessoa — ou, melhor dizendo, da sua autoestima.

Coincidência: Skeat relaciona “*travare” ao termo protoindo-europeu “*terkw-”. A princípio, significa “torcer”; mas é também a origem de “torturar”. Por dois caminhos diferentes, chega-se ao mesmo ponto.

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Sofia Nestrovski é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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