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Distrito 12 em ruínas
Região conhecida como Distrito 12, no filme "Jogos Vorazes"
 

Pergunte por aí e são boas as chances de encontrar gente que considera estarmos vivendo em tempos “distópicos”. Distopia é um termo usado muito na literatura de ficção científica e, como o nome sugere, é o contrário da utopia. É um mundo onde nada deu certo, que é completamente errado e disfuncional.

Geralmente, a distopia diz respeito ao futuro: “A Máquina do Tempo”, do escritor inglês H.G. Wells, exemplo pioneiro de história com um futuro ruim, imagina o ano de 802.701 como um pesadelo onde coexistem duas castas sociais inimigas. Outras distopias falam de um amanhã bem mais próximo, caso das séries atuais “3%” e “Westworld”.

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Falta de ar
Distopias costumam ser irrespiráveis
 

A posição temporal, entretanto, é um disfarce literário, pois histórias distópicas geralmente estão falando mesmo é do presente. De “1984” a “Black Mirror”, criadores usam este recurso para pintar uma caricatura ou hipérbole dos tempos atuais. É uma forma de criticar indiretamente situações ou personagens contemporâneos.

Para alguns criadores de ficção, entretanto, a realidade do novo século tem apresentado situações tão extremas que a tarefa de exagerar em cima ficou mais complicada. Será que eles têm razão? No teste a seguir, misturamos cenários reais e distópicos para você tentar dizer qual é qual.

Neste país, o partido que está no poder há décadas censura com rigor o debate público. Opinião própria pode dar cadeia. Mesmo que uma declaração oficial contrarie a lógica ou o bom senso, ela deve ser aceita como verdade. Uma piada local é que se o partido disser que dois mais dois é igual a cinco, todos devem concordar.

Irã

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Oceania, em “1984”, de George Orwell

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Oceania, em "1984", de George Orwell. Uma das obras mais conhecidas do escritor inglês, assim como uma das distopias mais influentes da literatura. Escrito em 1948, legou ao mundo expressões como “grande irmão (big brother)”, “duplipensar” e “Novilíngua”. Na história de "1984", o Reino Unido se tornou uma província do super-estado da Oceania, nação totalitária e em guerra permanente onde a população é intensamente vigiada pelas autoridades. Com a história, Orwell quis soar um alerta sobre os excessos autoritários do socialismo e do fascismo.

As sucessivas incursões militares de um vizinho rico destroçaram a capacidade econômica e a infraestrutura desta região. Com alta densidade populacional e uma paisagem marcada por prédios em ruínas, a área corre o risco de se tornar inabitável em alguns anos, segundo uma autoridade planetária. Água potável é um item de luxo.

Distrito 12, em “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins

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Faixa de Gaza

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Faixa de Gaza. O território palestino espreme 1,85 milhão de pessoas em uma área de 365 quilômetros quadrados, sendo a terceira área mais densamente povoada do mundo. Em 2015, um relatório da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), alertou para o fato de que a região poderia se tornar “inabitável” em 2020. “Além de oito anos de bloqueio econômico, nos últimos seis anos, Gaza passou por três operações militares que arrasaram sua habilidade de exportação e produção… e devastaram sua já debilitada infraestrutura”. O mesmo relatório diz que 95% da água proveniente da principal fonte de abastecimento de Gaza não é potável.

O grande líder desta rica nação fez erguer uma estátua folheada a ouro em sua homenagem no centro da capital. Na escultura, o governante fã de hipismo aparece montado em um cavalo. Certa vez, durante uma corrida, o líder caiu do animal em que competia. Um grupo de seguranças saiu em disparada para socorrê-lo. Outros trataram de revistar todo o público presente para se certificar de que ninguém havia filmado o acidente.

