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Ri·que·za

Numa noite de data incerta, o faraó do Egito sonhou com sete vacas gordas saindo de um rio. Em seguida, sete vacas magras apareceram, e devoraram as primeiras. O faraó acordou e dormiu novamente. Teve um segundo sonho: de um mesmo pé, cresceram sete espigas saudáveis. Em seguida, brotaram dele sete espigas doentes. As espigas doentes devoraram as espigas saudáveis. Então o faraó acordou.

Quando nenhum dos adivinhos do Egito soube decifrar o significado dessas imagens, o faraó mandou soltar um hebreu que estava preso, e que lhe disseram entender os segredos dos sonhos. Chamava-se José. Ele revelou ao faraó: os dois sonhos eram o mesmo, e indicavam que o Egito teria sete anos de riqueza e logo depois, sete anos de miséria.

A história é narrada no livro de Gênesis — é a partir dela que tiramos a expressão “tempo de vacas magras”. Ela conta que José havia chegado no Egito após ser vendido como escravo por seus irmãos, por apenas 20 moedas de prata. Segundo algumas tradições medievais, José é o profeta do planeta Vênus, que rege a imaginação. “As coisas imaginadas por quem dorme são chamadas de sonhos”, diz uma enciclopédia dos sonhos escrita no século 19.

Sonhar com riquezas adquiridas é mau agouro: aos homens de negócios, significa graves perdas; aos marinheiros, furacões; aos amantes, inconstância. Mas, segundo o mesmo livro, sonhar com forcas, ou que se está sendo enforcado, atrai riqueza.

A palavra vem do gótico “reiks”, significa “poderoso” ou “rei”. “Pequeno rei” é a tradução do nome “Basilisco”, uma serpente fantástica dos antigos gregos. Sonhar com serpentes, segundo o adivinho grego Artemidoro, é sinal de força e juventude, porque elas trocam de pele e tornam-se jovens. Mas é também sinal de riqueza: as serpentes, ele diz, guardam tesouros.

Sofia Nestrovsky é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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