Hospital nega acesso ao prontuário de Klara Castanho

Atriz denunciou vazamento ilegal de informações sobre bebê colocado para adoção. Coren-SP apura conduta de enfermeira que teria ameaçado a paciente

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    O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) informou na segunda-feira (4) que o acesso ao prontuário de atendimento da atriz Klara Castanho foi negado pelo Hospital Brasil. A instituição de saúde, que faz parte da rede D’or, é suspeita de ter vazado informações sigilosas sobre o bebê que a atriz entregou para adoção, fruto de uma gravidez causada por um estupro. Esse vazamento fere o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante sigilo absoluto à mulher nesse tipo de situação.

    O caso veio à tona depois que a privacidade da atriz de 21 anos foi exposta em 26 de junho pela youtuber e pré-candidata a deputada estadual Antonia Fontenelle (Republicanos-RJ) e pelo colunista do portal Metrópoles Leo Dias. Ele publicou uma matéria sobre o caso de Castanho, retirada do ar horas depois. Após o vazamento ilegal, a atriz divulgou uma carta aberta em suas redes sociais, contando que descobriu a gravidez tardiamente após ser vítima de um estupro e que o bebê foi entregue para adoção seguindo todos os trâmites legais. No relato ela também afirmou que, enquanto estava no hospital, uma enfermeira ameaçou vazar o caso para a imprensa.

    De acordo com o comunicado do Coren-SP, o Hospital Brasil negou o acesso ao prontuário, que poderia revelar a identidade da enfermeira citada pela atriz, “sob a justificativa de necessidade de autorização prévia da paciente, seguindo o previsto em resoluções do Conselho Federal de Medicina e no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem”. O órgão se colocou à disposição de Castanho “caso isso seja de sua vontade, para orientação quanto aos procedimentos para encaminhamento de apuração da conduta dos profissionais de enfermagem que a tenham atendido ou de autorização para acesso ao prontuário”.

    O Hospital Brasil declarou à coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo que forneceu os nomes e os registros dos profissionais que tiveram contato com Castanho. O Coren-SP, por outro lado, disse que a instituição de saúde cedeu apenas a escala dos profissionais das unidades materno-infantis, mas não a lista de quem atendeu a atriz.

    O Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) também apura a situação. “Casos assim devem ser rigorosamente punidos, para que não mais se repitam. Da mesma forma, devem ser execrados comunicadores que deturpam a função social do jornalismo para destruir a vida das pessoas. Vida privada não é assunto público”, disse o órgão, por meio de nota, em 26 de junho. A presidente do Cofen, Betânia Maria dos Santos, afirmou, em uma entrevista à Globonews, que a responsável pela ameaça à Klara Castanho pode perder o seu registro profissional.

    O Ministério Público de São Paulo também está apurando a conduta da enfermeira que ameaçou vazar os dados da atriz. Em uma nota divulgada no final de junho, o Hospital Brasil disse que “se solidariza com a paciente e familiares” e informou que “abriu uma sindicância interna para a apuração desse fato.

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