O que você sabe sobre os grandes contistas brasileiros? Faça o teste

Neste quiz, o ‘Nexo’ faz perguntas sobre a obra de alguns dos principais autores de contos da literatura contemporânea

    A pandemia do novo coronavírus tirou a vida de um dos maiores contistas que o Brasil teve nas últimas décadas, Sérgio Sant’Anna, morto no domingo (10). Antes dele, morreu de infarto, em 15 de abril, outro importante nome do conto brasileiro, Rubem Fonseca. Ambos, cada um à sua maneira, ajudaram a renovar o gênero e a definir a cara da literatura contemporânea no país, que tem uma rica tradição de histórias curtas.

    Às vezes deixado de lado em relação ao romance, o conto é um gênero único, que se consolida há séculos, passando por autores tão variados quanto Edgar Allan Poe, Jorge Luis Borges e Clarice Lispector. Apesar de curta, é uma narrativa potente, capaz de revelar histórias que vão das situações banais da vida aos principais dramas humanos.

    Neste quiz, o Nexo faz oito perguntas sobre Fonseca, Sant’Anna e outros contistas notáveis da literatura brasileira contemporânea. As perguntas incluem trechos de histórias que estão entre as principais publicada por esses autores. Será que você conhece o trabalho deles?

    “Eu tava pensando a gente invadir uma casa bacana que tá dando festa. O mulherio tá cheio de joia e eu tenho um cara que compra tudo o que eu levar. E os barbados tão cheios de grana na carteira. Você sabe que tem anel que vale cinco milhas e colar de quinze nesse intruja que eu conheço? Ele paga na hora.

    Quem escreveu o conto “Feliz ano novo”?

    Rubem Fonseca
    Marcelo Rubens Paiva
    João Antônio

    “Me acuda, ó Deus. Não a vergonha, Senhor, chorar no meio da rua. Pobre rapaz na danação dos vinte anos. Carregar vidro de sanguessugas e, na hora do perigo, pregá-las na nuca? Se o cego não vê a fumaça e não fuma, ó Deus, enterra-me no olho a tua agulha de fogo. Não mais cão sarnento atormentado pelas pulgas, que dá voltas para morder o rabo.”

    Quem escreveu o conto “Vampiro de Curitiba”?

    Sérgio Sant'Anna
    Dalton Trevisan
    João Ubaldo Ribeiro

    “Léo: Você viu o negócio do João Gilberto?

    O autor: Que que foi, não deu o show?

    Léo: É.

    O autor (sorridente): Eu já esperava. No Canecão, com aquele som do Canecão, eu já esperava.

    Léo: Mas e o espírito profissional?

    O autor (categórico): Se fosse outro qualquer, ainda vá lá. Podia dar um show mais ou menos, só pras pessoas verem o espetáculo, o ídolo. Mas João Gilberto, não. João Gilberto é a nota musical, o som. Ele só existe nesta medida.”

    Quem escreveu “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”?

    Otto Lara Resende
    Rubem Braga
    Sérgio Sant'Anna

    “Raras são as vezes que, nas conversas de amigos meus, ou de pessoas das minhas relações, não surja esta pergunta. Teria morrido o pirotécnico Zacarias?

    A esse respeito as opiniões são divergentes. Uns acham que estou vivo — o morto tinha apenas alguma semelhança comigo. Outros, mais supersticiosos, acreditam que a minha morte pertence ao rol dos fatos consumados e o indivíduo a quem andam chamando Zacarias não passa de uma alma penada, envolvida por um pobre invólucro humano.”

    Quem escreveu o conto “O pirotécnico Zacarias”?

    João do Rio
    Lima Barreto
    Murilo Rubião

    “Por último, dando alarde ao desacato, manejava o taco com uma mão só e dava uma lambujem, um partido de quinze pontos na bola dois. Era escandaloso. Bacalau estava perdendo a linha que todo malandro tem. Não se faz aquilo na sinuca. Vá que se faça dissimulada, trapaça, até furtos de pontos no marcador. Certo, que é tudo na malandragem. Mas desrespeitar parceiro, não.”

    Quem escreveu o conto “Malagueta, perus e bacanaço”?

    João Antônio
    Ana Cristina Cesar
    Ivan Ângelo

    “A mãe tirou o espelho da bolsa e examinou-se no seu chapéu novo, comprado no mesmo chapeleiro da filha. Olhava-se compondo um ar excessivamente severo onde não faltava alguma admiração por si mesma. A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se ‘mãe e filha’ fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso.”

    Quem escreveu o conto “Os laços de família”?

    Clarice Lispector
    Fernando Sabino
    Raduan Nassar

    “— Você quer que eu fique aqui chorando, não é isso que você quer? Quer que eu cubra a cabeça com cinza e fique de joelhos rezando, não é isso que você está querendo? — Ficou olhando para a ponta do dedo coberto de lantejoulas. Foi deixando no saiote o dedal cintilante. — Que é que eu posso fazer? Não sou Deus, sou? Então? Se ele está pior, que culpa tenho eu?

    — Não estou dizendo que você é culpada, Tatisa. Não tenho nada com isso, ele é seu pai, não meu. Faça o que bem entender.

    — Mas você começa a dizer que ele está morrendo!”

    Quem escreveu o conto “Antes do baile verde”?

    Adélia Prado
    Lygia Fagundes Telles
    Rubem Braga

    “Havia o movimento, dança, o suor, os corpos meu e dele se aproximando mornos, sem querer mais nada além daquele chegar cada vez mais perto. Na minha frente, ficamos nos olhando. Eu também dançava agora, acompanhando o movimento dele. Assim: quadris, coxas, pés, onda que desce, olhar para baixo, voltando pela cintura até os ombros, onda que sobe, então sacudir os cabelos molhados, levantar a cabeça e encarar sorrindo. Ele encostou o peito suado no meu. Tínhamos pelos, os dois.”

    Quem escreveu o conto “Terça-feira gorda”?

    Hilda Hilst
    Caio Fernando Abreu
    Nélida Piñon

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