Encher o tanque pode custar um terço do salário mínimo

Petrobras anunciou aumento às distribuidoras de 18,8% do combustível por conta da guerra na Ucrânia. Preço médio nos postos pode passar de R$ 7

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    A guerra na Ucrânia elevou o preço do barril do petróleo por conta das sanções impostas à Rússia, uma das maiores produtoras mundiais. Aqui no Brasil, a Petrobras anunciou no dia 10 de março um aumento de 18,8% no preço da gasolina, além de aumentos de 16,1% do GLP (gás de cozinha) e 24,9% do diesel.

    No Brasil, a Petrobras detém, na prática, um monopólio sobre a produção de petróleo, podendo determinar os preços. O governo federal é o maior acionista da empresa, indicando seu presidente e linhas gerais de atuação a serem seguidas.

    Gráfico de linha mostra o custo para encher um tanque de 50 litros de gasolina, em relação ao salário mínimo. Caso o aumento de 18,8% se reflita com a mesma intensidade na bomba... encher o tanque poderá custar 1/3 do salário mínimo. Fonte: ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

    Desde o governo Temer, em 2016, a Petrobras aplica valores de mercado em sua política de preços, tornando o valor da gasolina e outros derivados do petróleo atrelados ao preço internacional, em dólar. Essa alteração favoreceu o crescimento da empresa na bolsa de valores, mas trouxe críticas por conta do encarecimento dos combustíveis.

    O valor atual da gasolina comum no Brasil é o mais alto da série histórica que monitora os preços desde 2004. Caso o novo aumento se reflita de maneira proporcional nas bombas dos postos, o preço médio do litro da gasolina pode passar de R$7,80.

    Com isso, para o encher o tanque de 50 litros de um carro popular, seriam necessários R$ 390, equivalente a quase um terço do atual salário mínimo. O valor em relação ao mínimo seria o mais alto já registrado em cerca de 15 anos.

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