Turcomenistão

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Reino Unido, em “V de Vingança”

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Turcomenistão. Rica em gás natural, a ex-república soviética até agora não conheceu a democracia desde que virou um país autônomo, depois do fim da federação centrada em Moscou. De sua independência, em 1991, foi governada pelo ditador Saparmurat Niyazov até o ano de sua morte, em 2006. No ano seguinte, eleições consideradas “falsificadas” por organismos internacionais levaram ao poder Gurbanguly Berdimuhamedow. Dentista por formação, o líder promove no país um culto a sua personalidade. Conhecido como “patrono”, seu retrato pode ser visto em outdoors e fachadas de prédios pelo país. A estátua citada acima foi inaugurada em 2015 na capital Asgabate. Posicionada sobre uma base de mármore, é feita de bronze e folheada com ouro 24 quilates. E, apesar da inspeção da segurança, um vídeo com o ditador caindo do cavalo escapou para o mundo exterior. Pode ser visto aqui.

Depois que um ataque de terroristas matou o chefe de governo e parte do Congresso deste país, um grupo de forte tendência religiosa assumiu o poder. Promoveram uma sociedade militarizada e conservadora, sem imprensa livre e onde as mulheres perderam quase todos os direitos e liberdade.

Afeganistão

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República de Gilead, em “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood

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República de Gilead. O país onde se passa a história do livro de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood é, na verdade, os Estados Unidos, renomeado depois da chegada ao poder de uma ditadura militar teocrática. Depois de um ataque terrorista que mata o presidente e vários congressistas, cuja responsabilidade é atribuída a um grupo islâmico, o movimento cristão fundamentalista “Filhos de Jacó” dá um golpe de Estado. O novo regime institui uma ordem social baseada no Velho Testamento. As mulheres são forçadas à submissão completa e divididas em grupos de acordo com sua função na sociedade, como esposa, filha, tia e aia, cuja tarefa se resume a gestar filhos de homens em posições de poder em Gilead.

Cada cidadão adulto deste país ganha do governo dois números de identificação que usará por toda a vida. A todo momento, nas situações mais corriqueiras, os cidadãos são solicitados a fornecer seus números, que ficam cadastrados em uma enorme variedade de órgãos estatais e corporações privadas. Os cidadãos que não possuem esses números vivem à margem da sociedade, sem acesso a benefícios ou recursos.

Brasil

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Estado Mundial, em “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley

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Brasil. Para todo cidadão brasileiro, ter um número de Registro Geral (RG) e outro do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) é obrigatório para uma série de ocasiões do dia a dia: abrir uma conta bancária, ter emprego registrado, tentar uma vaga no ensino superior, declarar Imposto de Renda, comprar ou alugar um imóvel, ter plano médico, abrir uma empresa, ter cartão de crédito, criar um cadastro em uma loja do varejo, comprar em sites da internet. Durante o regime militar, andar sem documentos na rua era motivo para prisão. Hoje não é mais assim, uma vez que não há legislação que obrigue o porte de documentos. Embora faltem dados precisos, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que milhões de brasileiros não possuam nenhum documento, nem mesmo a certidão de nascimento.

Nesta nação é dever de todo cidadão vigiar o que seu compatriota faz. A transparência é exigida de todos, e perseguida como valor supremo. Reforçando a vigilância, existe uma polícia secreta do Estado, intitulada Birô dos Guardiães. O líder da nação é conhecido como “O Benfeitor”.

Estado Único, em “We”, de Yevgeny Zamyatin

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Coreia do Norte

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Estado Único, em "We". Escrito pelo russo Yevgeny Zamyatin entre 1920 e 21, o livro é considerado fonte de inspiração para “1984”, de George Orwell. A história se passa em uma nação intitulada Estado Único, em um futuro indefinido. Neste local, todos moram em casas com paredes transparentes, sendo possível que se saiba o tempo todo o que todos estão fazendo. Nas ruas, os cidadãos só podem andar uniformizados e caminhando de modo sincronizado com outros. Ninguém usa nomes, apenas números. “We” teria sido escrito como crítica a práticas autoritárias da infante república soviética. Embora apoiador da Revolução Russa de 1917, Zamyatin logo passou a questionar seus caminhos. “We” foi a primeira obra banida pelo órgão de censura do regime soviético e liberada na Rússia apenas na década de 90.

Em reação à distante autoridade central, diversas milícias rebeldes têm surgido em pontos isolados deste vasto território. Suas demandas são confusas, mas um pedido recorrente é o fortalecimento da autonomia local. Quando os focos de rebelião surgem, a autoridade central rapidamente intervém para reprimí-los. Em um caso famoso, as forças de segurança cercaram a fazenda de uma seita armada por 51 dias, matando 83 de seus membros.

