China anuncia sanções contra Pelosi após visita a Taiwan

Aviões de combate chineses sobrevoaram o estreito que separa a ilha do continente no segundo dia de manobras militares na região

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    A China anunciou nesta sexta-feira (5) a imposição de sanções contra a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, e sua família. Esse gesto é uma reação do governo chinês à visita que a parlamentar americana fez a Taiwan na terça-feira (2), considerada por Pequim como um ataque à soberania e à integridade territorial chinesas.

    As sanções não foram detalhadas. Essa não é a primeira vez que Pequim adota esse tipo de medida contra autoridades americanas. Em março, foram anunciadas restrições nos vistos de uma lista não divulgada de funcionários do governo dos EUA que teriam inventado “mentiras sobre questões de direitos humanos envolvendo a China". O ex-secretário de Estado Mike Pompeo já foi proibido de entrar em território chinês e de fazer negócios com empresas do país. O mesmo aconteceu com Peter Navarro, que atuou como conselheiro comercial do ex-presidente Donald Trump.

    A China também suspendeu a cooperação com os EUA no repatriamento de imigrantes ilegais, no combate transnacional ao tráfico de drogas e nas atuações conjuntas contra as mudanças climáticas, além de cancelar a comunicação entre líderes militares e as reuniões de trabalho entre as pastas da Defesa. Segundo o governo chinês, as medidas de resposta são "justificadas, necessárias, apropriadas e nada excessivas”.

    Outra reação de Pequim contra a visita de Pelosi a Taiwan é a realização de exercícios militares próximos à ilha com o uso de munição real, que incluiu ações como o lançamento de mísseis, inclusive sobre o território taiwanês. Nesta sexta (5), 68 de combate chineses sobrevoaram o estreito que separa a ilha da China nesta sexta, sendo que 49 deles cruzaram a fronteira aérea extraoficial que divide os dois territórios, informou o Ministério da Defesa de Taiwan. Essas manobras militares começaram na quinta-feira (4) e devem se estender até o domingo (7).

    Os Estados Unidos afirmaram que não há justificativa para essa resposta militar "extrema, desproporcional e escalada”. De acordo com o secretário de Estado americano, Antony Blinken, Washington não tomará medidas para agravar as tensões, mas vai seguir apoiando seus aliados regionais. O presidente Joe Biden se opôs oficialmente à decisão de Pelosi de visitar Taiwan, mas não conseguiu convencê-la a desistir da viagem.

    O governo autônomo de Taiwan foi formado com a fuga de Chiang Kai-shek e seu Estado Maior para a ilha –e apoio dos EUA– depois da vitória da Revolução Chinesa, em 1949. Outros 2 milhões de chineses também se refugiaram lá após a ascensão do comunismo na China. Taiwan se considera independente, com Constituição própria e eleições democráticas, enquanto a China a vê como uma província rebelde e espera controlá-la novamente. Poucos países reconhecem a independência. Os EUA mantêm uma relação ambígua, pois não reconhecem o território como um Estado, mas têm relações com ele.

    (Com informações da Reuters)

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