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di cavalcanti semana
Ilustração de Di Cavalcanti para a capa do catálogo da Semana de Arte Moderna de São Paulo, de 1922
 

Durante a segunda semana de fevereiro em 1922, aconteceu em São Paulo um evento que acabou se tornando um marco na história do país. Entre os dias 11 e 18 daquele mês, esteve aberta a exposição da chamada Semana de Arte Moderna. Além das mostras de pintura e escultura, o evento também contou com festivais em três dias cuja programação incluía palestras, declamações de poesia e apresentações musicais.

Os artistas que participaram da Semana de 22 fizeram soar então as ideias do movimento modernista, além de um novo modo de se pensar e fazer arte no Brasil. "O que a cultura brasileira deve ao movimento? Mais do que a vã imaginação supõe”, disse Jorge Schwartz, professor da USP, especialista em vanguardas artísticas.

O Nexo reuniu num quiz algumas obras de arte e trechos literários importantes da fase inicial do modernismo, muitos dos quais foram mostrados ao público na Semana de 22, para testar seu conhecimento sobre o Modernismo brasileiro. Nas respostas, contamos mais sobre a obra e as características que fizeram dela algo inovador para a época.

Que tela é esta? 

“O Homem-amarelo”, de Anita Malfatti

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“Autorretrato II”, de Lasar Segall

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“O Homem-Amarelo”, de Anita Malfatti. É a obra mais conhecida de Anita Malfatti, que pintou diversos retratos durante esse período. Criada em 1916, quando Malfatti morava nos Estados Unidos, traz como modelo um imigrante italiano. Era pobre, com roupas velhas e “expressão desesperada”, ele pediu para ser retratado por Malfatti, conforme contaria depois a artista. De acordo com o crítico Rafael Cardoso, “o personagem foge de qualquer compromisso com a retratística e assume uma dimensão mais ampla e genérica, como figura alegórica”. Ao ver a obra, Mário de Andrade disse: “Estou impressionado com este quadro, que já é meu, mas um dia eu virei buscá-lo”. O “Homem-Amarelo” foi um dos destaques da exposição que Malfatti promoveu em São Paulo, em 1917, objeto de ataque veemente do escritor Monteiro Lobato, no artigo “Paranoia ou mistificação?” Na Semana de Arte Moderna, em 1922, o “O Homem-Amarelo” foi uma das principais obras.

“Daqui a pouco, uma poesia liberta, uma música extravagante, mas transcendente, virão revoltar aqueles que reagem movidos por forças do passado. Para estes retardatários a arte ainda é o belo. Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que o da beleza”. Quem disse isso e em qual contexto?

Oswald de Andrade, no “Manifesto Antropofágico”

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Graça Aranha, em discurso na inauguração da Semana de 22

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Graça Aranha. O escritor segue sua fala dizendo: “A remodelação estética do Brasil (...) será a libertação da arte dos perigos que a ameaçam, do inoportuno arcadismo academismo e do provincianismo.” O modernismo rejeita o “academicismo” e o rigor, tanto na escrita, quanto no traço, associando-os a anacronismos do século 19, ligados a um mundo que não existe mais. Também valoriza a língua falada e o Brasil indígena, nativo e rural. Esta celebração e assimilação de tudo que é brasileiro ajudou a sustentar a “antropofagia”, pilar conceitual do modernismo teorizado por Oswald de Andrade.

Qual o nome da tela abaixo?

“O lago”, de Tarsila do Amaral

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“A cuca”, de Tarsila do Amaral

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“A cuca”, de Tarsila do Amaral. A pintora de “Abaporu” retratou a tradicional figura do folclore brasileiro neste quadro de 1924. De caráter “antropofágico”, foi descrito pela pintora à sua filha como "um bicho esquisito, no meio do mato, com um sapo, um tatu, e outro bicho inventado". Tarsila fez parte do chamado “Grupo dos Cinco” da Semana de Arte de 1922, ao lado de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Ela foi veemente defensora de uma arte brasileira informada pelas vanguardas estrangeiras, mas possuidora de uma estética própria.

De que poema é este trecho?

"Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro”?

“Pronominais", Oswald de Andrade

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“Simplicidade”, Guilherme de Almeida

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“Pronominais”, de Oswald de Andrade. Neste poema de Oswald, considerado um dos autores mais ousados no uso da linguagem entre os modernistas, se coloca de forma bastante clara a intenção do movimento de buscar a linguagem mais coloquial e direta. O “dê-me um cigarro” do início, gramaticalmente correto, escolar, dá lugar à forma preferida da “nação brasileira”: “me dá um cigarro”. Oswald escreveu dois dos manifestos mais conhecidos do movimento modernista, “Manifesto Antropófago” e “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, em que lançava as bases conceituais da “antropofagia”, proposta de incorporação de elementos da cultura estrangeira junto com os da brasileira. O poeta e escritor foi dos principais articuladores do modernismo brasileiro, tendo participado do primeiro grupo do movimento, com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti.

E este trecho, é de qual poema?

“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo”

“Poética”, de Manuel Bandeira

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“Ode ao burguês”, de Mário de Andrade

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“Poética”, de Manuel Bandeira. O poeta nascido no Recife era adepto de primeira hora do movimento, mas não compareceu à Semana de 22. Estava representado por sua obra: um dos pontos altos do evento foi a leitura de seu poema “Os Sapos”, pelo poeta Ronald de Carvalho. Sendo uma ácida sátira ao parnasianismo vigente, foi recebido com vaias de parte do público. Em “Poética”, Bandeira também ataca o movimento antecessor. No estilo exaltado típico de tantas manifestações modernistas, se diz farto da ostentação linguística parnasiana que “para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo”.

