Mais brasileiros se declaram pretos ou pardos

Em 2004, 45% das pessoas que tinham entre 21 e 60 anos se consideravam pretas ou pardas. À medida que esse grupo envelheceu, o índice dos que assim se declaravam aumentou para 52%. Veja como aconteceu essa mudança

 

Declaração de cor e raça no Brasil

O Brasil realizou seu primeiro Censo demográfico em 1872. Na ocasião, a classificação por raça era feita de acordo com as seguintes categorias: branco, preto, pardo e caboclo (usada para classificar a população indígena).

De lá para cá, a forma de pesquisar e as categorias usadas na classificação foram passando por transformações. Em 1890, o termo “mestiço” veio substituir a categoria “pardo”. A partir de 1940, a contabilização passou a tomar a cor como referência e o Censo incluiu o “amarelo”, refletindo a grande imigração japonesa, que havia ocorrido entre 1908 e 1930.

Os Censos de 1950 e 1960 foram os primeiros em que o princípio da autodeclaração orientou a coleta de dados. Até então, a declaração de cor era preenchida pelo pesquisador que fazia a entrevista.

A investigação de cor ou raça também se tornou parte de outras pesquisas nacionais como, por exemplo, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),  em 1987.

Nos Censos de 2000 e 2010, as categorias utilizadas, tomando cor e raça como referências, foram: branca, preta, parda, amarela e indígena.

O crescimento da população autodeclarada preta e parda no país se mistura com a própria história das relações raciais no Brasil. O movimento negro, por exemplo, ganhou força nas duas últimas décadas constituindo associações, coletivos ou ONGs e ampliando seu leque de reivindicações.

Por outro lado, como avalia o historiador Petrônio Domingues: “De uma perspectiva histórica, é a partir dos anos 90 que o cenário muda, porque a elaboração de políticas afirmativas partem do pressuposto de que há racismo e de que elas devem existir para minimizar o problema”.

Ou seja nesse mesmo período, o Brasil passa a contar com uma série de leis e políticas públicas específicas que não apenas reconhecem o caráter histórico e estrutural do racismo no Brasil, mas também promovem ações para transformar essa realidade.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: