Banco Central faz novo aumento de juros e Selic vai a 13,75%

Esta é a 12ª alta consecutiva de um ciclo de aperto monetário que começou em março de 2021, em uma tentativa de controlar a disparada da inflação. Copom sinaliza que taxa pode chegar a 14% em setembro

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    O Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a Selic, a taxa básica de juros brasileira, para 13,75% ao ano. A alta, de 0,5 ponto percentual, veio em linha com o esperado pelo mercado é a 12ª consecutiva de um ciclo de aperto monetário que começou em março de 2021, após os juros atingirem a mínima histórica de 2% durante a pandemia. Na reunião passada, em 15 de junho, a alta havia sido da mesma magnitude, para 13,25% ao ano.

    No comunicado, o Copom sinalizou que pode aumentar novamente os juros na próxima reunião. "O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas [para a inflação] para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista", afirmou. Um eventual ajuste residual, segundo o comunicado, deve ser de menor magnitude, o que colocaria a Selic em 14% na reunião de setembro.

    O Banco Central usa a Selic para tentar controlar a inflação. Quando os juros sobem, a tendência é de esfriamento da economia e, portanto, menor pressão sobre os preços. A autoridade monetária iniciou o atual ciclo de alta em reação à disparada da inflação e às incertezas crescentes em torno da economia brasileira. Em 2021, a inflação ficou em dois dígitos pela primeira vez desde 2015.

    Com os apertos promovidos pelo BC, o mercado espera que o IPCA, o índice oficial de preços, feche 2022 a 7,15%, segundo o último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (1º) –uma queda em relação aos 7,3% previstos na semana anterior. A diferença é em função dos efeitos da lei que estabeleceu um teto para as alíquotas de ICMS sobre os setores de combustíveis, gás, energia, comunicações e transporte coletivo, que não deverá ter impacto duradouro. O centro da meta inflacionária do Banco Central para o ano é de 3,5%, em um intervalo entre 2% e 5%.

    Para 2023, o mercado prevê que o IPCA fique em 5,33%, com os preços administrados subindo a 7,08%, ainda segundo o Focus. A meta para o ano que vem é de 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou menos.

    A taxa Selic serve de referência para a definição dos juros cobrados pelos bancos em empréstimos, o retorno de títulos do Tesouro e até o rendimento da caderneta de poupança. Também o principal instrumento da política monetária do BC, cujo objetivo central é o controle da inflação. A autoridade monetária estipula metas para a variação de preços em um ano, com uma margem para mais e outra para menos – as chamadas bandas. Ele age para manter a inflação dentro desse objetivo, usando a taxa de juros como instrumento. Se a inflação está alta, o Banco Central aumenta os juros; se a inflação está baixa, há espaço para reduzir a Selic.

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