Farmacêutica pagou publicidade a favor de tratamento precoce

Os anúncios tinham como autor a Associação Médicos pelo Brasil e foram veiculados por jornais em fevereiro de 2021

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    Documentos enviados por veículos da imprensa à CPI da Covid mostram que a farmacêutica Vitamedic foi responsável por financiar anúncios publicitários em defesa do tratamento precoce da covid-19, que é comprovadamente ineficaz contra a doença. Os anúncios circularam em grandes jornais do país como a Folha de S.Paulo, O Globo, Estado de Minas e outros em fevereiro deste ano. Quando publicados, os anúncios tinham como autor a Associação Médicos pelo Brasil e não foram publicamente associados à Vitamedic.

    As peças defendiam o uso de medicamentos sem eficácia no tratamento da doença como a ivermectina, a cloroquina e a vitamina D. Em dados enviados à CPI da Covid, a farmacêutica Vitamedic informou que as vendas da ivermectina, um dos principais medicamentos que fabrica, saltaram 1.230% no ano passado em comparação com 2019.

    R$ 217.295,05

    é o valor que a Vitamedic pagou ao jornal O Globo para veicular o anúncio da Associação Médicos pela Vida em defesa do kit covid

    A revelação do financiamento dessas campanhas pode colocar, mais uma vez, a Associação Médicos pela Vida na mira de investigações. O Código de Ética Médico veda que médicos exerçam a profissão com interação ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer outra organização destinada a manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza”. Especialistas afirmam que essa interação pode configurar conflito de interesses.

    Alguns nomes associados à Médicos pela Vida, como o oftamologista Antônio Jordão e o pneumologista Blancard Torres, são suspeitos de compor o chamado gabinete paralelo, que teria prestado aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. Eles aparecem no vídeo da reunião em que o virologista Paolo Zanotto sugere a criação de um gabinete das sombras.

    A ligação entre a Vitamedic e médicos do gabinete paralelo vêm à tona no momento em que a CPI começa a seguir as trilhas do dinheiro e investiga farmacêuticas que podem ter se beneficiado da promoção do kit covid e da compra de vacinas contra a covid-19. A Associação Médicos pela Vida afirmou, por meio de uma nota publicada em junho, que desconhece qualquer tipo de ministério paralelo.

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