Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Drummond
Estátua de um conhecido poeta mineiro que adotou o Rio de Janeiro
 

O Rio de Janeiro é uma cidade rica em história graças a seu protagonismo no país desde os tempos coloniais. Para além dos momentos históricos e prédios importantes, a memória da cidade traz também uma imensa coleção de personagens singulares. Ao longo dos tempos, muitos cariocas foram responsáveis por inovações em seus campos de atuação, das artes à saúde pública, e que tiveram impacto no Brasil como um todo.

O Nexo preparou um quiz com alguns desses personagens. Na pergunta, oferecemos uma descrição do personagem dada por outra pessoa conhecida. Você então deve dizer a quem se referem as aspas.

“Uma espécie de ‘gunfighter’ da Lapa, fechando bares e enfrentando as terríveis Polícia Especial e D.G.I. (Departamento Geral de Investigações), que enchiam de pavor quem andasse nas ruas, coisa que os garotos da época, na maioria, faziam. E havia o paradoxo aparente de homossexualismo”.

Madame Satã

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Assis Valente

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RESPOSTA: Madame Satã, em texto de Paulo Francis publicado no Pasquim. Personagem icônico da boemia da Lapa dos anos 30, Madame Satã colecionava motivos para ser estigmatizado: era pobre, negro, analfabeto e homossexual. Nascido João Francisco dos Santos, seu sonho era brilhar nos palcos como transformista. Em 1942, desfilou no bloco Caçador de Veados com a fantasia de Madame Satã, inspirada no filme de mesmo nome de Cecil B. DeMille, e ganhou seu codinome. Protegia as prostitutas da Lapa contra agressões ou roubos e frequentemente se via envolvido em problemas com a polícia, mesmo, segundo dizia, quando não tinha feito absolutamente nada de errado. Essa sucessão de confrontos com a lei culminou com uma longa temporada no presídio da Ilha Grande.

“Em 1985 o mito de... já se espalhara pelos cursos de Psicologia. A mulher que havia trocado cartas com Carl Gustav Jung. A psiquiatra que deixara o eletrochoque, o choque insulínico e a amarração de pacientes para trás. A crítica que trouxera a loucura para as artes. Estávamos em plena Abertura, e de todas as faces desse mito, aquela que parecia mais impactante era outra: uma terapeuta que recebia qualquer um que a ela se apresentasse – a ela e aos seus gatos.”

Nise da Silveira

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Bertha Lutz

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RESPOSTA: Nise da Silveira, na descrição do psiquiatra Christian Dunker. Nise nasceu em Maceió e se formou médica na Bahia em 1931, a única mulher em uma turma de 127 homens. Em 33, foi trabalhar como psiquiatra no serviço público no Rio de Janeiro. Acusada de comunismo pelo governo Vargas, foi presa e afastada do cargo por sete anos. Depois de readmitida, começou a desenvolver no Centro Psiquiátrico Nacional uma nova abordagem psiquiátrica que rejeitava práticas tradicionais como lobotomia, eletrochoque e coma insulínico. Criou a Seção de Terapia Ocupacional, com 17 atividades diferentes para pacientes, entre as quais pintura e modelagem. Uma intensa produção surgiu a partir dessas atividades, fornecendo farto material de pesquisa de processos mentais para profissionais no Brasil e exterior e levando à criação do Museu de Imagens do Inconsciente. Ninguém menos que o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung foi um incentivador e interessado em sua pesquisa.

“Nunca escondeu a carga trágica da sua vida, mas sempre uniu a isso uma fala direta, popular sem ser populista. Nunca fugiu da meleca, da baba, da saliva. O que ele diz nos interessa porque gera identificação. Somos nós ali, naquelas falas.”

João Caetano

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Nelson Rodrigues

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RESPOSTA: Nelson Rodrigues, nas palavras de Fernanda Montenegro. Um dos maiores dramaturgos do Brasil nasceu em Recife mas veio para o Rio de Janeiro com 5 anos de idade. Alguns dos textos mais encenados do teatro brasileiro são de sua autoria, entre eles “Vestido de noiva”, “Os sete gatinhos” e “Beijo no asfalto”. O grande foco de sua obra era “a vida como ela é” no cotidiano carioca, em especial a classe média suburbana: suas relações, ansiedades e hipocrisia. Antes de enveredar pelo teatro e pela literatura, Nelson foi jornalista, carreira iniciada como repórter de polícia e que depois evoluiu para cronista esportivo e colunista sobre tudo. Trabalhou em veículos como “O Globo”, “Última Hora”, “Correio da Manhã” e revista “O Cruzeiro”. Com o pseudônimo de Suzana Flag, escreveu folhetins como “Meu Destino é Pecar” e “Escravas do Amor”.