Estados Unidos

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Estados Pacíficos da América, em “O Homem do Castelo Alto”, de Philip K. Dick

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Estados Unidos. O fenômeno das milícias armadas, que muitas vezes aparecem sob a forma de seitas ou grupos anti-governamentais, é antigo no país, mas cresceu durante a administração do presidente Barack Obama. De acordo com um levantamento do Southern Poverty Law Center (SPLC), ONG que monitora movimentos de ódio e intolerância nos EUA, existiam em 2016 mais de 276 milícias armadas no país. O número representa um aumento de 37% em relação a 2014. A agenda desses grupos é baseada na defesa de valores brancos e cristãos.

A presidente da nação foi acusada de ser guiada por uma xamã, que lhe dava conselhos em áreas que iam de discursos oficiais às roupas que deveria vestir. A conselheira mística pertence a um culto misterioso chamado de Igreja da Vida Eterna. A ligação é antiga: o pai da xamã, fundador da seita, já aconselhava o pai da hoje presidente décadas atrás.

Coreia do Sul

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Estados Unidos, em “A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand

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Coreia do Sul. A presidente Park Geun-hye é acusada por adversários de se deixar controlar pela conselheira Choi Soon-sil. Esta teria acesso a assuntos de Estado, embora não fosse membro do governo. Segundo acusações, Choi também aconselha a presidente sobre o que vestir e que cores usar de acordo com cada dia da semana. O pai da presidente e o pai de sua conselheira, fundador da Igreja da Vida Eterna, também foram ligados por escândalos semelhantes aos atuais, nos anos 1960 e 1970. As revelações levaram milhares de manifestantes às ruas da capital, Seul. Ameaçada pela perspectiva de um impeachment, a presidente admite renunciar ao cargo.

Os prédios são altíssimos neste país. Nos andares mais altos pode se encontrar as sedes das grandes empresas e as salas de seus executivos. Uma realidade muito distante do que se vê no nível do solo: operários e trabalhadores braçais vivendo em péssimas condições, regularmente desempenhando atividades de risco sem proteção.

Dubai, Emirados Árabes

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  A cidade de “Metropolis”, filme de Fritz Lang

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A cidade de "Metropolis". O filme de Fritz Lang, de 1927, é um clássico do cinema mudo alemão. Foi baseado no livro de mesmo nome da escritora Thea Von Harbou, que era esposa de Lang. A obra já foi escrita já com a intenção de se tornar depois um filme. Harbou também assina o roteiro da versão cinematográfica. Na história, duas classes sociais vivem em mundos completamente separados. Mas quando o filho de um dono de indústria conhece as condições em que vive a sub-classe trabalhadora, ele decide ajudá-los a se rebelar. Embora criticado na época por sua suposta mensagem “comunista”, “Metropolis” tinha entre seus fãs ninguém menos que Joseph Goebbels, que depois se tornaria ministro da propaganda do regime nazista.

Nesta sociedade, as corporações privadas têm tanto ou mais força e influência que o próprio poder executivo. Sua estratégia é a implementação cada vez maior de máquinas e computadores para realizar tarefas que antes eram feitas por humanos. A tendência irreversível tem gerado insegurança e o crescimento de uma parcela grande de pessoas sem nenhuma perspectiva de emprego.

Estados Unidos

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Estados Unidos, em “Revolução no Futuro”, de Kurt Vonnegut

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Estados Unidos, em “Revolução no Futuro”. Com o nome original de “Player Piano”, o livro foi o primeiro romance publicado pelo escritor americano Kurt Vonnegut, em 1952. Ele se passa em um futuro próximo, com os EUA envolvidos em uma Terceira Guerra Mundial. Com a falta de gente, por conta da convocação militar, empresários são levados a criar máquinas que permitem que uma fábrica funcione com pouco pessoal humano. Com isso, muitos dos trabalhadores que ainda permaneciam no país acabam dispensados, criando uma subclasse de gente que não serve para nada.

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