Ataque a tiros em bar LGBTI+ em Oslo deixa dois mortos

Segundo autoridades norueguesas, crime é investigado como ato terrorista. Mais de 20 pessoas ficaram feridas e três estão internadas em estado grave

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Um atirador abriu fogo em um bar LGBTI+ em Oslo, capital da Noruega, na noite de sexta-feira (24). Duas pessoas foram mortas, 20 ficaram feridas e três estão internadas em estado grave. O suspeito de ter cometido o crime é um homem de 42 anos, cidadão norueguês de origem iraniana, detido logo após os disparos. A polícia do país investiga o caso como ato terrorista e crime de ódio. A cidade sediaria neste sábado (25) a parada LGBTI+, que foi cancelada por recomendação das autoridades.

    Frequentadores definiram o ataque como uma “chuva de balas”. Um dos clientes que estava no bar, Bili Blum-Jansen relatou para a agência de notícias Reuters que o número de mortos não foi maior porque cerca de 100 pessoas conseguiram se esconder no porão do estabelecimento. “Muitos ligaram para seus parceiros e familiares, era como se estivessem se despedindo”, afirmou.

    De acordo com a Reuters, as autoridades informaram que o suspeito é considerado um islamista radicalizado, tem histórico de doença mental e era conhecido pelos serviços de inteligência da Noruega desde 2015. Tudo indica que este foi um ataque extremista islâmico, disse o primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere em uma coletiva de imprensa. O Rei Harold, da Noruega, disse que está devastado por causa do ataque. Devemos permanecer unidos e defender nossos valores: liberdade, diversidade e respeito ao próximo. A polícia norueguesa, que anda desarmada, portará armas preventivamente.

    Em frente ao bar, chamado London Pub, foram feitas homenagens às vítimas do ataque: flores foram depositadas e bandeiras do arco-íris, símbolo do movimento LGBTI+, penduradas no entorno. De acordo com a BBC, um grupo de centenas de pessoas se reuniu ainda na noite do ataque em frente ao bar em protesto. Somos queer, estamos aqui e não vamos desaparecer, disseram os manifestantes.

    O episódio no país revive um outro ataque traumático: em 2011, o extremista de direita Anders Breivik detonou uma bomba em frente ao escritório do então primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, que deixou 8 mortos. Na sequência, o supremacista branco, disfarçado de policial, abriu fogo em um acampamento da Liga Trabalhista Juvenil, que deixou 69 mortos, a maioria adolescentes, que foram executados com tiros na cabeça.

    Breivik está detido desde então. Em janeiro, um julgamento analisou seu pedido de liberdade condicional: na audiência, ele fez a saudação nazista para os juízes. Os serviços de inteligência da Noruega alertaram dias antes do ataque ao pub LGBTI+ que as ideias propagadas pelo supremacista e outros grupos ainda são uma força motriz para extremistas de direita no país e no exterior.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.