Bolsonaro afirma que Dom Phillips era ‘malvisto’ na Amazônia

Presidente disse em entrevista que jornalista britânico que desapareceu no Vale do Javari deveria ter tido mais atenção. Governo é criticado por falta de esforços nas buscas

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (15) que o jornalista britânico Dom Phillips era "malvisto" na Amazônia e que "muita gente não gostava" dele. Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira desapareceram no dia 5 de junho no Vale do Javari, região amazônica próxima da fronteira como Peru.

"Ele tinha que ter mais que redobrada atenção para consigo próprio e resolveu fazer uma excursão. A gente não sabe se alguém viu e foi atrás dele, lá tem pirata no rio, lá tem tudo que possa imaginar", declarou o presidente em entrevista veiculada pelo canal da apresentadora Leda Nagle no Youtube. "Esse inglês era malvisto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental, então, naquela região lá, que é bastante isolada, muita gente não gostava dele".

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro se manifesta sobre o assunto. Na segunda-feira (13), ele criticou uma determinação do ministro Luís Roberto Barroso que pedia mais agilidade nas buscas pelo jornalista e pelo indigenista. O presidente disse em entrevista à rádio CBN de Recife (PE) que o ministro do Supremo “se preocupou apenas com esses dois”, e não com as “dezenas de milhares de pessoas que desaparecem por ano no Brasil”.

Na semana passada, o chefe do Executivo havia classificado a viagem de barco da dupla como uma aventura não recomendável. “Realmente duas pessoas apenas em um barco, em uma região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que tenham sido executados. A gente espera e pede a Deus que sejam encontrados brevemente. As Forças Armadas estão trabalhando com muito afinco na região”, disse o presidente ao canal SBT. Phillips e Pereira foram ao Vale do Javari para entrevistar indígenas e ribeirinhos sobre a vigilância do local, que é bastante afetado pela ação de pescadores, madeireiros e garimpeiros que atuam naquele território de forma ilegal.

Bolsonaro é alvo de criticas e protestos no Brasil e no exterior pela forma como vem lidando com o caso e a ausência de esforços maiores do governo federal nos trabalhos de busca. A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) denunciou na terça-feira (14) a atuação do presidente ao Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, incluindo-a em uma outra manifestação da entidade, protocolada em agosto de 2021, que atribuía ao chefe do Executivo a responsabilidade de crime de genocídio contra os povos indígenas desde o início do seu mandato, com foco no período da pandemia de covid-19.

Até o momento, a polícia prendeu dois suspeitos pelo desaparecimento da dupla. Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, foi visto por ribeirinhos no dia em que o indigenista e o jornalista desapareceram, passando no rio logo atrás da embarcação dos dois. Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos e irmão de Pelado, também foi detido por suspeita de envolvimento no caso.

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