Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Qual é a música?
Estilos musicais não são categorias científicas
 

Gêneros musicais, suas especificidades e limites, são capazes de manter fãs e especialistas debatendo por horas. Não é uma discussão simples, pois boa parte dos gêneros têm parâmetros bastante elásticos. Basta pensar em tudo que pode ser considerado rock ou pop, ou ambos. Quando se adentra então os subgêneros, como nu metal, hip hop latino ou eurodance, a complicação é ainda maior. E o que dizer da nossa MPB?

Iniciativas heróicas tentaram criar mapas abrangentes para ajudar usuários a entenderem as diferenças. Uma delas é o Everynoise.com, do Echo Nest, plataforma de inteligência que tem origem no Media Lab, do MIT (Massachussetts Institute of Technology) e foi comprada em 2014 pelo Spotify. O nível de subdivisão de categorias é alto, mas nem por isso conclusivo.

A resposta pode ser puramente técnica, baseada em aspectos musicais, como o desenho do ritmo ou o tipo de compasso. Mas, geralmente, tem a ver com um conjunto de parâmetros estéticos, que vão da temática das letras aos timbres usados, e que formam uma linguagem específica. Aspectos como época e localização geográfica também podem contar. Gêneros musicais são, de certa forma, conjuntos de regras. Para alguns estudiosos, entretanto, elas não fazem nenhum sentido científico.

E você, sabe diferenciar gêneros? O Nexo preparou o teste abaixo para avaliar seus conhecimentos musicais. Para deixar um pouco mais difícil, buscamos casos de gêneros que muitas vezes são confundidos.

O som é sensual, para ser dançado preferencialmente em dupla. Quem canta, geralmente está sofrendo por amor

Arrocha

resposta

Sertanejo

resposta

Pagode

resposta

Arrocha. "Porque homem não chora", de Pablo. O sucesso do cantor, expoente do estilo baiano, traz elementos típicos do arrocha como o vocal doce, muitas vezes melancólico ou vulnerável, e as letras que expressam a "sofrência" em nome do amor. Pablo é conhecido como "a voz romântica". Silvano Salles, outro nome forte do gênero, é "o cantor apaixonado". O instrumental do arrocha costuma trazer teclados, metais ou violão bem melodiosos, com influência direta da seresta e da música brega romântica de décadas anteriores. A batida é eletrônica e suave: mesmo ao vivo, os principais cantores de arrocha geralmente não usam baterista. O arrocha pode ser confundido às vezes com canções sertanejas mais românticas e de influência pop, mas o ritmo tem marcação distinta. Além disso, nos últimos dez anos, o arrocha aparece como influência em diversos artistas sertanejos da linha conhecida como "universitária", como Munhoz e Mariano e Luan Santana. Ambos os estilos são marcadamente diferentes do pagode, que é uma variante romântica e amena do samba, sujeita a flertes com pop e R&B.

Cria de ingleses e americanos, esse é o estilo que veio acrescentar peso e loucura brancas à matriz do blues negro

Heavy metal

resposta

Hard rock

resposta

Rock psicodélico

resposta

Hard rock. "Same Old Song and Dance", do Aerosmith, de 1974. Grupos ingleses e americanos brancos passaram a década de 60 deixando os ritmos e harmonias de blues cada vez mais densos e pesados, de Rolling Stones a Jimi Hendrix. Na virada dos 70, já havia se cristalizado uma vertente bem definida, caracterizada por riffs de guitarra encorpados, uso generoso de pedais de efeitos (em especial, o pedal de distorção), bateria alta e retumbante e vocal entre o angustiado e o agressivo. A temática é movida a testosterona: sexo, farra e drogas (com ocasional espaço para desilusão amorosa). O heavy metal nasce do hard rock, em especial das bandas Led Zeppelin e Black Sabbath. Conforme a década de 70 avança, alça voo como estilo próprio: corta o cordão umbilical do blues e segue para uma sonoridade mais dura, áspera e estridente. Já o rock psicodélico também explorou texturas mais pesadas, mas sempre enfatizou a sonoridade "lisérgica", que incluiu instrumentos indianos como cítara, vocais em coro e efeitos de estúdio que procuram simular ou potencializar uma "viagem" de drogas.

