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O derretimento das calotas polares em 2016

Extensão das calotas polares no mundo teve queda brusca nesse ano, mas o derretimento não é uniforme nos dois polos do globo

Um gráfico que viralizou no Twitter apresenta dados apontando que nos últimos meses a soma da área coberta por gelo nos Polos Norte e Sul do planeta foi muito menor do que no mesmo período desde 1978, quando os dados começaram a ser registrados por satélites.

Entretanto a tendência apontada pelo gráfico não se dá por conta de uma queda geral na área das calotas polares, mas sim por uma distorção na tendência de aumento no Polo Sul. Veja uma explicação detalhada:

O Polo Norte é a região delimitada pelo Oceano Ártico. A área de gelo na região vem apresentando uma queda constante nas últimas décadas. Por ser um oceano cercado por terra - o que atenua o impacto de variações climáticas que ocorrem em outros locais - é mais fácil acompanhar o efeito do aquecimento global na região, já que as outras variáveis não se alteram muito a cada ano. 

Já no Polo Sul está o continente Antártica, que vem aumentando a extensão de sua área com gelo a despeito do aquecimento global, apresentando inclusive um recorde de extensão em 2014.

Por ser um continente cercado pelo oceano, ele está exposto a muitos fatores variáveis e imprevisíveis que determinam o clima da região, como a temperatura da água, da atmosfera, a intensidade dos ventos e a circulação do ar. A intensa variação desses elementos dificulta a determinação exata do que causa a tendência recente de aumento da superfície de gelo, constituindo um mistério para a comunidade científica.

Comparação dos meses de outubro: área ocupada pelo gelo nos oceanos polares no mês de outubro entre 1979 e 2016

Essa diferença entre as tendências do Polo Norte e Sul fica mais clara quando comparamos a área de gelo registrada nos meses de outubro de cada ano desde 1979.

Como visto acima, o Polo Norte vem nos últimos anos apresentando uma queda expressiva da presença de gelo na região. Porém, como o Polo Sul - que apresenta maior quantidade de gelo - não apresenta essa tendência de queda, um indicador agrupando os dados dos dois polos não demonstra que há uma queda acentuada.

Isso porque a queda brusca da área de gelo do Polo Sul em outubro de 2016 contraria a tendência que se mantinha desde então, tornando mais expressiva a diminuição da área de gelo em todo o mundo.

Fonte: National Snow and Ice Data Center, 2016.

ESTAVA ERRADO: Uma versão anterior deste gráfico informava que os dados apontados pelo primeiro gráfico se dão por uma distorção na “tendência de queda no Polo Sul”. O correto é: “tendência de aumento no Polo Sul”. A informação foi corrigida às 11h20 do dia 24 de novembro de 2016.

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