São Paulo cria rede hospitalar contra varíola dos macacos

Governo estadual também anunciou outras medidas para combater a doença, como um esquema de vigilância epidemiológica e genômica

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    O governo de São Paulo anunciou na quinta-feira (4) a criação de uma rede estadual hospitalar com 93 centros de saúde para tratar os casos mais graves de varíola dos macacos. O estado é o que acumula maior quantidade de casos da doença no Brasil. Segundo o secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, David Uip, os hospitais públicos e privados precisam estar preparados, pois os pacientes contaminados terão de ficar em isolamento.

    Também será criado um esquema para fazer a vigilância epidemiológica e genômica do vírus causador da doença. O plano do governo paulista é que os laboratórios privados informem os casos que estão testando e enviem amostras para o Instituto Adolfo Lutz fazer o monitoramento genômico.

    Além disso, as maternidades serão preparadas para atender grávidas infectadas. Ocorrerá uma mobilização das vigilâncias sanitárias do estado para promover a formação e atualização dos profissionais de saúde. Professores também receberão orientações para identificar casos suspeitos em crianças. A transmissão da varíola dos macacos acontece através do contato com lesões na pele, fluidos corporais, gotículas e materiais contaminados.

    Com o auxílio da Opas (Organização da Saúde Pan-Americana), órgão subordinado à OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil encomendou 50 mil doses da vacina dinarmaquesa Jynneos. Elas devem chegar no final de setembro. Isso significa que, em um primeiro momento, apenas 25 mil brasileiros receberão o imunizante (duas doses para cada pessoa). Em São Paulo, 5.500 pessoas serão imunizadas nessa leva. No entanto, Uip comunicou que o governo paulista, através do Instituto Butantan, negocia diretamente com o NIH (National Institutes of Health), instituto nacional de saúde dos Estados Unidos, a aquisição do insumo utilizado para produzir a vacina. O acordo ainda não foi fechado.

    Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde divulgados na quinta-feira (4), São Paulo é a unidade federativa mais atingida pela varíola dos macacos, com 1.298 casos confirmados, seguida por Rio de Janeiro (190), Minas Gerais (75) e Distrito Federal (37). O total de infectados no Brasil é de 1.721. Até o momento, houve a confirmação da morte de um brasileiro por conta da doença. Ele era de Uberlândia (MG), mas estava internado em Belo Horizonte e tinha problemas de baixa imunidade e comorbidades. Ele foi o primeiro paciente a falecer fora da África, onde a varíola dos macacos se originou.

    Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos confirmados fora do continente africano. Até a quinta-feira (4) eram 6.617 infectados no país. Por isso, as autoridades sanitárias americanas declararam emergência de saúde pública.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.