Bolsonaro cancela visita à Fiesp e jantar com empresários

Desistência seria para evitar constrangimentos tanto por parte de empresários quanto do presidente no dia em que os manifestos pró-democracia serão lançados

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    O presidente Jair Bolsonaro cancelou nesta quarta-feira (3) uma visita à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e um jantar com empresários, compromissos que estavam previstos para ocorrer a próxima quinta-feira (11) –mesmo dia em que documentos pela democracia serão divulgados, um deles da própria entidade industrial.

    A agenda na Fiesp seria parte da série de encontros que a federação vem fazendo com os presidenciáveis para debater suas propostas de governo para o setor industrial. O jantar, por sua vez, estava sendo organizado pelo grupo Esfera Brasil, que também tem realizado eventos com candidatos à Presidência da República.

    O cancelamento atenderia tanto a organizadores e participantes de ambos os encontros quanto a assessores presidenciais. A ideia seria evitar possíveis constrangimentos em função dos manifestos pró-democracia organizados na Faculdade de Direito da USP –e que já reúne 700 mil signatários, incluindo banqueiros, empresários e economistas– e pela Fiesp, com apoio de entidades como Febraban (bancos) e FecomercioSP.

    Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, empresários temiam ser vistos como apoiadores do presidente, que vem atacando os manifestos e o sistema eleitoral. Pelo lado do presidente, haveria o temor de que Bolsonaro sofresse pressão para endossar o documento da Fiesp, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, como ambas as cartas serão lidas no dia 11, em São Paulo, temia-se que Bolsonaro fosse alvo de protestos durante a ida a São Paulo.

    Na terça-feira (2), Bolsonaro chamou de "cara de pau" e "sem caráter" quem assinou o documento concebido na Faculdade de Direito da USP. A carta foi divulgada em 26 de julho, oito dias após Bolsonaro voltar a dar declarações golpistas e tentar colocar em xeque, sem apresentar provas, as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro durante encontro com embaixadores estrangeiros. O documento vai em defesa das urnas eletrônicas, da Justiça Eleitoral, da democracia, da Constituição Federal e da independência entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

    O presidente também deu declarações específicas sobre grupos que assinaram o documento. Segundo ele, os banqueiros são contra o Pix, sistema de pagamento instantâneo adotado pelo Banco Central desde 2020, os artistas sentem falta da Lei Rounanet e os políticos da esquerda apoiam regimes ditatoriais. Na segunda-feira (1º), o chefe do Executivo já havia chamado os empresários que aderiram ao movimento de “mamíferos”.

    Já em relação à carta da Fiesp, afirmou que o documento é político e que não precisa dizer se é ou não democrático. “Não precisa de carta, comprovo que sou democrata pelo que fiz”, disse o presidente em entrevista ao SBT, na terça (2).

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