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Ca·lor

Todas as pessoas, ou quase todas as pessoas, concordam que 40 graus é febre, que a água entra em ebulição a 100°C quando está a nível do mar, e que congela a zero. O ouro ferve a cerca de 3.000°C e experimentos dizem que o núcleo do Sol chega a 15 milhões de graus Celsius. São dados que não mudam de acordo com a opinião do observador.

Mas até o século 18, quem dissesse “quente" ou “frio" não teria como explicar de maneira precisa quão quente, quão frio. Ainda não tínhamos inventado a abstração das unidades de medida de temperatura, que traduzem fenômenos táteis em números (no século 17, Galileu e alguns outros haviam começado a produzir termômetros e barômetros, mas sem medição numérica).

Em 1701, porém, dois cientistas que não se conheciam chegaram praticamente ao mesmo tempo a uma solução: Isaac Newton e Ole Christensen Rømer publicaram as primeiras escalas de temperatura, mais de duas décadas antes de Fahrenheit (1724) e quatro antes de Celsius (1742). O zero de Newton é a temperatura do ar no inverno na Inglaterra ou “quando a água começa a congelar” – ela ferve a 34 graus newtonianos. Sua escala diz que o máximo a que um termômetro chega quando em contato com um corpo humano é 12 graus, e ao meio-dia no verão, a temperatura é de 6 graus newtonianos.

O que Newton chamou de “6 graus”, os gregos antigos chamaram de “kauma” – palavra que, passando pelo latim, chegou em português bastante parecida, “calma”. Significa “o grande calor”, ou o calor do meio-dia. Vem do verbo grego “kaiein”, “queimar” (donde “cáustico”, "o que queima”). “Calor” também se escreve “calor” em latim, já “quente" era “caldus” (já a etimologia de “sopa" é incerta).

Sofia Nestrovsky é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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