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Comer carne é pior para o planeta do que um banho demorado?

Atividades do nosso dia a dia também contribuem para o aquecimento global; você sabe dizer quais são as de maior impacto?

O gráfico acima mostra como atividades cotidianas contribuem para o aquecimento global. Comer um bife no almoço vem precedido de uma extensa cadeia poluidora.

A gigantesca produção de carne no Brasil e o baixo grau de aproveitamento do rebanho (a cada ano, apenas 16% das cabeças de gado são abatidas), segundo o IBGE, tornam o consumo desse item muito custoso ao meio ambiente. O transporte envolvido na atividade pecuária assim como o uso da terra para a alimentação dos rebanho são os principais fatores que colaboram para a emissão de dióxido de carbono, ou CO2, por esse setor. É assim que o consumo diário de 100g de carne bovina pode levar à emissão de quase 100kg de CO2.

Outros gases, como o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) são produzidos em quantidade ainda maior pela criação de gado. A digestão dos animais, o esterco e o uso de fertilizantes nitrogenados são fortes promotores do aquecimento global, apresentando uma capacidade de aprisionamento de calor muito maior do que a do CO2. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), do total de emissões de gases-estufa pela agropecuária, 44% correspondem à produção de metano, cujo potencial de aquecimento é 21 vezes maior que o do CO2, seguido pelo N2O, duas vezes mais potente. Ainda segundo a FAO, algumas medidas, como a melhora do pasto e da saúde do gado, podem ajudar a tornar a produção de carne mais sustentável.

A emissão desses gases está por trás do chamado efeito estufa, nome que se dá ao processo de absorção da radiação infravermelha emitida pelo sol. O aumento da presença desses gases na atmosfera graças à ação do homem vem potencializando o efeito estufa e, como consequência, aumentando a temperatura média do planeta, fenômeno que se convencionou chamar de aquecimento global. A controvérsia em torno dessa teoria é cada vez menor, sendo que hoje ela é levada a sério por órgãos como a Nasa, a Academia Nacional de Ciências dos EUA e a Royal Society britânica. Diversos estudos publicados em veículos científicos apontam para uma adesão à teoria por parte de trabalhos acadêmicos (quase 97%) em todo o mundo.

Representantes de 192 países estão em Paris tentando fechar um acordo de redução de emissões. A expectativa é que se produza um documento com força de lei (vinculante) e que inclua os países desenvolvidos e em desenvolvimento entre os obrigados a cumprir as metas.

A boa notícia é que o fato de o Brasil dispor de uma matriz energética mista, utilizando tanto termelétricas como hidrelétricas para a produção de eletricidade, torna o consumo de energia menos danoso ao meio ambiente se comparado a outros países. Em 2014, apenas 16,4% das emissões de CO2 foram provenientes da geração de energia, uma vez que quase 75% da matriz energética brasileira é composta por fontes limpas e/ou renováveis, segundo o Ministério de Minas e Energia. O uso da energia elétrica proveniente da força hidráulica e da queima do bagaço de cana torna seu consumo menos prejudicial à elevação da temperatura do planeta.

TRANSPORTE COLETIVO POLUI MENOS

Certos meios de transporte também são vilões ambientais de alto impacto, correspondendo a 43,6% das emissões de CO2 em 2014 (dados do Ministério de Minas e Energia), ainda que sejam utilizados combustíveis provenientes de fontes renováveis ou mais limpas que a gasolina ou diesel comum. Como mostra o gráfico abaixo, com dados calculados a partir de um estudo do IPEA, o impacto causado pelos transportes coletivos é muito menor do que aquele causado pelo transporte individual. Compartilhar o automóvel oferecendo caronas, por exemplo, continua sendo menos amigável ao meio ambiente do que utilizar o ônibus como meio de transporte, uma vez que o impacto individual ainda será de 277,4 kg de CO2 anuais frente aos 14,2kg CO2 emitidos por passageiro em viagens diárias de 20 minutos de ônibus.

ESTAVA ERRADO: A informação que constava inicialmente do gráfico interativo segundo a qual o uso diário do ar condicionado libera, ao final de um ano, 18,5 kg de CO2 estava incorreta. Na realidade, o impacto dessa atividade é muito maior, correspondendo a mais de 2 toneladas de CO2 na atmosfera ao ano. O dado foi substituído pelas emissões referentes ao uso diário de uma lavadora de louças às 17h19 de 14/12/2015.

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