EUA declaram emergência de saúde por varíola dos macacos

País rastreou cerca de 1,6 milhão de americanos com perfil altamente vulnerável ao vírus. Governo local tem 550 mil doses da vacina

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O governo dos Estados Unidos declarou nesta quinta-feira (4) que o surto de casos de varíola dos macacos no país é considerado uma emergência de saúde pública. A designação sinaliza que o vírus agora representa um significativo risco para os americanos, desencadeando uma série de medidas destinadas a conter a doença.

"Estamos preparados para elevar a resposta a este vírus a outro patamar e instamos a todos os americanos a levar a sério a varíola dos macacos e assumir a responsabilidade de nos ajudar a enfrentar este vírus", disse o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Xavier Becerra.

De acordo com o jornal "New York Times”, com o estado de emergência, as agências do governo poderão contratar mais profissionais, agilizar a vacinação e tratamento dos doentes, assim como receber verbas de fundos emergenciais. Os EUA têm cerca de 550 mil doses de vacinas, mas as autoridades de saúde identificaram 1,6 milhão de pessoas consideradas altamente vulneráveis.

Enquanto os casos de contágio e de mortes provocadas pela varíola dos macacos avançam no mundo, o presidente Joe Biden e o secretário de Saúde vêm sendo pressionados por ativistas e especialistas para agir de forma mais agressiva no combate ao surto. Muitos especialistas, inclusive, temem que a contenção do vírusnão seja mais possível. Governadores de alguns estados já declararam emergência. Illinois, Califórnia e Nova York abrigam as três maiores cidades do país e respondem por quase metade dos casos nos EUA.

A transmissão da varíola dos macacos ocorre principalmente por contato físico. Os sintomas incluem dores no corpo, febre, fadiga e erupções na pele similares às da catapora. Dois novos sintomas, no entanto, foram descritos por pesquisadores do Reino Unido nesta semana: dor na região do ânus e inchaço do pênis. As conclusões foram apresentadas após a análise clínica de 197 pacientes em Londres, entre maio e julho de 2022.

A primeira morte por varíola dos macacos no Brasil foi de um homem imunossuprimido. O paciente de Uberlândia (MG) tinha 41 anos e problemas de baixa imunidade e comorbidades. Segundo o Ministério da Saúde, o homem se tratava de um câncer no sistema linfático. Esse quadro, somado à infecção pelo vírus da varíola dos macacos, resultou em um agravamento do estado clínico do paciente.

Na segunda-feira (1º), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, comunicou que o Brasil deve receber doses do tecovirimat, um antiviral para ser usado em pacientes com casos mais graves da doença. O antiviral será fornecido pela Organização Pan-Americana da Saúde, subordinada à OMS (Organização Mundial da Saúde). O órgão da ONU para a saúde considera a doença uma emergência de saúde global e disse, na semana passada, que a situação do Brasil é preocupante.

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