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A Proclamação da República na tela e seus significados

Pesquisadores analisam obra de 1893 do pintor Benedito Calixto e remontam contexto de golpe militar liderado por Deodoro da Fonseca em 15 de novembro

Foto: Reprodução/Coleção de Arte da Cidade / Centro Cultural São Paulo / SMC / PMSP
O quadro “Proclamação da República”, de Benedito Calixto
O quadro “Proclamação da República”, de Benedito Calixto
 

A história está repleta de acontecimentos e heróis grandiosos que, invariavelmente, foram imortalizados em telas. O momento de fundação da República no Brasil, em 1889, não escapou disso. A proclamação é peculiar e já carregava em si pistas de como se constituiria a nova forma de governo no país. Isso porque, para destituir o imperador D. Pedro 2º e expulsar a família real, não se viu confronto, nem se envolveu a parte mais interessada: o povo. Para completar, ainda recaem dúvidas de pesquisadores sobre se a proclamação sequer existiu.

Lilia Schwarcz, historiadora, antropóloga e colunista do , em seu livro "As Barbas do Imperador – D. Pedro 2º, um monarca nos trópicos" diz que "ao que parece, a República não se proclamou ‘no berro’, nem deu Deodoro um grito homólogo ao também suspeito grito do Ipiranga. (...) A República do Brasil não fora proclamada, mas aclamada".

Um dos artistas brasileiros que se lançou à tarefa de pintar o acontecimento foi o pintor paulista Benedito Calixto. Autodidata e bem relacionado com a elite de cafeicultores paulistas, recebe a encomenda de fazer a tela da proclamação da República, quatro anos depois de ela ter acontecido. "Até então, ele fazia apenas retratos, recuperações de figuras heróicas, mas nada numa proporção tão grande quanto a proclamação. Esse é o maior fato que ele retrata", diz a professora e especialista no artista Karin Philippov.

Após voltar de uma temporada de estudos em Paris, Calixto recebe a encomenda do quadro e parte de fotografias e representações do ato para reproduzir a cena. "Ele tem uma linguagem, uma gramática visual muito peculiar e muito forte. Isso faz com que as pinturas tenham esse ar de encenação, o que é muito diferente de outros pintores com quadros da época como Oscar Pereira da Silva e Henrique Bernardelli."

Tomando como referência o quadro "Proclamação da República" (1893) de Benedito Calixto, ouvimos especialistas sobre o contexto da época e do ato que deu outro rumo para a história do país.

 

“Proclamação da República”, de Benedito Calixto (1853-1927). Óleo sobre tela, 1893. Acervo do Centro Cultural São Paulo.“A Proclamação da República”, de Oscar Pereira da Silva (1865-1939). Óleo sobre tela, 1889. Acervo do Museu Casa de Benjamin Constant. “Independência ou Morte” ou “O Grito do Ipiranga”, de Pedro Américo (1843-1905).  Óleo sobre tela, 1888. Acervo do Museu Paulista.

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