“A plateia é, virtualmente, dominada pelo magnetismo de..., que ocupa o palco como se estivesse se apropriando do que sempre lhe pertenceu. Mas essa força teatral não se pode atribuir apenas a um talento brilhante, mas a uma preparação técnica como poucos atores brasileiros têm possibilidade de acumular”.

Bibi Ferreira

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Maria Della Costa

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RESPOSTA: Bibi Ferreira, resenhada pelo crítico teatral Macksen Luiz. Registrada na certidão como Abigail Izquierdo Ferreira, a carioca Bibi nasceu no Rio de Janeiro em 1922. Filha do ator Procópio Ferreira, ganhou intimidade com o palco desde cedo. Até os 14 anos, participou de óperas e balés, fazendo parte do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Quando foi para o teatro, ainda adolescente, engatou uma carreira marcada pelo reconhecimento de público e especialistas. Na década de 1950, se tornou diretora da Companhia de Comédia do Theatro Municipal do Rio. Pelas décadas seguintes, assinaria diversos trabalhos como atriz e diretora, em peças, musicais e televisão. Nos anos 1980, realizou um de seus trabalhos mais memoráveis, quando viveu a cantora francesa Edith Piaf em “Piaf, A Vida de Uma Estrela da Canção”. Bibi permanece na ativa ainda hoje em dia, aos 94 anos.

“Cidadão de curiosidade voraz, transeunte, pedestre e flâneur, numa metrópole em convulsionada transformação. Ao optar pelo jornalismo, aos 18 anos, o autodidata Paulo Emílio Cristóvão Barreto, nascido em 1881, carioca da Rua do Hospício, filho de pai gaúcho positivista e mãe mulata, foi também ‘Caran d’Ache’, ‘X’, ‘Claude’, ‘Joe’, ‘Paulo José’, alternando-se no conveniente exercício de sua polivalente pena, como dramaturgo, crítico de arte e de literatura, contista, tradutor e romancista. ”

Olavo Bilac

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João do Rio

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RESPOSTA: João do Rio, em texto de Nirlando Beirão. Cronista, contista, dramaturgo e jornalista, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto veio ao mundo no Rio de Janeiro em 1881. Foi o cronista por excelência da Belle Époque carioca, da cidade que buscava se modernizar, rasgando avenidas largas em uma tentativa de se tornar uma Paris dos trópicos. Dos vários pseudônimos adotados, acabou eternizado com aquele que levava o nome de sua cidade. Tomou para si a missão de ser um “flaneur” tropical, versão carioca dos dândis europeus, perambulando pelas ruas em permanente e empolgada observação: “Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem”, escreve na introdução de “A Alma Encantadora das Ruas”. Mulato e homossexual, seus muitos desafetos nunca lhe tiraram o ímpeto de ser aceito pela sociedade estabelecida. Depois de algumas tentativas, foi finalmente aceito como membro da Academia Brasileira de Letras, em 1910.

Era uma mulher bem humorada, o que é possível notar pela leitura de suas cartas aos pais. Depois, uma mulher determinada e apaixonada pelo marido, porém com personalidade forte. Era mandona, leonina, e poucos contestavam sua autoridade.”

Princesa Isabel

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Nisia Floresta

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RESPOSTA: Princesa Isabel na descrição da jornalista Regina Echeverria. A responsável pela Lei Áurea, que em 1888 findou a escravidão no Brasil, nasceu no Rio de Janeiro em 1846. Batizada de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, foi a segunda filha de dom Pedro 2o depois do primogênito Affonso Pedro, que morreu aos dois anos de epilepsia. Se tornou a herdeira ao trono aos quatro anos, depois que o terceiro filho de Pedro 2o, Pedro Afonso, morreu com pouco mais de um ano de idade. Tinha apenas mais uma irmã, Leopoldina. Isabel se aproveitou de uma ida do pai ao exterior para assinar a lei abolicionista, uma vez que o imperador provavelmente ainda demoraria a fazê-lo devido a suas relações com fazendeiros. De acordo com a jornalista Regina Echeverria, autora de A História da Princesa Isabel – Amor, liberdade e exílio”, a princesa “enfrentou os perigos durante o movimento abolicionista, escondendo escravos fugidos até mesmo dentro do Palácio de São Cristóvão.”

“Ele sabia o que fazer para combater as epidemias que então assolavam o Rio de Janeiro e sustentava os seus pontos de vista mesmo contra os luminares da Faculdade de Medicina, que comandavam a medicina naquela época na cidade. De outra parte, ele sabia que tinha que organizar o trabalho de saúde pública para obter resultados a curto prazo.”

