Você sabe quem deu esta entrevista para o Pasquim?

Debochado e provocador, o semanário alternativo foi uma influente voz de contestação durante a ditadura militar. No seu 50º aniversário, o ‘Nexo’ preparou um quiz baseado nas famosas conversas publicadas no jornal

Seis meses depois de o general Artur da Costa e Silva instaurar o AI-5 (Ato Institucional nº 5), o primeiro número do Pasquim aparecia nas bancas do país. Idealizado por um grupo de jornalistas e artistas, a publicação enfrentou o período mais duro da ditadura militar brasileira com humor debochado e abordagem criativa.

O jornal teve sua edição de estreia lançada em 26 de junho de 1969. O veículo de comunicação, que tinha entre seus fundadores o cartunista Jaguar e os jornalistas Sérgio Cabral e Tarso de Castro, surgiu como uma versão brasileira de tabloides underground do exterior voltados às aspirações rebeldes dos jovens dos anos 1960. A publicação foi marcada pelo tom satírico, piadas sexualizadas e críticas ao governo, que a submeteu a constante censura.

Em pouco tempo, o Pasquim se tornou o mais bem-sucedido entre os títulos da imprensa alternativa da época. Ao conseguir tiragens na casa dos 200 mil exemplares semanais, rivalizou com grandes revistas como Veja e Manchete.

A publicação foi incubadora de figuras de destaque da imprensa brasileira, como Millôr Fernandes, Ziraldo, Henfil, Ivan Lessa, Paulo Francis e Ruy Castro. Além de política, a equipe tratou sem constrangimento de temas relacionados aos costumes, como sexo, drogas, divórcio e feminismo, controversos na sociedade brasileira das décadas de 1960 e 1970. Leituras críticas mais recentes sobre a publicação apontam uma tendência à objetificação das mulheres e à reprodução de preconceitos contra homossexuais.

Ao lado da charge, um dos formatos mais bem-sucedidos do Pasquim foi a entrevista — o jornal se diferenciou de outros veículos por adotar um estilo próximo da conversa informal, concentrado na história e na personalidade do entrevistado (em vez de um assunto em pauta), sem edição das respostas na versão final do texto. Ao Pasquim, figuras como Leila Diniz, Elis Regina, Lula e Darcy Ribeiro deram depoimentos com repercussão nacional, marcando a história do país.

O Pasquim fechou as portas em 1991, com a abertura política e o estrangulamento das finanças do jornal, que já não tinha mais a mesma circulação. Em 1990, o tabloide foi homenageado com o samba enredo “Heróis da Resistência”, dos Acadêmicos de Santa Cruz. A publicação ensaiou um retorno no século 21, mas o projeto minguou em 2004.

Neste quiz, o Nexo conta um pouco da história do Pasquim com 10 perguntas sobre as entrevistas do tabloide com personalidades das artes, da política e do esporte. Você sabe quem fez estas declarações?

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