Movimentos sociais protestam contra racismo em biblioteca

Manifestantes ocuparam de forma simbólica mesas e cadeiras do local, onde um homem foi preso um dia antes por ataques racistas e homofóbicos

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    Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e do Movimento Raiz da Liberdade fizeram um protesto na quarta-feira (3) contra os ataques racistas e homofóbicos ocorridos um dia antes na Biblioteca Mario de Andrade, no centro de São Paulo. Os manifestantes ocuparam de forma simbólica cadeiras e mesas do local.

    "O objetivo do ato foi mostrar que um espaço de cultura e conhecimento não é espaço para racismo e lgbtfobia. Não iremos nos calar. Basta de discurso de ódio e da naturalização do absurdo", afirmou Ediane Maria, coordenadora dos dois movimentos, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

    Na terça-feira (2), um homem de 39 anos chamado Wilho da Silva Brito foi preso em flagrante na biblioteca pela Polícia Militar. Um vídeo gravado por uma testemunha que circula nas redes sociais mostra Brito atacando pessoas negras. “Eu não gosto de negro não. Quem gosta de macaco é o zoológico”, diz em determinado momento. Ele também dirigiu ofensas a pessoas da comunidade LGBTI+. “Aí você chega no banheiro aqui e vê um monte de viado”, afirma em outro trecho da gravação.

    Uma das obras que Brito tinha é o livro "Minha Luta" ("Mein Kampf"), do líder nazista Adolf Hitler. Durante o protesto de quarta, os manifestantes leram trechos de obras como "O Alienista", de Machado de Assis, e "Não Culpe sua Mãe", de Paula Caplan.

    De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o caso foi registrado como injúria e preconceitos de raça ou de cor (praticar a discriminação) pelo 2º Distrito Policial (Bom Retiro). Uma determinação da Justiça converteu a prisão de Brito em preventiva –que ocorre para assegurar a aplicação da lei, como garantia da ordem pública ou econômica ou quando há prova de crime. Ele deve ser transferido para um centro de detenção provisória.

    Também em nota, a Secretaria Municipal de Cultura, que é responsável pela biblioteca, repudiou “veementemente as falas e atitudes nazistas, homofóbicas e racistas”.

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