Em viagem aos EUA, entidades alertam sobre risco à eleição

Comitiva com 19 organizações brasileiras da sociedade civil se reuniu com o Departamento de Estado americano e parlamentares como o senador Bernie Sanders e o deputado Jamie Raskin, que investiga invasão do Capitólio

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Uma comitiva brasileira de 19 entidades da sociedade civil fez uma viagem aos Estados Unidos entre os dias 24 e 29 de julho, para se encontrar com representantes do governo americano, parlamentares do país e organizações não-governamentais. O objetivo era alertá-los sobre as ameaças do presidente Jair Bolsonaro ao processo eleitoral e pedir o reconhecimento rápido do resultado da eleição de outubro, para reduzir o risco de contestação.

No domingo (31), o grupo afirmou em comunicado que “atingiu o objetivo de informar alguns dos atores mais proeminentes e influentes da política americana sobre o momento delicado que a democracia brasileira atravessa”. Segundo os organizadores, o grupo foi recebido no Departamento de Estado americano e em gabinetes de parlamentares do país.

A viagem ocorreu após Bolsonaro ter feito uma reunião com embaixadores em Brasília, em 18 de julho, na qual repetiu mentiras sobre a credibilidade das urnas eletrônicas. O discurso repercutiu na imprensa internacional e foi visto como parte de tática similar à do ex-presidente americano Donald Trump em 2020, que resultou na invasão do Congresso por uma multidão de apoiadores que tentavam impedir a oficialização da vitória de Joe Biden. Representantes do corpo diplomático americano e britânico divulgaram notas em seguida atestando a confiança no sistema eleitoral brasileiro.

Durante a viagem, conversaram com os brasileiros, entre outros, o senador Bernie Sanders, que foi pré-candidato democrata à Casa Branca, e Jamie Raskin, deputado também do Partido Democrata, que integra a comissão parlamentar que investiga o papel de Trump na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, na qual cinco pessoas morreram. Os parlamentares americanos disseram que a estabilidade democrática do Brasil é um assunto de relevância internacional e será tratado como tal.

“O que eu ouvi [da comitiva], infelizmente, soa muito familiar para mim, por causa dos esforços de Trump e de seus amigos para minar a democracia americana. Não estou surpreso que Bolsonaro esteja tentando fazer o mesmo no Brasil. Esperamos muito que o resultado das eleições seja reconhecido e respeitado, e que a democracia prevaleça, de fato, no Brasil”

Bernie Sanders

senador americano

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 29 de julho, Raskin disse que “o melhor antídoto a um golpe é expor os planos de forma antecipada, para todo mundo saber o que está sendo considerado”. À comitiva, afirmou: “aconselhei a seguir falando a respeito do que acontece e a seguir educando as pessoas a respeito do que acontece no mundo, com a intenção de criar uma coalizão que seja o mais ampla possível para defender as instituições democráticas no Brasil.

A viagem foi organizada pelo think tank WBO (Washington Brazil Office) em parceria com outras organizações internacionais, e levou um grupo de entidades brasileiras como o Instituto Vladimir Herzog, Comissão Arns, Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Geledés (Instituto da Mulher Negra), Instituto Marielle Franco, entre outras. “Pudemos constatar que existe hoje, nos EUA – como estamos certos de que há em outras partes do mundo também – uma atenção especial com o momento político que o Brasil atravessa”, afirmou a WBO em relatório.

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