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Com·pu·ta·dor

Henrietta Leavitt, Annie Jump Cannon, Antonia Maury e Williamina Fleming foram computadoras em Harvard. Na passagem do século 19 ao 20, fizeram parte da equipe exclusivamente feminina comandada por Edward Pickering no observatório astronômico da universidade. “Computador” ou “computadora" era o nome oficial de uma profissão bastante necessária para que as ideias abstratas das ciências pudessem seguir sendo alimentadas por dados empíricos ultraprocessados. Alguém tinha que processá-los, de preferência alguém que aceitasse trabalhar recebendo muito abaixo da média salarial.

As computadoras de Harvard trabalhavam seis dias por semana, ganhando entre US$ 0,25 e US$ 0,50 por hora, na função minuciosa e repetitiva de observar fotografias do céu estrelado e registrar suas observações. Faziam os cálculos necessários para determinar tamanho, distância, idade e composição dos corpos celestes. Em cerca de dez anos, compilaram mais de 500 mil dessas fotografias e suas respectivas anotações, fatias do universo com eventuais interferências terráqueas.

As computadoras costumavam trabalhar em duplas, uma com a foto em mãos, ditando suas observações para outra, que as anotava num caderno. Foram elas que primeiro estabeleceram um método preciso para medir distâncias intergalácticas e calcular o tamanho do universo; mais tarde, graças a esse trabalho, Edwin Hubble pôde fazer as contas que comprovaram: o universo está em expansão. As computadoras também descobriram a nebulosa Cabeça de Cavalo, em Órion (a 1500 anos-luz da Terra) e as estrelas pequenas e quentes chamadas de Anãs brancas.

“Computadora” e “computador” vêm do latim “computare”, junção da preposição “cum” e o verbo “putare”. Ou seja, “computar” é “pensar com”, “pensar junto”.

Sofia Nestrovsky é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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