Fila de espera do Auxílio Brasil chega a 2,8 mi de famílias

Dados são de mapeamento da Confederação Nacional de Municípios e se referem ao mês de abril. Procura por benefício cresce em contexto de desemprego, perda de renda e aumento da fome

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    A fila de brasileiros à espera do Auxílio Brasil, programa social do governo Jair Bolsonaro, voltou a crescer. Em abril, 2,78 milhões de famílias aguardavam para ter acesso ao benefício, segundo o mais recente mapeamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios. A chamada demanda reprimida teve um aumento de 113% em relação a março, quando o número de famílias que aguardavam era de 1,3 milhão.

    Em janeiro, o governo federal afirmou que havia zerado a fila de espera do programa. O aumento da fila de espera tem preocupado prefeitos, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que revelou os dados do levantamento nesta segunda-feira (20). O estudo da CNM indica que a previsão orçamentária para o Auxílio Brasil em 2022 — de R$ 89 bilhões — não é mais suficiente para voltar a zerar a fila.

    O aumento da fila de espera ocorre em um contexto de elevado desemprego, perda de renda e agravamento da fome. No dia 8 de junho, levantamento da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) mostrou que a fome no Brasil atinge 33 milhões de pessoas, mesmo patamar da década de 1990. Para as prefeituras, é preciso reforçar o Auxílio Brasil para enfrentar esse cenário.

    A CNM decidiu mapear a fila do Auxílio Brasil por causa de problemas de transparência nos dados do Ministério da Cidadania, responsável pela gestão do programa. O estudo foi elaborado a partir do Relatório de Informações Sociais e de dados do Cecad, ferramenta que permite consultar informações do Cadastro Único, instrumento de seleção e inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais no país. O levantamento calculou a demanda reprimida ao cruzar dados de famílias com perfil para o Auxílio Brasil, mas que não estão incluídas no programa.

    Para ter acesso ao benefício, as famílias devem se encaixar nos critérios do programa, além de estar inscritas no Cadastro Único. Consultado por veículos de imprensa, o Ministério da Cidadania não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre os dados da CNM até a publicação deste texto.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.