Ritmo local brasileiro em que a percussão é um elemento dominante. Sua popularidade é apenas regional

Xote

resposta

Maracatu

resposta

Carimbó

resposta

Carimbó. “Chama Verequete”, de Mestre Verequete. Gênero musical e dança tradicionais do Pará que mesclam influências indígenas e africanas. Tanto em interpretações mais tradicionais, como na música que usamos de exemplo, como em versões mais recentes, o carimbó é dominado por percussão forte. O próprio nome “carimbó” deriva do tambor típico do estilo, chamado de “curimbó”. O ritmo vigoroso desse batuque central serve então como plataforma para outros instrumentos como banjo, reco-reco e flauta. Já o maracatu é apenas percussão, tocada por uma coleção de instrumentos como caixa, gonguê e alfaia, cujo golpe seco é elemento marcante do próprio maracatu. Ele pode ser ouvido aqui. O xote é um ritmo que descende do “schottische” alemão (daí o nome), por sua vez um tipo de polca, e que costuma ser tocado por uma formação em que a melodia fica a cargo da sanfona ou acordeon. Seu desenho rítmico pode ser conferido neste vídeo.

Um dos gêneros afro-americanos mais influentes do século 20, é referência para artistas de diversos países

Blues

resposta

Jazz

resposta

Gospel

resposta

Jazz. “Green Chimneys”, de Thelonius Monk. O ritmo sincopado e solto deste trecho tocado no piano é característico do jazz, um gênero bastante aberto a improviso e experimentação. Além do piano, é comum ouvir em músicas de jazz instrumentos como contrabaixo, saxofone e trompete. Até os anos 40, o estilo predominante dentro do jazz era o “swing”, dançante e animado. Depois, vertentes como bebop, cool jazz e free jazz apostaram na sofisticação e experimentação, procurando atingir o ouvinte mais na cabeça do que nos pés. O ritmo do blues é bem mais simples e circular, com melodias sofridas e vozes lamentosas, e uso frequente da guitarra. O clima, como já diz o nome (“blue”, em inglês, define melancolia), muitas vezes é meditativo e melancólico. Gospel é a música cantada em igrejas protestantes negras dos Estados Unidos, desempenhada por coros de vozes e geralmente bastante emotiva e animadora (o termo foi ressignificado no universo das igrejas evangélicas do Brasil para designar qualquer variação religiosa de um estilo musical).

Estilo de música da América Central amplamente conhecido, referência tradicional quando se fala de música latino-americana

Merengue

resposta

Salsa

resposta

Calipso

resposta

Merengue. “El Gusto”, de Fernando Villalona. O merengue é um gênero originário da República Dominicana. Seu ritmo é marcado pelo uso de uma percussão do tipo chocalho, metais e instrumentos de corda (piano ou violão). Veja exemplo da sua levada aqui. A salsa, um dos estilos latinos mais conhecidos, se originou na verdade em Nova York na década de 60, entre as comunidades cubana e portorriquenha da cidade. A salsa geralmente conta com bandas bem maiores, complexidade maior de arranjos e pode trazer influências de jazz e soul. O seu ritmo, que pode ser entendido neste vídeo, é baseado na “clave” (“chave”, em espanhol), desenho rítmico de cinco batidas que marca uma diversidade de ritmos afrocaribenhos. O calipso é um estilo proveniente de Trinidad & Tobago e por isso geralmente cantando em inglês, enquanto salsa e merengue são sempre em espanhol. No calipso é frequente o uso do “steel drum”, instrumento de percussão típico de Trinidad e que produz sons melodiosos e reverberantes (veja exemplo aqui).

Gênero que é sucesso no Brasil inteiro, mas tem raízes nos morros do Rio de Janeiro

Samba

resposta

Pagode

resposta

Partido alto

resposta

Pagode. “Inaraí”, do Katinguelê. No fim dos anos 70, no Rio de Janeiro, apareceu uma leva de grupos que tocavam em festas de fundo de quintal em casas particulares (os “pagodes”). Seu som era uma versão mais simples e romântica do samba. Liderando a nova onda estava o grupo Fundo de Quintal, que introduziu instrumentos de sua própria criação, como o tantã, o repique de mão e o banjo com braço de cavaquinho, conferindo uma sonoridade própria ao gênero. Nos anos 90, essa vertente tomou uma cara mais acessível e romantizada, se inspirando em gêneros como o pop e o R&B. O samba “tradicional”, chamado muitas vezes de samba de raiz, pode ser descrito como mais festeiro e coletivo, além de se manter fiel aos instrumentos de percussão clássicos do gênero. O partido alto é considerado um ancestral do pagode, sendo um ritmo típico dos terreiros ou quadras de escola de samba, com esquema de chamado e resposta entre o cantor e o coro. Originalmente, muitos de seus versos surgiam de improviso.

