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Jus·ti·ça

Justiça veio do latim “justitia” quase sem modificações para as línguas modernas, justiça, “justice”, “justicia”. “Giustizia”, em italiano, é a que parece mais distante, mas soa quase como português.

A justiça é muda. Já o juiz fala — a palavra é um composto de “jus”, direito, com “dex”, de “dicere”, dizer. O juiz é quem diz o direito. Justiceiro, diferente de juiz, não fala pela justiça, mas faz a justiça, acredita até mesmo ser a justiça, um milagre da encarnação.

Os Mutantes, que sabiam que o estapafúrdio só pode ser dito em portunhol, entenderam bem os justiceiros. “El justiceiro cha-cha-cha” é como todo aquele que confunde a própria existência com a abstração “Justiça” deveria ser chamado. E diante de quem continuar dizendo ou pensando “la justicia soy yo”, a solução é sair de cena dançando salsa. De justiceiros e de injustiça, é importante saber ficar longe.

Justicia é também um gênero na botânica, nomeado em homenagem ao horticultor escocês James Justice. Existem cerca de 600 espécies de Justicia ao redor do mundo. A Justicia carnea, nativa da América do Sul, é bastante usada em paisagismo porque dá flor o ano todo, não precisa de muito sol e atrai beija-flores. Seu nome popular no Brasil é jacobínia, numa possível referência à Revolução Francesa. Ainda que tenham sido os nobres de Versalhes que ficaram famosos por seus jardins, foram os revolucionários que os abriram para uso público, indiscriminado. A Justicia também vai popularmente pelo nome de “quebra-corrente”.

Sofia Nestrovsky é mestre em teoria literária pela USP e colabora para revistas como Piauí, Quatro cinco um e Cult.

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