Qual é esta escultura e quem a criou?

“Sepultamento”, de Victor Brecheret

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“Emigrantes”, de Lasar Segall

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“Sepultamento”, de Victor Brecheret. A escultura está localizada no Cemitério da Consolação, em Higienópolis, São Paulo. Adorna o túmulo de Olívia Guedes Penteado, filha de barões do café, mecenas do modernismo e amiga de diversos artistas do movimento. Brecheret nasceu na Itália em 1894, mas emigrou para o Brasil com dez anos de idade. Seu ateliê ficava no Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro 2o (hoje Museu Catavento). De proposta estética inovadora, suas esculturas foram expostas na Semana de Arte Moderna, embora ele não estivesse presente no evento. Foi nessa época que surgiu a ideia de erguer um “monumento às bandeiras”, ideia de Menotti del Picchia, para quem a obra faria os paulistas lembrarem dos “heróis de sua terra” por ocasião do centenário da Independência. O escultor desenhou então o monumento, que viria a se concretizar apenas em 1954, nas comemorações do Quarto Centenário da cidade de São Paulo.

O trecho abaixo faz parte de qual poema?

“Como se sente bem recostado no chão!
Ele é como uma pedra, é como a correnteza,
Uma coisa qualquer dentro da natureza,
Amalgamada ao mesmo anseio; ao mesmo amplexo,
A esse desejo de viver grande e complexo
Que tudo abarca numa força de coesão.”

“Cobra Norato”, de Raul Bopp

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“Juca Mulato”, de Menotti Del Picchia

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“Juca Mulato”, de Menotti Del Picchia. É a obra mais conhecida de um nome menos celebrado da Semana de 22. “Juca Mulato” foi lançado em 1917 e obteve grande sucesso de público. Subscreve às intenções do modernismo ao trazer a fala coloquial do personagem que dá título à obra, e pelo tema em si, incomum para o período. Mas não pode ser considerado um integrante por inteiro da nova estética por ainda guardar muito dos recursos poéticos vistos como mais tradicionais. Na história do poema, o Juca Mulato aparece como feliz e satisfeito com as coisas simples que compõem sua vida na fazenda. Uma coisa o aflige, porém: o forte desejo que sente pela filha da patroa. “Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre…”, diz um dos versos deste pequeno clássico da poesia de temática caipira.

Que tela é esta e quem é o seu autor?

“Frevo”, de Candido Portinari

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“Carnaval”, de Di Cavalcanti

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“Carnaval”, de Di Cavalcanti. Amigo de Mário, Oswald e Anita, o pintor e ilustrador carioca foi quem idealizou a Semana de Arte Moderna de 22. No evento, expôs diversas obras, além de desenhar a capa do catálogo e o programa. Sua escolha por temas e uma estética do Brasil “real”, de festas populares de rua, mulatas. figuras da boemia, o encaixou facilmente dentro da proposta modernista. No ano seguinte ao evento, Di Cavalcanti foi a Paris, onde conheceu artistas como Pablo Picasso e Georges Braque.

Qual o nome do poema abaixo e quem o compôs?  

“Costureirinha de São Paulo,
Italo-franco-luso-brasilico-saxônica,  
Gosto dos seus crepusculares,  
15 Crepusculares e por isso mais ardentes,  
Bandeiran temente!”

“Pneumotórax”, de Manuel Bandeira

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“Tu”, de Mário de Andrade

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“Tu”, de Mário de Andrade. Poucos discordariam que o maior nome ligado à Semana de 22 e à primeira fase do modernismo brasileiro foi o paulista Mario de Andrade, que tinha 28 anos à época do evento. Multidisciplinar, Mário de Andrade foi o autor de “Macunaíma”, publicado em 1928 e talvez o título mais conhecido deste movimento. Em 1922, algum tempo depois do evento no Theatro Municipal, lançou “Paulicéia desvairada”, livro de poemas que também aparece como uma das obras fundamentais do Modernismo. De início, o autor deixa clara a natureza anti-convencional da obra dizendo: “Está fundado o Desvairismo. Este prefácio, apesar de interessante, inútil.” Mais tarde, Mário classificaria de forma desdenhosa o livro como o “despejar no papel as sensações acumuladas por sua experiência de homem integrado no ritmo da vida paulista”. Entre os destaques do livro está o poema “Tu”, espécie de diálogo surrealista do poeta com a cidade de São Paulo, a quem ele se dirige usando o pronome pessoal.

Que quadro é este?

“O Mestiço”, de Candido Portinari

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“Mangue”, de Di Cavalcanti

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“O mestiço”, de Candido Portinari. O pintor nascido no interior paulista não chegou a participar da Semana de 22, mas sua obra e temática o posicionam dentro da fase inicial do Modernismo. No final da década de 20, seu talento começa a ser reconhecida, quando ganhou prêmios e uma viagem à Europa. Em “O mestiço”, Portinari retrata o lavrador de cafezal, referência à sua infância em Brodowski, na região de Ribeirão Preto. A pintura é de 1934 e foi comprada no mesmo ano pela Pinacoteca de São Paulo.

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