Ibama dá licença prévia para asfalto em rodovia na Amazônia

Repavimentação da estrada, construída pelo governo militar nos anos de 1970, era promessa de Jair Bolsonaro. Ambientalistas alertam para risco de mais desmatamento

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    O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu licença prévia ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) para que parte da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), no centro da floresta amazônica, seja asfaltada.

    O ministro Marcelo Sampaio (Infraestrutura) publicou uma imagem do documento nesta quinta-feira (28) nas redes sociais ao comemorar a licença. "Alinhando engenharia e respeito ao meio ambiente, vamos tirar a sociedade do Amazonas do isolamento", escreveu.

    A licença é para a fase preliminar, em que são aprovadas a localização e concepção do projeto e atesta-se a sua viabilidade ambiental. É preciso outra licença para que as obras se iniciem. "Espero que brevemente tenha mais uma licença no meio do caminho, nosso Dnit possa começar a licitar e trabalhar para o asfaltamento da BR-319", disse Jair Bolsonaro nesta quinta (28). O presidente havia prometido repavimentar a rodovia, que foi construída nos anos 1970, durante a ditadura militar, mas que rapidamente caiu em desuso. Na temporada de chuvas na região, que dura cerca de seis meses, a maior parte da rota se torna um trecho de lama intransitável.

    O imbróglio no Ibama sobre o "trecho do meio" da rodovia, como é conhecido, já dura 15 anos. Especialistas alertam que as obras podem causar impactos irreversíveis ao meio ambiente e a populações tradicionais que vivem no entorno. Sob a área de influência da estrada há 49 terras indígenas, 49 unidades de conservação e 140 mil km² de florestas públicas não destinadas e que costumam ser foco de grilagem e desmatamento.

    Para ambientalistas, a pavimentação permitiria que madeireiros ilegais e grileiros acessassem mais facilmente áreas remotas e relativamente intocadas da floresta. Um estudo estimou que o desmatamento poderia aumentar em cinco vezes até 2030 na região. O desmonte dos órgãos de proteção ambiental sob o governo Bolsonaro já tem estimulado bastante a derrubada da floresta, que em 2021 atingiu o nível mais alto dos últimos 15 anos.

    Segundo o ex-analista ambiental do Ibama Marco Aurélio Lessa Villela, essa primeira licença precisa ter muitas exigências para que se inicie a construção. "Deve ter uma lista enorme de coisas que seriam necessárias para uma rodovia naquele lugar não ser uma tragédia", afirmou. Segundo ele, há uma boa chance de a estrada avançar agora, com a licença prévia.

    (Com informações da Reuters)

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