Sonoridade da região do Caribe de roupagem moderna e que rapidamente se popularizou por diversos países latino-americanos

Cumbia

resposta

Dancehall

resposta

Reggaeton

resposta

Reggaeton. “Dando Break”, de Tejo Calderón. Surgido em Porto Rico nos anos 90, o reggaeton é um amálgama de hip hop, música latina e reggae. A temática das letras, com bastante sexo, festa e, às vezes, violência, já foi caso de pânico moral em Porto Rico. Com o sucesso internacional, o reggaeton passou a ser muito mais aceito. A batida típica do reggaeton é eletrônica e deriva de um desenho rítmico (“riddim”) usado por músicos jamaicanos chamado “dembow”, nome dado a partir da música “Dem Bow”, de Shabba Ranks. Ranks é um dos expoentes do dancehall, gênero jamaicano pós-reggae que se utiliza de bases eletrônicas e vocal entre o falado e o cantado, desempenhado de forma crua e energética. Já a cumbia é uma sonoridade que surgiu nos anos 40 na Colômbia e que conta com variações em outros países do continente, como Panamá, Argentina e Peru. Em sua terra natal, a cumbia mudou e se desenvolveu ao longo das décadas e hoje conta também com interpretações eletrônicas e modernizadas. Seu ritmo básico pode ser visto neste vídeo.

Estilo tradicional da Jamaica que depois influenciou a música popular de outros países

Ska

resposta

Reggae

resposta

Dub

resposta

Ska. “The Return of Django”, de The Upsetters. Antes do reggae dominar a Jamaica nos anos 70, o principal ritmo da ilha era o ska. Seu andamento era mais veloz, o clima, alegre e inocente, e os arranjos comportavam generosos naipes de metais. A formação das bandas de ska contava geralmente com vários músicos, diferentemente dos grupos de reggae, que eram mais enxutos. O reggae diminuiu a marcha da música da ilha em geral e trouxe influências do soul e rock anglo-americanos de sua época, da mesma maneira que o ska havia pescado no rhythm’n’blues mais antigo. Enquanto as letras do ritmo antecessor eram mais leves, o reggae colocou na pauta a preocupações sociais, discurso pacifista e a celebração da religião rastafári. O dub é basicamente o reggae em versão instrumental e carregada de efeitos de estúdio como delay e reverb. Muitas das músicas de reggae existem em versões dub.

Música popular americana de origem negra, sua sonoridade acabou transbordando para diversos outros estilos

Funk

resposta

Rhythm'n'blues

resposta

Soul

resposta

Soul. “I’ll Take You There”, dos Staple Singers. Nascido nos Estados Unidos como uma versão mundana e pecadora do gospel das igrejas, o soul se consolidou na década de 60 como uma música passional e consciente, sonorizando o avanço dos direitos civis nos Estados Unidos. A melodia rica e o vocal emotivo são parte essencial de sua linguagem. O antecessor do soul é o rhythm’n’blues da década de 50, mais direto e atrevido (é a influência principal do rock’n’roll), tocado por bandas compostas de baixo, guitarra e bateria. O soul investiu na sofisticação, trazendo cordas e metais para os arranjos. Em contrapartida, o funk, criado por James Brown no final da década de 60, é puro ritmo, com baixo sinuoso e melodia mínima.

Um dos estilos mais conhecidos da música eletrônica, serve como base para inúmeros subgêneros

Techno

resposta

House

resposta

Electro

resposta

Techno. “The Bells”, de Jeff Mills. O techno surgiu em meados dos anos 80 em Detroit, Estados Unidos. Suas principais influências foram o grupo Kraftwerk, o funk de George Clinton e o pop europeu baseado em sintetizadores. Baseado no ritmo, com pouca ou nenhuma melodia, se consolidou como uma vertente mais séria, pesada e rápida dentro da música eletrônica contemporânea. Em comparação, o gênero-mãe da música eletrônica para pista de dança atual, o house, é mais sincopado e sensual. Frequentemente, usa vocalistas nas músicas, o que no techno é muito mais raro. “Electro” é um termo de amplo uso, e que denomina sons diferentes em épocas diferentes. Nos anos 80, se referia ao funk eletrônico norte-americano, típico dos primórdios do hip hop. Nos anos 2000, passou a ser usado para designar música eletrônica com referências da década de 80 (também chamada de “electroclash”) e/ou melodias ásperas e sintéticas (funcionando nesse caso como abreviação de “electro house”).

Informações do Quiz

Acertei xx de xx! E você? Faça o quiz

Resposta 70% a 100%

Resposta 40% a 69%

Resposta 0% a 39%

RESULTADO

Você ainda precisa responder xx perguntas para terminar o quiz

Você acertou:
xx de xx
COMPARTILHE SUA PONTUAÇÃO

Compare com outros resultados