Operação prende suspeitos de ocultar corpos de Bruno e Dom

Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão preventiva no Vale do Javari em ação que investiga pesca ilegal no Amazonas

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    A Polícia Federal prendeu preventivamente sete suspeitos de atuar com pesca ilegal no Vale do Javari em uma operação no sábado (6), nas cidades de Atalaia do Norte e Benjamim Constant, no Amazonas. Entre eles, três também são suspeitos de participar do assassinato e da ocultação dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. A operação policial ocorre em paralelo com a apuração da morte da dupla.

    Um dos presos pela Polícia Federal é Amarílio de Freitas Oliveira, o “Dedei”, que foi detido na madrugada deste sábado (6) em uma danceteria de Atalaia do Norte, segundo informações do portal G1. Ele é filho de Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, que confessou o crime e está preso preventivamente em Manaus junto com Rubens Villar Coelho, o “Colômbia”, apontado como o chefe de uma quadrilha que atua com pesca ilegal na área indígena do Vale do Javari.

    Outros dois irmãos de “Pelado” também foram presos pela PF na operação que apura pesca ilegal. No dia 21 de julho, três presos viraram réus pelo assassinato de Pereira e Phillips. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a defesa dos acusados ainda busca informações sobre a operação e as prisões da polícia.

    O jornalista e o indigenista desapareceram no dia 5 de junho, enquanto se deslocavam pela região a trabalho. Na época, as buscas foram iniciadas pelos indígenas da região. A inação do governo federal foi denunciada e criticada por entidades da área e órgãos internacionais, mas a gestão Bolsonaro tratou a questão como um caso isolado até o crime ganhar repercussão mundial.

    A pesca ilegal é uma das atividades no Vale do Javari que está relacionada com o cenário do aumento da violência na Amazônia; há conexão com o tráfico de drogas, seja para lavagem de dinheiro ou para abastecimento dos “soldados do tráfico” na região. A violência contra ativistas, a atuação do crime organizado, o desmonte dos órgãos de fiscalização e a legitimação de atividades ilegais no discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) integram um conjunto de fatores que tem piorado os índices de segurança pública no estado.

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