Oswaldo Cruz

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Carlos Chagas

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Oswaldo Cruz, descrito pelo escritor Moacyr Scliar. Na revolução urbana pelo qual passou o Rio de Janeiro do início do século 20, Oswaldo Cruz teve papel fundamental. O médico e sanitarista, nascido em 1872 em São Luís do Paraitinga, interior de São Paulo, liderou campanhas pela saúde pública que tinham como objetivo erradicar doenças como febre amarela e varíola. Em 1901, Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor Geral da Saúde Pública da cidade. Foi pioneiro da pesquisa científica no Brasil ao publicar artigos sobre microbiologia. Duramente criticado pela imprensa e por políticos por seus métodos, como a vacinação obrigatória, considerados agressivos. Com a chegada de uma nova epidemia de varíola, em 1908, a população reconheceu e passou a valorizar seu trabalho. Foi diretor do Instituto Soroterápico Federal durante 14 anos, que depois se tornou o Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos.

“Na música, e mais especificamente no mundo do samba, os compositores são majoritariamente homens. E esse é um papel importante porque, no Brasil, o compositor goza de um papel de intelectual. Quando... se consagra, e suas músicas de sucesso são cantadas por grandes nomes não só do mundo samba, ela extrapola para um espaço que a princípio era negado às mulheres pelas relações sociais de gênero.”

Alaíde Costa

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Ivone Lara

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RESPOSTA: Ivone Lara, na descrição da jornalista Mila Burns autora da biografia “Nasci Pra Sonhar e Cantar”. Órfã desde os seis anos, dona Ivone Lara, amplamente reconhecida como a Rainha do Samba, é de Botafogo. No colégio interno foi aluna de Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga, que reconheceram o talento da menina e a indicaram para o Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, cujo regente era Heitor Villa-Lobos. Seu primo foi um dos fundadores da Império Serrano, em 1947, escola para a qual passou a compor e desfilar. Devido ao preconceito contra as mulheres, ocultou a autoria de suas primeiras composições, deixando seu primo Mestre Fuleiro assinar em seu lugar, para que fossem aceitas. Com o tempo, foi reconhecida. Foi a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de uma escola de samba e a criar um samba-enredo. Paralelamente ao samba, concluiu os estudos de enfermagem e trabalhou em hospitais psiquiátricos, incluindo um período junto com a doutora Nise da Silveira.

És libérrima e exata / Como a concha, / Mas a concha é excessiva matéria, / E a matéria mata… és tão forte e tão frágil / Como a onda ao termo da luta, / Mas a onda é água que afoga: / Tu, não, és enxuta.”

Ana Cristina César

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Cecilia Meireles

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RESPOSTA: Cecília Meireles, nos versos de Manuel Bandeira. Cecília é originária da Tijuca, onde nasceu em 1901. Nos primeiros anos de vida perdeu os pais e os três irmãos. “A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade”, disse certa vez. Meireles publicou o primeiro de dezenas de livros de poesias em 1919, “Espectros”. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Colecionou prêmios e honrarias até o fim da vida, em 1964. Entre elas estão, o convite para ser sócia-honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, e um Prêmio Jabuti, em 1963, por “Poemas de Israel”. “Tenho um vício terrível. Meu vício é gostar de gente. Você acha que isso tem cura? Tenho tal amor pela criatura humana, em profundidade, que deve ser doença”, disse em entrevista ao jornalista Pedro Bloch, em 1964.

Sua maior qualidade era a generosidade. Quanto ao maior defeito, talvez fosse aquele de não aceitar o defeito da vida, que transforma a cor do amor ao longo do tempo. Não perdoava a vida por isso, e se machucou tantas vezes na busca constante da própria paixão... Para ele, a paixão devia ser perene.”

João Gilberto

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Vinicius de Moraes

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RESPOSTA: Vinicius de Moraes, na descrição de Toquinho. Um dos maiores nomes da música e poesia brasileira do século 20 nasceu no Rio de Janeiro em 1913 como Marcus Vinicius de Moraes. É de se autoria, ao lado de Tom Jobim, uma das canções brasileiras mais reconhecidas em todo o mundo, “Garota de Ipanema”. Vinicius foi também jornalista, dramaturgo, roteirista e diplomata. Em 1943, passou no concurso do Itamaraty e iniciou sua carreira na diplomacia, que durou até 68, quando foi exonerado. Serviu em postos em Los Angeles, Paris e Montevidéu. Na música, realizou parcerias com Tom Jobim, Toquinho, João Gilberto, Edu Lobo e outros. Casou-se nove vezes em sua eterna busca pela paixão, conforme descrita por Toquinho. Por sua obra e vida pessoal, encarnou como poucos um espírito boêmio-carioca-ipanemense, tão característico do Rio dos anos 1960 e 70.

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